domingo, 13 de agosto de 2017

Virtudes e defeitos de Bruno Varela

Bruno Varela tem sido o dono da baliza do Benfica
Bruno Varela é uma das novidades do Benfica versão 2017/18. Formado no Seixal, o guarda-redes internacional sub-21 português voltou ao clube para integrar a equipa principal e, face à lesão de Júlio César e à indeterminação sobre a chegada ou não de mais um guardião, tem assumido a baliza encarnada.

Após dois jogos realizados e outros tantos golos sofridos, as opiniões dividem-se. Uns vislumbram erros nos tentos encaixados diante de V. Guimarães e Sp. Braga. Outros preferem dar um voto de confiança a um menino que é prata da casa e tem apresentado atributos indesmentíveis.


A longa passagem de Varela pela formação benfiquista é bem notória na forma de atuar do futebolista. É um produto do século XXI, em que o treino do guarda-redes evoluiu em termos de quantidade e qualidade, havendo profissionais especializados para o ministrar. A era em que os exercícios se limitavam a adjuntos a bater bolas já acabou. Hoje há exercícios específicos que estimulam reflexos, agilidade, velocidade, impulsão e jogo de pés, entre outras capacidades que o guardião moderno tem que possuir. Varela tem isso tudo e ostenta-o de uma forma ortodoxa, como que a provar que passou horas e horas a fios a ser aperfeiçoado. Não é apenas mais um guarda-redes com reflexos apurados. Tem escola e talento.

Isso notou-se de forma bem clara durante a época passada, em que esteve ao serviço do Vitória de Setúbal e pude acompanhá-lo de perto. Quando chegou, gerou desconfiança, um pouco ao estilo do que lhe está a acontecer na Luz, pois tinha vindo de um ano sem jogar no Valladolid, um clube da II Liga espanhola. Contudo, fez uma boa campanha no Bonfim e chegou a ser convocado à seleção principal, em março deste ano, curiosamente na mesma altura em que o companheiro que o relegava para o banco na equipa espanhola e hoje dono da baliza do Athletic Bilbao, Kepa Arrizabalaga, foi chamado à la roja.

Em Setúbal, teve a oportunidade de crescer, com uma série de particularidades que potenciaram esse crescimento. Internamente, teve em Carlos Ribeiro um excelente treinador de guarda-redes; em Pedro Trigueira um bom concorrente, o que nunca permitiu que houvesse relaxamento; e em José Couceiro um técnico que lhe deu sempre absoluta confiança. À 2.ª jornada, Trigueira tinha vindo de um jogo sem sofrer golos e Varela dos Jogos Olímpicos, mas nem isso impediu que o timoneiro sadino tivesse entregado imediatamente a baliza ao segundo em pleno Estádio da Luz. Mais tarde, o agora guardião do Benfica esteve lesionado e a concorrência aproveitou para mostrar valor, mas mal recuperou, voltou a ocupar o posto.  

Em jogo e com a possibilidade de se mostrar na I Liga, exibiu os tais atributos de quem tem escola, mas também alguns dos principais defeitos do guarda-redes do século XXI. Longe vão os tempos em que os guardiões dominavam na área. Hoje não. Com receio de falhar e ficar mal na fotografia, não se expõem ao erro. Ficam na baliza e não saem aos cruzamentos, protegendo a própria imagem, ainda que prejudicando a equipa. E Varela não é exceção no que concerne a esta característica do guarda-redes moderno.

Se essas lacunas passavam mais despercebidas num clube como o Vitória de Setúbal, em que a qualidade entre os postes é o aspeto mais solicitado e pode disfarçar outro tipo de fragilidades, num emblema como o Benfica estarão mais expostas. Com alguém como Júlio César como colega de trabalho, um treino especializado e o poder de encaixe que já tem – na época passada, em situações de antijogo, foi assobiado no Dragão e até na Luz, e ainda assim não ficou perturbado –, terá as condições desejadas para ser o substituto de Ederson.








3 comentários:

  1. Varela tem agilidade e velocidade?
    É certo que que estávamos a habituados ao Ederson mas nossa senhora... Lento e mau a fechar. O último golo que sofreu [diante do Sp. Braga] era uma brincadeira para o Ederson.
    Erro do Jardel nesse lance? Não discordo. Mas um guarda-redes do Benfica não sofre aquele golo. Pelo menos os últimos que por lá têm passado.

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  2. Eu ia jurar que a conversa do há exercícios para tudo, ia acabar com "menos para a cabeça". Tecnicamente é bom. Mas neste momento o Varela ainda transmite insegurança por todos os poros.

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  3. "Foi com particular satisfação que vi chegar ao topo da pirâmide mais um jovem jogador português 'nascido e criado' na escola de formação do Sport Lisboa e Benfica. Desde 2006, quando chegou do Ponte de Frielas, alto e magrinho, sempre mostrou e assumiu o que queria ser 'quando fosse grande'. É certo que necessita de provas de fogo e de competir, competir e competir! No entanto, é já visível a olho nu que o Benfica tem um guarda-redes a sério. Um 'arquero', como aqui se diz, com quem pode contar no presente e no futuro. Um ativo que irá dar uma 'mais-valia' significativa. Ao ver este 'puto' na baliza, confiante e autoritário, não posso deixar de relembrar, entre muitos outros que tivemos, um episódio que mostra o seu caráter e a sua vontade de ser 'figura'.

    Corria o ano de 2012 e o Bruno estava na equipa B do Benfica. Chegou um dia ao treino com um corte de cabelo tipo 'pele vermelha'. Com 'cristas' e tudo! Perguntei-lhe o que era aquilo. Se achava que a imagem que apresentava se coadunava com a de um profissional do Benfica. Se pensava algum dia jogar na equipa principal do Glorioso. Porque, disse-lhe eu, com aquele corte, ninguém o iria levar a sério! Com um ar surpreso e pensativo, não me respondeu!
    - "Amanhã quero-te cá com um corte de cabelo à homem e que não faça rir as pessoas e principalmente os teus colegas."
    - "Sim, senhor Carraça", respondeu ele.
    E assim foi! No dia seguinte, lá chegou com o cabelo rapado e com um sorriso nos lábios.
    - "Assim está bem?"
    Como resposta, fiz-lhe uma festa na face e dei-lhe uma forte e amiga palmada nas costas! E verifico, ainda hoje, que mantém o mesmo corte de cabelo. Agora como titular da baliza do tetracampeão nacional."

    António Carraça, in Record

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