sábado, 25 de outubro de 2014

Qual idade de Silas

Mudam-se os tempos, mantém-se a qualidade. Silas apareceu entre os grandes do futebol português na segunda metade de 2001, fazendo parte de uma belíssima equipa da União de Leiria, onde também pontificavam Costinha, Bilro, Éder, Nuno Valente, João Manuel, Tiago, Maciel e Derlei, orientada por José Mourinho.

Treze anos depois, aos 38, voltou ao clube que o formou, o Atlético. No currículo contava já com passagens por Inglaterra, Chipre e em clubes com algum gabarito em Portugal, como Marítimo e Belenenses.  

Na passada quarta-feira tive o prazer de o poder ver em ação, ao vivo, no Estádio da Tapadinha, frente ao Leixões. Estaria este antigo internacional português por três vezes a arrastar-se no segundo escalão português?


Nada disso. Aliás, bem pelo contrário. É bem conhecido o estilo da nossa Liga2: pontapé para a frente, disputa de primeira bola, disputa de segunda bola e repetição do mesmo. Entre chutões e repelões, quando a redondinha chegava aos pés de Silas, a face do jogo mudava.

Um futebol rendilhado, um gosto por manter o esférico à flor da relva, uma visão de jogo periférica, uma capacidade de tomar decisões que criava espaços para si ou para os colegas fantástica. E se tivesse de embalar em velocidade, revelava-se mais rápido do que adversários dez ou quinze anos mais jovens.

Com naturalidade, esteve no primeiro golo da sua equipa, que o próprio apontou. Ele, o ‘10’ da equipa, tabelou com o avançado, entrou dentro da área, passou por um adversário como faca quente e manteiga e uma finalização certeira, só ao alcance da mestria e da frieza de um grande jogador.

O futebol dos alcantarenses tornava-se mais rápido e bonito nos seus pés. Mas impunha-se a questão: Aguentaria o ritmo durante os 90 minutos? É verdade que após o intervalo passou por um período mais apagado, mas após o segundo golo da sua equipa (66 minutos), voltou a aparecer com o mesmo discernimento, a mesma qualidade e até a mesma velocidade com que tinha encantado os espetadores na primeira.

Velhos são os trapos ou é como o vinho do Porto são chavões que se lhe aplicam com toda a justiça. Tudo parece mais fácil quando a bola chega aos seus pés. Que jeito ainda daria a várias equipas da I Liga.



1 comentário:

  1. Penso que o Silas com um pouco mais de sorte poderia ter tido uma carreira melhor. Mas sempre gostei do futebol dele. E histórias de craques que regressam às origens, por mais humildes que sejam, são sempre muito bonitas. Mostram uma grande paixão pelo futebol.

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