Chegou ao Restelo já em cima do fecho
do mercado de transferências, depois de rejeitar propostas vindas de Chipre e
Roménia, e visivelmente em baixo de forma. “Eu tive mais tempo de férias do que
os outros porque não fiz pré-época. Tive dois meses e tal de férias nesse
verão. E quando comecei a conversar como mister,
ele olhou de cima abaixo para mim e disse: ‘Estás gordo, pá. Tu estás a rebolar’.
No primeiro treino deu-me uma coça. Fiz o treino com a equipa, quando o treino
terminou eu todo contente: “Chegou ao fim”. Vinha de férias, estava num plantel
que já levava um mês e meio de treinos – chegar ao final de pé para mim foi uma
vitória. Já estava a baixar as meias quando o Jorge
Jesus se virou para mim: ‘Vem fazer aqui um trabalhinho extra comigo’.
Fez-me correr à volta do campo todo durante não sei quanto tempo. Eu fiz juras,
fiz promessas de que se aquilo acabasse, eu cumpria as promessas”, contou à Tribuna
Expresso em março de 2018. “’Por favor isto que acabe, eu nunca mais
bebo, eu fico duas semanas sem fumar um cigarro, nunca mais me porto mal, mas
por favor isto que acabe’. Eu vinha das férias, dos churrascos, dos convívios.
E ele: ‘Vamos fazer mais uma que estás bem ainda’. Eu só pensava: ‘Não acredito
que isto está a acontecer comigo’. Morto, mas sem dar parte fraca. Quando ele
disse que já chegava, deitei-me na relva. ‘Obrigado senhor, obrigado Jesus’”,
prosseguiu.
Nas semanas seguintes, Cândido
Costa lá conquistou Jorge
Jesus. “Ele gostava muito das minhas características guerreiras. Eu
valorizava muito o treino, era um jogador muito intenso nos treinos. (…) Se o
treinador precisava de um jogador para uma posição, eu oferecia-me. Sempre à
frente, nunca refilava. Se havia mais valia em mim era essa abnegação. E com o Jorge
Jesus isso é tido muito em conta porque ele gosta muito de rigor, de
comprometimento coletivo. Se há valor que o Jorge
Jesus gosta é de um jogador que perceba a ideia de jogo dele e que a
executa, mesmo que às vezes isso não se reflita no resultado”, recordou.
Na primeira época no Belenenses,
atuou como médio interior “numa equipa fortíssima que foi à final da Taça
de Portugal, com o Sporting”
[derrota por 0-1], tendo disputado 29 jogos (25 a titular) e apontado um golo,
contribuindo também para a obtenção do quinto lugar na I
Liga.
Já em 2007-08 passou para lateral
direito, cumprindo 27 partidas (19 a titular). “Fizemos também um bom percurso”,
lembrou o antigo internacional sub-21 português, sobre uma temporada na qual os
azuis
concluíram o campeonato na 7.ª posição, com o Caso Meyong a causar a subtração
de três pontos, e foram eliminados da Taça
UEFA pelo Bayern
Munique.
O pior foi quando Jorge
Jesus saiu para o Sp.
Braga, no verão de 2008. “Com a saída dele o Belenenses
deixou de ser o mesmo. A questão financeira foi tremenda. Essas duas épocas com
Jesus
abalaram, e de que maneira, o Belenenses.
Se na verdade, em termos desportivos, as coisas corresponderam, também é
verdade que se dilacerou um bocado o Belenenses
porque havia jogadores a ganhar muito dinheiro. Não diria muito dinheiro para a
realidade futebolística ao mais alto nível, mas para a realidade do Belenenses...
tenho de reconhecer que havia ordenado muito elevados. Com ele, as condições
tinham de ser top, não pode falhar nada. E depois, sair desta
exigência/condições e passares para menos exigência, e isto não é uma crítica
aos treinadores, são lideranças diferentes, e menos condições, o reflexo foram
duas épocas sofridas. (…) Pessoalmente comecei a ter muitas lesões musculares.
Se calhar reflexo também da menor exigência, menor intensidade”, contou Cândido
Costa, impotente para impedir a despromoção em 2009, revertida na
secretaria devido à descida administrativa do Estrela
da Amadora, e em 2010, que efetivamente se consumou. Apesar de ter mais um ano de
contrato, a atual estrela do Canal 11 preferiu rescindir após a descida
à II
Liga, com a condição de lhe pagarem os três meses que tinha em atraso e
rumar ao Rapid Bucareste, despedindo-se do Restelo ao fim de um total de 92
encontros e um golo.
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