Hoje faz anos o flop camaronês do Sporting. Quem se lembra de Missé-Missé?
Missé-Missé disputou apenas cinco jogos de leão ao peito
Era internacional A pelos Camarões
e vinha de cerca de meia centena de golos em três anos ao serviço dos belgas do
Charleroi, mas no Sporting
não passou de mais um dos muitos flops que Alvalade
conheceu durante a segunda metade da década de 1990.
Nascido a 7 de agosto de 1968 na
capital camaronesa, Yaoundé, começou a jogar futebol num clube cidade-natal, o
Canon, que o catapultou para a seleção
principal do seu país, ao serviço da qual ganhou a Taça Afro-Asiática em
1985. Passou ainda pelo Diamant Yaoundé
antes de se mudar para a Bélgica em 1991, aos 23 anos, inicialmente para
representar os amadores do Andenne-Seilles. Em 1993 deu o salto para o
primeiro escalão belga, para vestir a camisola do Charleroi. Ao serviço das
zebras marcou cerca de 50 golos em jogos oficiais, contribuindo para honrosas
classificações como o quarto lugar em 1993-94. As boas atuações permitiram-lhe
voltar à seleção
dos Camarões em 1994, após quase nove anos de ausência, mas não conseguiu
marcar presença em fases finais.
No verão de 1996 assinou pelo Sporting,
que na altura era orientado precisamente pelo treinador do Charleroi em 1993-94,
o belga Robert
Waseige. “Todos pensavam isso, é falso. Fui contratado pelo senhor Norton
de Matos. Ele conhecia bem a liga belga e as pessoas da direção do Sporting.
O Waseige
aceitou a sugestão dele e fui contratado. Eu e o Filip De Wilde, o guarda-redes”,
contou ao Maisfutebol
em outubro de 2015. “Eu, o Ouattara
e o Amunike
estivemos muito bem na pré-temporada. Depois, o treinador estragou o que
construiu. (…) Os internacionais portugueses chegaram mais tarde – Sá
Pinto, Paulo
Alves, Oceano, Pedro Barbosa – e tudo mudou. Deixaram de me passar a bola!
O Sá
Pinto, então… os adeptos adoravam jogadas individuais e os meus colegas
abusavam. A equipa era muito jovem”, o que levou o atacante camaronês a mudar
de atitude: “Tornei-me um avançado egoísta também. E tudo piorou para mim.” Rotulado de avançado móvel e
possante, Missé-Missé ainda começou a época como titular, depois de marcar a Real
Sociedad e Torino
na pré-temporada, mas falhou um golo de baliza aberta logo na estreia, frente
ao Sp.
Espinho. Questionado por um jornalista sobre o falhanço, respondeu de forma
insólita: “Estou com um quilo a mais, lamento.” Acabou por não ir além de cinco
jogos de leão ao peito, tendo deixado de jogar após a ascensão de Octávio
Machado a treinador principal. “Com esse senhor não adiantava treinar bem,
tentar agradar. Tinha as suas ideias. Não foi ele o culpado”, lembrou o
atacante, que recorda o “bom jogo” que fez contra o Montpellier, para a Taça
UEFA: “Empatámos e joguei os 90 minutos. Ofereci o golo ao Hadji. Sabe o
que aconteceu no jogo seguinte? Joguei dois minutos contra o Rio
Ave [em Vila do Conde]. Apeteceu-me desistir.”
Dispensado dos verde e brancos no
final da temporada 1996-97, teve também passagens infelizes pelos turcos do
Trabzonspor, os escoceses do Dundee United e os ingleses do Chesterfield, todos
na época que se seguiu. Paralelamente, falhou o Mundial 1998 por opção técnica,
apesar de ter feito uma boa fase de qualificação.
Após aventuras positivas na
Grécia ao serviço de Ethnikos Piraeus e Ethnikos Asteras voltou à Bélgica vestir
as camisolas de La Louvière, Oostende e Malines, tendo encerrado a carreira em
2004, à beira de comemorar o 36.º aniversário.
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