Nascido a 3 de março de 1965 em Léopoldville
(atual Kinshasa), no antigo
Zaire (atual República Democrática do Congo), começou a carreira no Vita
Club, do seu país. Tinha já tudo acertado com os franceses do Nice, mas veio
(de barco e à revelia do clube zairense) de passagem a Portugal no verão de
1986 juntamente com N’Dinga,
numa altura em que N’Kama já estava a treinar no Benfica,
e Pimenta
Machado não os deixou sair. “Tinha sido avisado pelo Valter Freire que
tinha sido treinador no Congo e já nos conhecia. Acabámos por ficar por aqui”,
lembrou ao Maisfutebol
em março de 2018. A primeira época no futebol
português, porém, não lhe correu de feição, não indo além 13 jogos pelos vimaranenses,
apesar das proezas coletivas: terceiro lugar na I
Divisão e caminhada até aos quartos de final da Taça
UEFA. “A dois meses do início do campeonato fui internado com uma úlcera e
perdi a pré-época toda. E depois havia atletas de qualidade. Perdi o comboio.
Na altura só jogavam dois estrangeiros. Tínhamos o N’Kama para substituir o
Paulinho Cascavel e tínhamos o N’Dinga
que era insubstituível. Portanto, sobrou para mim. No final da época, pedi para
sair. O Pimenta
não quis. Mas depois lá viu que a minha vontade era mesmo sair e fui para o Elvas
no ano seguinte”, contou. No emblema
alentejano conseguiu “fazer uma boa época”, tendo sido “muito ajudado pela família
Vidigal”. “Como eram angolanos ficamos muito próximos, havia uma grande
convivência. Joguei com o Beto, o irmão mais velho. A adaptação foi boa. Também
facilitou ter vindo com outros jogadores do V.
Guimarães para o Elvas:
Soeiro, Luís Castro e o Vítor Pontes. Foi dos melhores campeonatos que fiz em
Portugal. Correu tão bem que até havia um bolo com o meu nome! (…) É verdade.
Há dois anos fui a Elvas e ainda havia lá o bolo Basaúla. Fiquei espantado”,
prosseguiu o antigo médio ofensivo, que não conseguiu impedir a despromoção do conjunto
raiano à II Divisão em 1988, ano em que participou pela primeira vez na
Taça das Nações Africanas – viria a repetir a presença em 1992 e 1994. Seguiram-se dois anos no Estrela
da Amadora, entre 1988 e 1990. Na segunda temporada na Reboleira, em
1989-90, venceu a Taça
de Portugal, tendo participado em quase toda a campanha, incluindo na
primeira final, diante do Farense,
que terminou empatada (1-1). “Fiquei muito ligado ao Estrela
derivado a isso. Foi bom, conheci grandes jogadores. Paulo
Bento, Marlon Brandão... era uma boa equipa, com o João
Alves a treinador. É outro treinador com quem aprendi muito. Era muito
avançado para o tempo dele. Impunha disciplina, queria resultados e trabalhava
em função das vitórias”, recordou o zairense, que foi utilizado em cerca de 70
partidas pelos tricolores
e apontou sete golos.
Depois voltou a Guimarães para se
afirmar ao longo de cerca de quatro anos e meio. “Na campanha da Taça
de Portugal com o Estrela
da Amadora, fomos eliminar o Vitória
de Guimarães lá. Sinceramente fiz um grande jogo e marquei o golo que nos
meteu na final. Muita gente questionava como é que eu continuava a ser
emprestado e a fazer grandes campeonatos noutros clubes se eles precisavam de
um jogador como eu. Esse jogo acordou toda a gente. Na semana a seguir ao jogo
ligou-me o Pimenta
Machado a dizer que no ano seguinte voltava”, narrou o antigo
centrocampista, que no regresso à cidade-berço somou 116 jogos e nove remates
certeiros.
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