terça-feira, 28 de julho de 2026

Arrojo de verão da WWE está a cair em desuso

Paul "Triple H" Levesque líder equipa criativa da WWE
Estamos a pouquíssimos dias do SummerSlam, o histórico maior evento de verão da WWE e também uma altura até há bem pouco tempo habitual para a promotora norte-americana mostrar algum arrojo na elevação de estrelas emergentes.
 
A edição deste ano, com Roman Reigns, Seth Rollins, CM Punk e Cody Rhodes a discutir entre eles os dois títulos principais, é a antítese do que o SummerSlam costumava ser e algo bem mais ao estilo do que WrestleMania geralmente é. Basta recordar que foi neste premium live event que Brock Lesnar (2002) e Randy Orton (2004), entre outros, se sagraram campeões mundiais pela primeira vez.
 
Era um evento em que muitas vezes alguns dos combates principais não tinham títulos em disputa, de forma a, em sentido contrário, reforçar a relevância de outros duelos e de outras estrelas em que o cinturão estava metido ao barulho. Lembro-me, por exemplo, do John Cena vs. Batista do SummerSlam 2008, naquele que foi o primeiro combate entre ambos como estrelas estabelecidas, ao passo que o World Heavyweight Championship foi defendido por um CM Punk recém-coroado campeão pela primeira vez frente a JBL.
 
JBL e Chris Benoit (ambos em 2004), John Cena e Batista (2005), Booker T (2006), The Great Khali (2007), CM Punk (2008), Alberto Del Rio (2011), Seth Rollins (2015), Dean Ambrose e Finn Bálor (2016), Jinder Mahal (2017), Kofi Kingston (2019), Braun Strowman (2020) e Damian Priest e Gunther (2024) são outros casos, já no século XX, de lutadores que viviam o primeiro reinado como campeões mundiais por altura do SummerSlam ou que conquistaram o primeiro título mundial da carreira nesse evento.
 
Mas esse experimentalismo e arrojo que a WWE foi mostrando ao longo dos anos tem estado a cair em desuso. Os títulos mundiais parecem cada vez mais confinados a um simbolismo e a um elitismo que só faz sentido em algumas promotoras independentes, sendo que os reinados estão cada vez mais enfadonhos e previsíveis. E quando parece haver um rasgo criativo que faz finalmente de um Sami Zayn campeão, em nove dias percebemos que tudo não passava de uma manobra de transição para levar o WWE Championship de Cody Rhodes para CM Punk.
 
Paralelamente, Bron Breakker perdeu momentum, Gunther não capitalizou as reformas de John Cena e AJ Styles, Sami Zayn não teve direito a desforra, Oba Femi adiou um title match que estava certo para o SummerSlam, LA Knight continua sem a oportunidade de ser campeão, Jacob Fatu foi despromovido a enforcer de uma stable, Jey Uso foi relegado novamente a um papel muito secundário, Drew McIntyre e Randy Orton estão afastados da programação, Dominik Mysterio estagnou, Royce Keys ficou sem ímpeto e Penta e Trick Williams já terão tocado no teto enquanto campeões de mid-card




 
 


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