Um médio ofensivo talentosíssimo
que necessitou de apenas 24 jogos pelo FC
Porto para render 30 milhões de euros, quatro vezes mais do que custou, e
dar o salto para o Manchester
United. Esteve apenas ano e meio vinculado aos dragões
e, pelo menos, seis meses afastado dos relvados devido a uma perna partida…
pelo benfiquista Katsouranis.
Nascido a 13 de abril de 1988 em
Porto Alegre, no estado brasileiro de Rio Grande do Sul, ingressou nas camadas
jovens do Grêmio
em tenra idade e estreou-se pela equipa principal em outubro de 2004, aos 16
anos e seis meses, logo num escaldante GreNal,
no qual marcou de livre, apesar da derrota por 1-3.
Nessa época o tricolor
gaúcho foi despromovido, mas Anderson acompanhou a equipa na Serie B,
tendo marcado o golo que garantiu o regresso ao Brasileirão, num playoff
diante do Náutico.
Um momento particularmente memorável, num jogo que ficou conhecido como a
“Batalha dos Aflitos”, no qual o Grêmio
terminou reduzido a apenas sete jogadores e chegou à vitória ao minuto 90+16,
71 segundos depois de a equipa adversária ter desperdiçado um penálti. Meses
antes foi considerado o melhor jogador do Mundial de sub-20, prova em que a
seleção canarinha foi finalista vencida.
Por essa altura, já o jovem
prodígio havia assinado um pré-contrato com o FC
Porto, depois de a Gestifute ter pagado cinco milhões de euros por 70% dos
direitos económicos do jogador. Entretanto os dragões
foram adquirindo percentagens do passe, tendo inicialmente desembolsado cerca
de 7,6 milhões para ficar com 65% e depois adquirido mais 15% por um valor que
não chegou a ser revelado. Na Invicta, Anderson começou por
atuar pela equipa B dos azuis
e brancos na II Divisão B, mas ainda foi a tempo de disputar cinco jogos
pela equipa principal, às ordens de Co
Adriaanse, tendo inclusivamente sido titular no triunfo sobre o Vitória
de Setúbal na final da Taça
de Portugal, que valeu a dobradinha aos portistas. Na temporada seguinte, já com Jesualdo
Ferreira no comando técnico, começou a afirmar-se plenamente. Após ter
marcado no jogo que ditou a conquista da Supertaça
Cândido de Oliveira, mais uma vez diante dos sadinos
(3-0), estava a dar de pedra e cal no meio-campo juntamente com Paulo Assunção
e Lucho
González, a espalhar magia e assistências, quando tudo desmoronou num
clássico com o Benfica
no Dragão.
Por volta dos 25 minutos, fraturou o perónio da perna direita num lance com
Katsouranis, teve de ser operado e ficou mais de cinco meses afastado dos
relvados, entre 28 de outubro de 2006 e 1 de abril de 2007.
Curiosamente, voltou no clássico
da segunda volta, na Luz,
e ainda foi a tempo de reconquistar a titularidade, tendo relegado novamente
Raul Meireles para o banco e contribuído para mais um título nacional. No final da época, transferiu-se
para o Manchester
United por 30 milhões de euros, um negócio que rendeu 24 milhões aos cofres
portistas
e seis aos da Gestifute. No mesmo dia, os red
devils também se reforçaram com Nani, que pertencia aos quadros do Sporting,
tendo deixado cerca de 25 milhões de euros em Alvalade.
Ainda nesse verão estreou-se na seleção
brasileira, logo na Copa América, ajudando o escrete
a vencer o torneio.
Mesmo não sendo um titular
indiscutível em Old Trafford, foi sempre muito utilizado por Alex
Ferguson, tendo disputado 38 jogos em cada uma das duas primeiras épocas
que passou no clube, nas quais venceu uma Liga
dos Campeões (2007-08), dois campeonatos (2007-08 e 2008-09), um Mundial de
Clubes (2008) e uma Taça da Liga (2008-09), tendo ainda atingido a final
da Champions em 2008-09. Pelo meio, em 2008 ganhou a medalha de bronze pela
seleção
brasileira nos Jogos Olímpicos de Pequim e venceu o prémio Golden Boy,
atribuído ao melhor jogador sub-21 a atuar na Europa.
Seguiu-se um ano de pesadelo em
2010: viajou para o Brasil sem permissão do clube em janeiro, rompeu o
ligamento cruzado do joelho esquerdo em fevereiro, sofreu um aparatoso acidente
de viação em Portugal no final de julho e só voltou aos relvados em meados de
setembro. Ainda recuperou algum
protagonismo em 2010-11, mas tornou a sofrer lesões no joelho em fevereiro e
novembro de 2011 e nunca mais conseguiu voltar a ser um jogador regular. Ainda
assim, venceu mais dois campeonatos (2010-11 e 2012-13) e duas Community Shield
(2011 e 2013). Após a saída de Ferguson,
em 2013, perdeu definitivamente espaço no plantel do United.
Já sob o comando de David
Moyes, disputou apenas oito jogos na primeira metade da época 2013-14, o
que o levou a ser emprestado à Fiorentina
em janeiro de 2014 até ao final da temporada. Porém, também foi pouco utilizado
em Florença e voltou a Old Trafford. Em 2014-15, numa altura em que estava Louis van Gaal
ao leme dos red
devils, atuou em apenas dois encontros.
Em fevereiro de 2015 terminou a
sua ligação de sete anos e meio ao emblema
inglês e assinou pelo Internacional
de Porto Alegre, grande rival do Grêmio,
clube no qual voltou a ter algum protagonismo ao longo de duas épocas, tendo
vencido o campeonato gaúcho em 2015.
Em 2017 esteve cedido ao Coritiba
e entre 2018 e 2020 representou o Adana Demirspor, da II Liga da Turquia, tendo
anunciado o adeus aos relvados em setembro de 2020, aos 32 anos.
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