terça-feira, 3 de março de 2026

Hoje faz anos o zairense que ganhou a Taça pelo Estrela e deixou marca em Guimarães. Quem se lembra de Basaúla?

Basaúla brilhou no Estrela, no Vitória SC e n'O Elvas
Um dos vários zairenses que chegaram ao futebol português no final da década de 1980. Venceu a Taça de Portugal pelo Estrela da Amadora, deixou marca no Vitória de Guimarães e representou ainda O Elvas, Belenenses, Tirsense, Moreirense, Vasco da Gama de Sines e União de Montemor.
 
Nascido a 3 de março de 1965 em Léopoldville (atual Kinshasa), no antigo Zaire (atual República Democrática do Congo), começou a carreira no Vita Club, do seu país. Tinha já tudo acertado com os franceses do Nice, mas veio (de barco e à revelia do clube zairense) de passagem a Portugal no verão de 1986 juntamente com N’Dinga, numa altura em que N’Kama já estava a treinar no Benfica, e Pimenta Machado não os deixou sair. “Tinha sido avisado pelo Valter Freire que tinha sido treinador no Congo e já nos conhecia. Acabámos por ficar por aqui”, lembrou ao Maisfutebol em março de 2018.
 
A primeira época no futebol português, porém, não lhe correu de feição, não indo além 13 jogos pelos vimaranenses, apesar das proezas coletivas: terceiro lugar na I Divisão e caminhada até aos quartos de final da Taça UEFA. “A dois meses do início do campeonato fui internado com uma úlcera e perdi a pré-época toda. E depois havia atletas de qualidade. Perdi o comboio. Na altura só jogavam dois estrangeiros. Tínhamos o N’Kama para substituir o Paulinho Cascavel e tínhamos o N’Dinga que era insubstituível. Portanto, sobrou para mim. No final da época, pedi para sair. O Pimenta não quis. Mas depois lá viu que a minha vontade era mesmo sair e fui para o Elvas no ano seguinte”, contou.
 
No emblema alentejano conseguiu “fazer uma boa época”, tendo sido “muito ajudado pela família Vidigal”. “Como eram angolanos ficamos muito próximos, havia uma grande convivência. Joguei com o Beto, o irmão mais velho. A adaptação foi boa. Também facilitou ter vindo com outros jogadores do V. Guimarães para o Elvas: Soeiro, Luís Castro e o Vítor Pontes. Foi dos melhores campeonatos que fiz em Portugal. Correu tão bem que até havia um bolo com o meu nome! (…) É verdade. Há dois anos fui a Elvas e ainda havia lá o bolo Basaúla. Fiquei espantado”, prosseguiu o antigo médio ofensivo, que não conseguiu impedir a despromoção do conjunto raiano à II Divisão em 1988, ano em que participou pela primeira vez na Taça das Nações Africanas – viria a repetir a presença em 1992 e 1994.
 
Seguiram-se dois anos no Estrela da Amadora, entre 1988 e 1990. Na segunda temporada na Reboleira, em 1989-90, venceu a Taça de Portugal, tendo participado em quase toda a campanha, incluindo na primeira final, diante do Farense, que terminou empatada (1-1). “Fiquei muito ligado ao Estrela derivado a isso. Foi bom, conheci grandes jogadores. Paulo Bento, Marlon Brandão... era uma boa equipa, com o João Alves a treinador. É outro treinador com quem aprendi muito. Era muito avançado para o tempo dele. Impunha disciplina, queria resultados e trabalhava em função das vitórias”, recordou o zairense, que foi utilizado em cerca de 70 partidas pelos tricolores e apontou sete golos.
 
 
Depois voltou a Guimarães para se afirmar ao longo de cerca de quatro anos e meio. “Na campanha da Taça de Portugal com o Estrela da Amadora, fomos eliminar o Vitória de Guimarães lá. Sinceramente fiz um grande jogo e marquei o golo que nos meteu na final. Muita gente questionava como é que eu continuava a ser emprestado e a fazer grandes campeonatos noutros clubes se eles precisavam de um jogador como eu. Esse jogo acordou toda a gente. Na semana a seguir ao jogo ligou-me o Pimenta Machado a dizer que no ano seguinte voltava”, narrou o antigo centrocampista, que no regresso à cidade-berço somou 116 jogos e nove remates certeiros.
 
 
No final de 1994 mudou-se para o Belenenses, reencontrando João Alves, e em 1995-96 viveu uma derradeira aventura na I Divisão ao serviço do Tirsense. Posteriormente, defendeu as cores de Moreirense (1996-97), Vasco da Gama de Sines (1997 a 1999) e União de Montemor (1999-00) antes de pendurar as botas aos 35 anos.
 
É padrinho de Geovany Quenda.







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