sexta-feira, 7 de agosto de 2026

Hoje faz anos o flop camaronês do Sporting. Quem se lembra de Missé-Missé?

Missé-Missé disputou apenas cinco jogos de leão ao peito
Era internacional A pelos Camarões e vinha de cerca de meia centena de golos em três anos ao serviço dos belgas do Charleroi, mas no Sporting não passou de mais um dos muitos flops que Alvalade conheceu durante a segunda metade da década de 1990.
 
Nascido a 7 de agosto de 1968 na capital camaronesa, Yaoundé, começou a jogar futebol num clube cidade-natal, o Canon, que o catapultou para a seleção principal do seu país, ao serviço da qual ganhou a Taça Afro-Asiática em 1985.
 
Passou ainda pelo Diamant Yaoundé antes de se mudar para a Bélgica em 1991, aos 23 anos, inicialmente para representar os amadores do Andenne-Seilles.
 
Em 1993 deu o salto para o primeiro escalão belga, para vestir a camisola do Charleroi. Ao serviço das zebras marcou cerca de 50 golos em jogos oficiais, contribuindo para honrosas classificações como o quarto lugar em 1993-94. As boas atuações permitiram-lhe voltar à seleção dos Camarões em 1994, após quase nove anos de ausência, mas não conseguiu marcar presença em fases finais.
 
 
 
No verão de 1996 assinou pelo Sporting, que na altura era orientado precisamente pelo treinador do Charleroi em 1993-94, o belga Robert Waseige. “Todos pensavam isso, é falso. Fui contratado pelo senhor Norton de Matos. Ele conhecia bem a liga belga e as pessoas da direção do Sporting. O Waseige aceitou a sugestão dele e fui contratado. Eu e o Filip De Wilde, o guarda-redes”, contou ao Maisfutebol em outubro de 2015.
 
“Eu, o Ouattara e o Amunike estivemos muito bem na pré-temporada. Depois, o treinador estragou o que construiu. (…) Os internacionais portugueses chegaram mais tarde – Sá Pinto, Paulo Alves, Oceano, Pedro Barbosa – e tudo mudou. Deixaram de me passar a bola! O Sá Pinto, então… os adeptos adoravam jogadas individuais e os meus colegas abusavam. A equipa era muito jovem”, o que levou o atacante camaronês a mudar de atitude: “Tornei-me um avançado egoísta também. E tudo piorou para mim.”
 
Rotulado de avançado móvel e possante, Missé-Missé ainda começou a época como titular, depois de marcar a Real Sociedad e Torino na pré-temporada, mas falhou um golo de baliza aberta logo na estreia, frente ao Sp. Espinho. Questionado por um jornalista sobre o falhanço, respondeu de forma insólita: “Estou com um quilo a mais, lamento.”
 
Acabou por não ir além de cinco jogos de leão ao peito, tendo deixado de jogar após a ascensão de Octávio Machado a treinador principal. “Com esse senhor não adiantava treinar bem, tentar agradar. Tinha as suas ideias. Não foi ele o culpado”, lembrou o atacante, que recorda o “bom jogo” que fez contra o Montpellier, para a Taça UEFA: “Empatámos e joguei os 90 minutos. Ofereci o golo ao Hadji. Sabe o que aconteceu no jogo seguinte? Joguei dois minutos contra o Rio Ave [em Vila do Conde]. Apeteceu-me desistir.”
 
 
Dispensado dos verde e brancos no final da temporada 1996-97, teve também passagens infelizes pelos turcos do Trabzonspor, os escoceses do Dundee United e os ingleses do Chesterfield, todos na época que se seguiu. Paralelamente, falhou o Mundial 1998 por opção técnica, apesar de ter feito uma boa fase de qualificação.
 
 
Após aventuras positivas na Grécia ao serviço de Ethnikos Piraeus e Ethnikos Asteras voltou à Bélgica vestir as camisolas de La Louvière, Oostende e Malines, tendo encerrado a carreira em 2004, à beira de comemorar o 36.º aniversário.
 
   







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