sexta-feira, 8 de fevereiro de 2013

Liga Europa: A segunda divisão continental


Com a Liga dos Campeões a ter como figuras de cartaz ao longo de toda a competição os tubarões, a Liga Europa funciona como uma prova de afirmação de clubes da segunda linha no velho continente.
                                      

Olhando para os para os finalistas das últimas edições da Taça UEFA/Liga Europa, obtemos realmente o que é o objetivo da competição, proporcionar momentos de glória a formações que vivem na sombra dos tais tubarões nas principais potências futebolísticas (Werder Bremen, Atlético Madrid, Fulham e Athletic Bilbao) como a alguns dos emblemas de referência de outros países (Zenit, Glasgow Rangers, Shakhtar, FC Porto e Sp. Braga).

Até aí, tudo bem, sempre assim o foi, mas tal como não podemos avaliar um livro pela sua capa, também não poderemos fazer uma apreciação a este torneio pelos seus finalistas, começando no entanto, pelos mesmos…

Parece confusa esta minha última frase mas refiro-me à forma como esta “segunda divisão europeia” não ter algo que normalmente uma segunda divisão tem: a promoção de (pelo menos) o campeão ao principal escalão.

Não importa se tenha ficado a meio da tabela no seu campeonato nacional, mas a vitória do Atlético Madrid na Liga Europa em 2011/12 devia garantir-lhe a participação na presente edição da Champions League. É isto que acontece em qualquer país, o vencedor de uma divisão inferior ser promovido ao escalão.

Porque não funciona assim em termos continentais? Receio de colocar cinco clubes de um mesmo país na prova que se chama Liga dos Campeões? Se são os melhores e têm tudo para tornar a competição ainda mais competitiva, porque não? Uma realidade que se espera que mude nos próximos anos.

Mas há mais. As exigências financeiras que a UEFA faz aos clubes no momento da pré-inscrição para as competições europeias tiveram o seguinte resultado na época transacta no nosso país: mesmo que a Académica não tivesse vencido a Taça de Portugal, tinha-se classificado para a 3ª Pré-Eliminatória da Liga Europa. Porquê? Porque Vitória de Guimarães (6º), Nacional (7º), Olhanense (8º), Gil Vicente (9º), Paços de Ferreira (10º), Vitória de Setúbal (11º) e Beira Mar (12º) não acharam que fosse financeiramente vantajoso se terem pré-inscrito.

Já esta época, dirigentes pacenses admitiram que a qualificação europeia via Taça de Portugal era bem mais produtiva no que diz respeito aos euros, pois garantir-lhes-ia desde logo a entrada na fase de grupos.

Esse é um dos problemas que ameaça seriamente tal torneio.

Ainda assim, não nos fiquemos por aqui, nos últimos dez anos a Taça UEFA/Liga Europa já teve como participantes Barcelona, Manchester United, Manchester City (no seu auge), Bayern Munique, Inter, Juventus, Liverpool e AC Milan.
Quantos desses colossos a conquistaram? Quantos deles chegaram à final? Zero. Por norma, até são eliminados de forma precoce.

Terá a Europa duas competições bastante equilibradas entre si? Seria essa a explicação? Não.
Tais clubes não ambicionam ganhar a Liga Europa, não a consideram atrativa no plano desportivo e financeiro, e as suas eliminações precoces refletem a falta de motivação de dirigentes, equipa técnica e jogadores, ou seja, estamos a falar de algo, que em boa parte, não é verdade desportiva.

Arjen Robben, no final da época 2010/11, ao serviço do Bayern Munique, numa fase em que a qualificação da Liga dos Campeões estava em risco, chegou mesmo a afirmar que não queria vencer a Liga Europa. Palavras fortes, sobre um torneio com muito para rever.

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