quinta-feira, 7 de fevereiro de 2013

Trinco: A posição mais importante de uma equipa


O jogador que normalmente atua na posição de trinco numa equipa, não é o craque, o que vende mais camisolas, mas considero-o como o elemento mais fundamental num onze.
                                      

As características físicas, técnicas e índices de agressividade podem deferir, nessa posição atuam ou atuaram com qualidade atletas possantes como Busquets ou baixos como Makelele, dotados de grande capacidade de passe, como Xabi Alonso, ou outros que normalmente não são utilizados na construção de jogo, como Obi Mikel, assim como podem dar nas vistas pela sua agressividade, como Rinaudo, ou serem mais discretos, como Fernando.

Ignoremos os momentos ofensivos de um jogo, centremo-nos apenas nos defensivos. Há quem se refira a um trinco como o centro-campista mais posicional de uma equipa, e não me parece, de todo, a descrição correta. É verdade que ofensivamente é o que menos se liberta da sua posição no meio-campo (ex: Xabi Alonso no Real Madrid, em comparação com Khedira, com quem partilha o duplo “pivot” defensivo), no entanto, analisando o jogo apenas defensivamente, é dos futebolistas que aparecem um pouco por todo o lado ao longo dos encontros, tanto à esquerda, como à direita ou ao meio, como mais atrás ou mais à frente, e normalmente, segundo as estatísticas, é dos que mais correm (ou pelo menos distância percorrem) durante os 90 minutos.



Como disse anteriormente, estes jogadores não são habitualmente dos que vendem mais camisolas, isto porque apesar das suas características físicas, técnicas e índice de agressividade, fatores pelos quais podem ou não dar nas vistas, são essencialmente importantes pelo que o comum espetador de futebol não vê (até porque a atenção está apenas na bola e no que se faz com ela) mas sim naquele a que se chama de trabalho invisível.

A função de um trinco, é assim, das mais ricas tacticamente, independentemente do que possa fazer, noutros momentos, tecnicamente, e passa por equilibrar a equipa.

Mas o que é isto de equilibrar uma equipa?

Num jogo de futebol, nos momentos ofensivos, para uma equipa criar desequilíbrios na outra: pode fazer subir os laterais, colocar um extremo momentaneamente no centro, libertar um dos médios mais recuados para apoiar o ataque, entre outras opções.
O papel de um trinco é exatamente preencher os espaços vazios por um jogador que dentro do seu raio de ação se tenha libertado da sua posição no momento em que a equipa ataca, precaver possíveis transições rápidas do adversário encurtando-lhe o espaço, o que no fundo, é deixar a sua formação organizada.
No entanto, quando a sua equipa não tem a bola, independentemente da atitude pressionante ou expetante que tenha de ter em determinada zona do campo, torna-se importantíssimo quando o adversário está no último terço do terreno, fundamental a preencher espaços, tapar linhas de passe, garantir a organização coletiva e conseguir superioridade numérica.


Vejamos os seguintes exemplos:

Fig. 1
 Esta figura ilustra o jogo que recentemente o Barcelona disputou diante do Benfica, no Estádio da Luz, para a Liga dos Campeões. Em determinado momento, o lateral-direito Daniel Alves, como é hábito, subiu no terreno em apoio ao ataque, os encarnados recuperaram a bola, e quem já estava a preencher esse espaço vazio? Busquets.


Fig. 2
Situação idêntica à da imagem anterior.
Noutro jogo, entre diferentes equipas, um Manchester United – FC Porto de 2009, temos Fernando, jogador que muito pouco dá nas vistas, a compensar uma subida de Cissokho. O brasileiro, no nosso campeonato, é dos mais fortes tacticamente e que sabe exatamente o que fazer e como fazer atuando como “6”.


Fig. 3
Por muito simples que o posicionamento tático de um trinco possa parecer, ele não o é, exige estar constantemente a “olhar pelos retrovisores”, para além do esforço físico, e na imagem de cima temos mais uma vez o discreto Busquets a ser fundamental.
Simultaneamente, estava próximo do portador da bola, encurtando-lhe o espaço (sobretudo tendo em conta a proximidade da linha lateral) e pressionando-o, e pressionar significa aqui obrigar o jogador adversário a tomar uma decisão rápida, que normalmente, é precipitada, forçando a perda da bola, mesmo que para isso não seja necessário um corte, apenas um mau passe, ou uma atrapalhação com ela nos pés.


Fig. 4
Como acima referi, algumas das funções dos trincos é preencher espaços vazios e garantir a superioridade numérica, e esta a figura 3 exibe isso mesmo.
O quarteto defensivo do Barcelona estava ocupado com quatro atacantes do Benfica, havendo assim uma situação de 4 vs. 4, e o posicionamento de Busquets garante simultaneamente superioridade numérica na sua área, o que seria extremamente útil numa possível segunda bola, e ao mesmo tempo, controla com alguma proximidade a ação de Bruno César.


Fig. 5
Não é só no momento ofensivo que há jogadores que se desposicionam, e não se pode utilizar o termo “desposicionar” como se fosse algo garantidamente negativo, não, esses jogadores foram cumprir uma tarefa especifica, e normalmente sabem que serão compensados.
Num quarteto defensivo, é difícil coordenar todas as unidades, há defesas que abrem um fosso enorme entre laterais e centrais e veem aí nascer lances perigosos dos adversários.
Nesta situação, com Jordi Alba a pressionar um jogador junto da linha lateral, e com dois jogadores do Benfica na área “blaugrana”, Busquets coloca-se entre os centrais da sua equipa, permitindo a Mascherano, defesa-central do lado esquerdo, que se aproxime mais de Alba, ajudando na pressão aos atacantes adversários, que estavam ali numa situação de 2 vs. 2.


Fig. 6
Nem todas as equipas defendem da mesma forma (longe disso!), e todos sabemos que Cristiano Ronaldo, no Real Madrid, não defende. E isto não é uma crítica ao jogador (a quem é atribuída essa função) ou ao treinador (que entende assim manter fresco o seu mais influente atleta no capítulo ofensivo), é apenas a constatação de um facto.
Assim sendo, muitas vezes os laterais-direitos das equipas que defrontam os “merengues” sobem para aproveitar essa lacuna, e tentar criar desequilíbrios, que é como quem diz, ter uma situação de superioridade numérica (ou pelo menos, de igualdade), e aqui nesta figura, vemos o trabalho de Xabi Alonso, que não é por mero acaso o médio-defensivo que normalmente se posiciona no lado esquerdo, é porque tem a inteligência tática e concentração constante para compensar as não descidas de Cristiano, garantir a superioridade numérica para a sua equipa e manter assim o quarteto defensivo organizado.
Nesta situação, se nos arredores da bola há um claro 2 vs. 2, na zona adjacente só se vê homens vestidos de branco.


Fig. 7

Fig. 8
 Para se ver como mesmo em grandes equipas, jogadores que valem dezenas de milhões de euros e jogam nessa posição não têm a mesma inteligência e presença dentro de campo, trago-vos um exemplo dentro do mesmo plantel, e mais uma vez recorro a Barcelona e a Busquets.
Não é novidade para ninguém que os catalães gostam de trocar a bola no meio-campo adversário, fazer o célebre “tiki-taka”, e aí geralmente os adversários baixam o seu bloco, tendo poucos jogadores na frente de ataque.
Sergio Busquets, bastante rotinado com o modelo de jogo da equipa, sabe exatamente onde estar, mais perto dos restantes médios, mais adiantados, próximo de uma zona em que é mais provável a perca de bola, de forma a recuperá-la mais rapidamente.
Na segunda imagem temos Alex Song, contratado no último verão, e com menos rotinas com os restantes companheiros, posicionou-se longe dos restantes médios, deu espaço ao adversário que guiava a bola para a continuar a transportar e fazer com ela o que bem entenda, e ao mesmo tempo, nem tapou a linha de passe.
Difícil? Claro que é, mas há uns que o fazem melhores que outros. E este caso não é retirado do particular para o geral, mas sim do geral, explicado num caso particular.


Com isto quero reafirmar o meu interesse em visualizar jogadores que atuem nesta posição, a que considero mais importante e rica tacticamente, até porque é a posição mediana de uma equipa, normalmente com cinco jogadores atrás e outros cinco à frente.
Mais do que a agilidade e a velocidade para fazer um corte, é essencial um bom posicionamento para se recuperar a bola, e neste caso particular, Busquets é um especialista, não tendo que recorrer necessariamente a um corte para chegar ao seu objetivo, já que pressionando, a tomada de decisão do adversário será menos refletida.
Ao contrário do que se pode pensar, a elevada percentagem de posse de bola do Barcelona não se deve somente à eficácia de passe dos seus jogadores, mas muito, também, à velocidade e facilidade com que conseguem recuperar o esférico, e aí, o seu trinco é uma peça fundamental.

5 comentários:

  1. Participa no concurso do meu blog.

    http://www.mundotalentoso.blogspot.pt/

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  2. E aê beleza?!

    Os volantes são importantes em um sistema, principalmente no setor defensivo. Porém, há outros que são muito bons no ataque também como Paulinho e Ramires.

    Abraços.
    Comente no fim do Bola Furada d'Or 2012:
    http://fcgols.blogspot.com.br/2013/02/bola-furada-dor-2012-final.html

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    1. Sem dúvida, e nesse aspeto, na Europa, há Pirlo, Alex Song e outros com excelente saída de bola, e que por vezes funcionam quase como um "8"

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  3. Paulinho eh um Peladeiro da bola que faz muito gol , mas como organizador do jogo, e o real posicionamento que um volante ( trico ) precisa , ele esta muito longe , Ramires tambem . ambos sao meias , nao Volantes. Vou Dar 3 nomes de Volantes , Redondo , Guardiola , Gerard. Ta bom ou quer Mais.

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  4. Eu também acho esta posição muito importante, juntamente com os Laterais, porque estas são as posições que fazem a 'ligação e o contacto' entre a defesa, o meio campo e o ataque e também são como que a 'base' do ataque e uma 'ajuda' mais para os defesas centrais e líberos.

    E, é preciso que se diga, os laterais e trincos são os jogadores que, em média, correm mais quilómetros num jogo. Temos alguns casos de jogadores como Ramires, Khedira e outros que são autênticos pulmões das suas respectivas equipas e que aparecem em todo o lado, ajudando muito quer na defesa, quer no ataque.

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