quinta-feira, 30 de abril de 2026

Hoje faz anos Cândido Costa. Chegou “gordo”, “a rebolar”, mas jogou uma final da Taça pelo Belenenses. Quem se lembra?

Cândido Costa jogou pelo Belenenses entre 2006 e 2010
Após ter saído do FC Porto, em janeiro de 2003, Cândido Costa andou algo perdido. Desceu de divisão com o Vitória de Setúbal, jogou pelo Derby County no segundo escalão inglês e foi pouco utilizado durante dois anos no Sp. Braga. No verão de 2006, tinha ainda mais um ano de contrato com os bracarenses, mas foi-lhe dada carta branca para mudar de rumo. E o então médio/extremo escolheu o Belenenses de Jorge Jesus.
 
Chegou ao Restelo já em cima do fecho do mercado de transferências, depois de rejeitar propostas vindas de Chipre e Roménia, e visivelmente em baixo de forma. “Eu tive mais tempo de férias do que os outros porque não fiz pré-época. Tive dois meses e tal de férias nesse verão. E quando comecei a conversar como mister, ele olhou de cima abaixo para mim e disse: ‘Estás gordo, pá. Tu estás a rebolar’. No primeiro treino deu-me uma coça. Fiz o treino com a equipa, quando o treino terminou eu todo contente: “Chegou ao fim”. Vinha de férias, estava num plantel que já levava um mês e meio de treinos – chegar ao final de pé para mim foi uma vitória. Já estava a baixar as meias quando o Jorge Jesus se virou para mim: ‘Vem fazer aqui um trabalhinho extra comigo’. Fez-me correr à volta do campo todo durante não sei quanto tempo. Eu fiz juras, fiz promessas de que se aquilo acabasse, eu cumpria as promessas”, contou à Tribuna Expresso em março de 2018. “’Por favor isto que acabe, eu nunca mais bebo, eu fico duas semanas sem fumar um cigarro, nunca mais me porto mal, mas por favor isto que acabe’. Eu vinha das férias, dos churrascos, dos convívios. E ele: ‘Vamos fazer mais uma que estás bem ainda’. Eu só pensava: ‘Não acredito que isto está a acontecer comigo’. Morto, mas sem dar parte fraca. Quando ele disse que já chegava, deitei-me na relva. ‘Obrigado senhor, obrigado Jesus’”, prosseguiu.
 
 
Nas semanas seguintes, Cândido Costa lá conquistou Jorge Jesus. “Ele gostava muito das minhas características guerreiras. Eu valorizava muito o treino, era um jogador muito intenso nos treinos. (…) Se o treinador precisava de um jogador para uma posição, eu oferecia-me. Sempre à frente, nunca refilava. Se havia mais valia em mim era essa abnegação. E com o Jorge Jesus isso é tido muito em conta porque ele gosta muito de rigor, de comprometimento coletivo. Se há valor que o Jorge Jesus gosta é de um jogador que perceba a ideia de jogo dele e que a executa, mesmo que às vezes isso não se reflita no resultado”, recordou.
 
 
Na primeira época no Belenenses, atuou como médio interior “numa equipa fortíssima que foi à final da Taça de Portugal, com o Sporting” [derrota por 0-1], tendo disputado 29 jogos (25 a titular) e apontado um golo, contribuindo também para a obtenção do quinto lugar na I Liga.
 
 
Já em 2007-08 passou para lateral direito, cumprindo 27 partidas (19 a titular). “Fizemos também um bom percurso”, lembrou o antigo internacional sub-21 português, sobre uma temporada na qual os azuis concluíram o campeonato na 7.ª posição, com o Caso Meyong a causar a subtração de três pontos, e foram eliminados da Taça UEFA pelo Bayern Munique.
 
  
 
O pior foi quando Jorge Jesus saiu para o Sp. Braga, no verão de 2008. “Com a saída dele o Belenenses deixou de ser o mesmo. A questão financeira foi tremenda. Essas duas épocas com Jesus abalaram, e de que maneira, o Belenenses. Se na verdade, em termos desportivos, as coisas corresponderam, também é verdade que se dilacerou um bocado o Belenenses porque havia jogadores a ganhar muito dinheiro. Não diria muito dinheiro para a realidade futebolística ao mais alto nível, mas para a realidade do Belenenses... tenho de reconhecer que havia ordenado muito elevados. Com ele, as condições tinham de ser top, não pode falhar nada. E depois, sair desta exigência/condições e passares para menos exigência, e isto não é uma crítica aos treinadores, são lideranças diferentes, e menos condições, o reflexo foram duas épocas sofridas. (…) Pessoalmente comecei a ter muitas lesões musculares. Se calhar reflexo também da menor exigência, menor intensidade”, contou Cândido Costa, impotente para impedir a despromoção em 2009, revertida na secretaria devido à descida administrativa do Estrela da Amadora, e em 2010, que efetivamente se consumou.
 
Apesar de ter mais um ano de contrato, a atual estrela do Canal 11 preferiu rescindir após a descida à II Liga, com a condição de lhe pagarem os três meses que tinha em atraso e rumar ao Rapid Bucareste, despedindo-se do Restelo ao fim de um total de 92 encontros e um golo.



 

 




  

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