terça-feira, 1 de abril de 2025

O internacional russo nascido na Ucrânia que não foi feliz no Benfica. Quem se lembra de Karyaka?

Karyaka somou 17 jogos e três golos pelo Benfica entre 2005 e 2007
Antes de chegar ao Benfica, fez capas de jornais. Depois de chegar, não mais voltou às manchetes, a não ser por problemas disciplinares. Jogador importante para a seleção russa, 27 vezes internacional e utilizado nos três jogos que o conjunto de leste fez no Euro 2004, começou a ser noticiado como possível reforço encarnado logo após esse Campeonato da Europa disputado em Portugal, mas a transferência só se concretizou um ano depois.
 
“O Benfica é um clube de categoria e coloca sempre alta a fasquia. Por lá passaram jogadores que muito respeito. E tem Ronald Koeman, treinador que me motiva, e com quem vou ter, seguramente, grande satisfação em trabalhar”, afirmou ao jornal A Bola em junho de 2005.
 
Proveniente do Krylia Sovetov, este extremo destro nascido em Dnipropetrovsk, na Ucrânia, cedo deu a entender que seria uma personagem secundária nas águias, apesar da longa novela que foi a sua contratação. Começou como suplente utilizado no triunfo sobre o Vitória de Setúbal que valeu a conquista da Supertaça de 2005 – o único troféu que venceu na carreira –, e depois foi alternando entre a titularidade, o banco de suplentes e a bancada.
 
Até dezembro foi utilizado em onze jogos, cinco dos quais como titular, e, numa altura em que parecia estar a ganhar protagonismo, começaram… os problemas. Depois de uma entrada dura sobre João Pereira num treino, o que levou Koeman a repreendê-lo, retirá-lo de uma peladinha e mandá-lo fazer corrida, concedeu uma entrevista polémica a um jornal russo em janeiro de 2006. “Koeman prefere os jogadores brasileiros” e “Portugal é um país atrasado. Penso que Lisboa está 20 anos atrás de Moscovo. É uma aldeia grande, onde não há lugar para as crianças brincarem na rua”, foram algumas das frases fortes dessa peça jornalística.
 
 
Na sequência dessa entrevista, foi alvo de um processo disciplinar e suspenso de toda a atividade desportiva no Benfica. Contudo, Karyaka negou grande parte das declarações que lhe foram atribuídas pelo Sovietsky Sport e apresentou mesmo uma ação judicial contra o jornalista que o entrevistou, acabando por vencer o caso nos tribunais em julho de 2006, quando ficou provado que a entrevista havia sido fabricada.
 
O extremo russo voltou a figurar numa convocatória em meados de fevereiro, mas só regressou aos relvados no jogo da última jornada do campeonato, a 7 de maio, tendo sido titular numa derrota em Paços de Ferreira (1-3).
 
No início da temporada seguinte, já com Fernando Santos em vez de Ronald Koeman no comando técnico, esteve para ser dispensado, mas acabou por integrar à última hora o estágio de pré-época na Suíça. Apesar de muito utilizado nesse período preparatório, voltou a cair em desuso assim que as provas oficiais começaram, não indo além de cinco jogos (e dois golos), todos como suplente utilizado, até fevereiro de 2007.
 
 
“O Karyaka estava um pouco à margem. Sentia-se nele. Na Suíça, apesar de ser bom profissional, procurar ser sério em termos de treinos, via-se se estava um pouco à margem e sentia-se que não estava cá. Passou a fase difícil. É um jogador que em termos de profissionalismo é exemplar”, comentou o treinador português em novembro de 2006. “Tive uma conversa com ele em que lhe disse que a partir do momento que ele continuasse aqui, para mim era um jogador como todos os outros. Para mim teria um tratamento igual a todos os outros”, acrescentou.
 
Ainda nos primeiros meses de 2007 regressou à Rússia para representar o Saturn, inicialmente por empréstimo e posteriormente a título definitivo, tendo ainda rendido, segundo o Transfermarkt, dois milhões de euros aos cofres encarnados, o dobro do que havia custado. Antes o Benfica tentou inclui-lo como moeda de troca na transferência de Derlei do Dínamo Moscovo para a Luz, mas o jogador russo não se mostrou disponível para rumar ao emblema moscovita.
 

Especialista em livres e disputado por três seleções

Com ascendência russa e usbeque, mas nascido em Dnipropetrovsk a 1 de abril de 1978, Andrei Karyaka teve uma paixão pelo futebol muito inspirada pelo sucesso do clube local, o Dnipro, que se sagrou campeão soviético em 1983 e 1988 e atingiu os quartos de final da Taça dos Campeões Europeus em 1984-85 e 1989-90.
 
Foi nesse clube que começou a jogar futebol, aos sete anos, mas em 1985 mudou-se para Zaporíjia e passou a jogar nas camadas jovens do Metalurh Zaporizhzhia, tendo feito a estreia pela equipa principal a 3 de março de 1996, a quase um mês de comemorar o 18.º aniversário.
 
Após ter dado nas vistas, mudou-se em 1998 para o CSKA Kiev (posteriormente denominado Arsenal Kiev), que lhe permitiu disputar pela primeira vez uma prova europeia, a Taça das Taças, em 1998-99. Em agosto de 1999 estreou-se pela seleção de sub-21 da Ucrânia.
 
Pouco utilizado na capital ucraniana, esteve à experiência nos russos do Krylia Sovetov no verão de 2000 e acabou por ficar, impondo-se rapidamente como uma das estrelas do emblema de Samara. Fazendo-se valer de uma veia goleadora bastante assinalável para um extremo, com cerca de 56 golos em 155 jogos em cinco anos no clube, notabilizou-se como um especialista na execução de livres diretos.
 
 
A 24 de maio de 2001 foi convocado pela primeira vez representar a seleção principal da Ucrânia, mas a Rússia e o Usbequistão também se mostraram interessadas, o que o levou a decidir-se pela seleção russa, pela qual se veio a estrear em agosto desse ano. Num particular diante da Grécia somou a primeira de 27 internacionalizações – marcou seis golos –, num percurso interrompido após a chegada ao Benfica e que incluiu a participação em três jogos no Euro 2004, tendo sido titular na derrota com Portugal (0-2), no Estádio da Luz, na fase de grupos.
 
     
 
Após deixar os encarnados voltou a ser um jogador importante no campeonato russo com a camisola do Saturn, mas nunca mais reentrou nas contas da seleção, tendo passado ainda por Dínamo Moscovo e Volga Nizhny Novgorod antes de pendurar as botas em 2014, aos 36 anos.
 
Posteriormente tornou-se treinador, sempre como adjunto ou técnico principal nas camadas jovens, tendo trabalhado no Amkar, no Rodina e no Torpedo Moscovo.
  


 






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