segunda-feira, 13 de abril de 2026

Hoje faz anos o Golden Boy do FC Porto a quem Katsouranis partiu a perna. Quem se lembra de Anderson?

Anderson venceu dois campeonatos pelo FC Porto
Um médio ofensivo talentosíssimo que necessitou de apenas 24 jogos pelo FC Porto para render 30 milhões de euros, quatro vezes mais do que custou, e dar o salto para o Manchester United. Esteve apenas ano e meio vinculado aos dragões e, pelo menos, seis meses afastado dos relvados devido a uma perna partida… pelo benfiquista Katsouranis.
 
Nascido a 13 de abril de 1988 em Porto Alegre, no estado brasileiro de Rio Grande do Sul, ingressou nas camadas jovens do Grêmio em tenra idade e estreou-se pela equipa principal em outubro de 2004, aos 16 anos e seis meses, logo num escaldante GreNal, no qual marcou de livre, apesar da derrota por 1-3.
 
 
Nessa época o tricolor gaúcho foi despromovido, mas Anderson acompanhou a equipa na Serie B, tendo marcado o golo que garantiu o regresso ao Brasileirão, num playoff diante do Náutico. Um momento particularmente memorável, num jogo que ficou conhecido como a “Batalha dos Aflitos”, no qual o Grêmio terminou reduzido a apenas sete jogadores e chegou à vitória ao minuto 90+16, 71 segundos depois de a equipa adversária ter desperdiçado um penálti. Meses antes foi considerado o melhor jogador do Mundial de sub-20, prova em que a seleção canarinha foi finalista vencida.
 
 
Por essa altura, já o jovem prodígio havia assinado um pré-contrato com o FC Porto, depois de a Gestifute ter pagado cinco milhões de euros por 70% dos direitos económicos do jogador. Entretanto os dragões foram adquirindo percentagens do passe, tendo inicialmente desembolsado cerca de 7,6 milhões para ficar com 65% e depois adquirido mais 15% por um valor que não chegou a ser revelado.
 
Na Invicta, Anderson começou por atuar pela equipa B dos azuis e brancos na II Divisão B, mas ainda foi a tempo de disputar cinco jogos pela equipa principal, às ordens de Co Adriaanse, tendo inclusivamente sido titular no triunfo sobre o Vitória de Setúbal na final da Taça de Portugal, que valeu a dobradinha aos portistas.
 
Na temporada seguinte, já com Jesualdo Ferreira no comando técnico, começou a afirmar-se plenamente. Após ter marcado no jogo que ditou a conquista da Supertaça Cândido de Oliveira, mais uma vez diante dos sadinos (3-0), estava a dar de pedra e cal no meio-campo juntamente com Paulo Assunção e Lucho González, a espalhar magia e assistências, quando tudo desmoronou num clássico com o Benfica no Dragão. Por volta dos 25 minutos, fraturou o perónio da perna direita num lance com Katsouranis, teve de ser operado e ficou mais de cinco meses afastado dos relvados, entre 28 de outubro de 2006 e 1 de abril de 2007.
 
 
Curiosamente, voltou no clássico da segunda volta, na Luz, e ainda foi a tempo de reconquistar a titularidade, tendo relegado novamente Raul Meireles para o banco e contribuído para mais um título nacional.
 
No final da época, transferiu-se para o Manchester United por 30 milhões de euros, um negócio que rendeu 24 milhões aos cofres portistas e seis aos da Gestifute. No mesmo dia, os red devils também se reforçaram com Nani, que pertencia aos quadros do Sporting, tendo deixado cerca de 25 milhões de euros em Alvalade. Ainda nesse verão estreou-se na seleção brasileira, logo na Copa América, ajudando o escrete a vencer o torneio.
 
 
Mesmo não sendo um titular indiscutível em Old Trafford, foi sempre muito utilizado por Alex Ferguson, tendo disputado 38 jogos em cada uma das duas primeiras épocas que passou no clube, nas quais venceu uma Liga dos Campeões (2007-08), dois campeonatos (2007-08 e 2008-09), um Mundial de Clubes (2008) e uma Taça da Liga (2008-09), tendo ainda atingido a final da Champions em 2008-09. Pelo meio, em 2008 ganhou a medalha de bronze pela seleção brasileira nos Jogos Olímpicos de Pequim e venceu o prémio Golden Boy, atribuído ao melhor jogador sub-21 a atuar na Europa.
 
 
Seguiu-se um ano de pesadelo em 2010: viajou para o Brasil sem permissão do clube em janeiro, rompeu o ligamento cruzado do joelho esquerdo em fevereiro, sofreu um aparatoso acidente de viação em Portugal no final de julho e só voltou aos relvados em meados de setembro.
 
Ainda recuperou algum protagonismo em 2010-11, mas tornou a sofrer lesões no joelho em fevereiro e novembro de 2011 e nunca mais conseguiu voltar a ser um jogador regular. Ainda assim, venceu mais dois campeonatos (2010-11 e 2012-13) e duas Community Shield (2011 e 2013).
 
Após a saída de Ferguson, em 2013, perdeu definitivamente espaço no plantel do United. Já sob o comando de David Moyes, disputou apenas oito jogos na primeira metade da época 2013-14, o que o levou a ser emprestado à Fiorentina em janeiro de 2014 até ao final da temporada.
 
Porém, também foi pouco utilizado em Florença e voltou a Old Trafford. Em 2014-15, numa altura em que estava Louis van Gaal ao leme dos red devils, atuou em apenas dois encontros.
 
 
Em fevereiro de 2015 terminou a sua ligação de sete anos e meio ao emblema inglês e assinou pelo Internacional de Porto Alegre, grande rival do Grêmio, clube no qual voltou a ter algum protagonismo ao longo de duas épocas, tendo vencido o campeonato gaúcho em 2015.
 
 
Em 2017 esteve cedido ao Coritiba e entre 2018 e 2020 representou o Adana Demirspor, da II Liga da Turquia, tendo anunciado o adeus aos relvados em setembro de 2020, aos 32 anos.
 






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