Hoje faz anos o canhoto de Freamunde que saltou do Paços para a Roma. Quem se lembra de Antunes?
Antunes disputou 174 jogos e 19 golos pelo Paços de Ferreira
Um dos melhores laterais esquerdos
portugueses no século XXI. Por uma razão ou por outra nunca esteve numa fase
final, mas somou 13 internacionalizações, jogou nos campeonatos de Itália
e Espanha
e na Liga
dos Campeões e foi campeão na Ucrânia e em Portugal.
Canhoto nascido a 1 de abril de
1987 em Freamunde, no concelho de Paços
de Ferreira, fez toda a formação nos capões,
tendo transitado para a equipa principal quando ainda era júnior de primeiro
ano, em 2004-05. Lançado por Nicolau Vaqueiro na antiga II Divisão B,
beneficiou de competir num nível mais competitivo do que a maioria dos
jogadores da sua geração para merecer as primeiras chamadas às seleções jovens,
nomeadamente os sub-18 e os sub-19, tendo sido convocado para o Campeonato da
Europa de sub-19 em 2006. No verão de 2006, quando já
contabilizava cerca de 90 jogos enquanto futebolista sénior, deu o salto para o
Paços
de Ferreira, então na I
Liga. Alvo de aposta de José Mota, foi a grande revelação dos pacenses
em 2006-07, contribuindo para a obtenção do sexto lugar no campeonato, que
valeu o primeiro apuramento europeu da história do clube. No final da temporada, além de
ter participado no Europeu de sub-21 e no Mundial de sub-20, estreou-se pela seleção
nacional A pela mão de Luiz
Felipe Scolari num amigável com o Kuwait (1-1) e deu o salto para a AS
Roma, para onde se transferiu por uma verba a rondar 1,5 milhões de euros
(primeiro 300 mil euros de taxa de empréstimo e um ano depois 1,2 milhões pela
transferência em definitivo). Não vingou no emblema
da cidade eterna, porém, estreou-se na Liga
dos Campeões e contribuiu para a conquista da Taça de Itália em 2007-08,
tendo sido titular em ambas as mãos das meias-finais, diante do Catania. Seguiram-se empréstimos a Lecce, Leixões,
Livorno e Panionios, nenhum deles particularmente bem-sucedido, ao ponto de ter
descido de divisão nas duas primeiras cedências e de ter jogado na Serie B
italiana quando esteve no emblema toscano. Ainda chegou a ser chamado por Carlos
Queiroz para jogos da seleção
nacional em agosto e setembro de 2008, mas depois desapareceu do mapa da equipa
das quinas.
À procura de relançar a carreira,
voltou ao Paços
de Ferreira no verão de 2012, após terminar o vínculo que o ligava aos romanos,
e cumpriu esse objetivo. Às ordens de Paulo
Fonseca contribuiu para a obtenção do histórico 3.º lugar na I
Liga, contributo esse que só não foi mais efetivo porque em janeiro de 2013
se transferiu, por 1,25 milhões de euros, para o Málaga,
na altura uma equipa importante no campeonato
espanhol e que se encontrava a competir na Liga
dos Campeões.
No início de fevereiro de 2015
mudou-se para o Dínamo Kiev, que pagou seis milhões de euros pelo seu passe. Na
Ucrânia deu continuidade à boa fase na carreira, ajudou a equipa da capital a
vencer dois campeonatos (2014-15 e 2015-16), uma taça (2014-15) e uma supertaça
(2016).
Pelo meio foi chamado pelo
selecionador Fernando
Santos para as datas FIFA de março de 2015 e outubro de 2016, mas não foi
convocado para o Euro
2016, tendo sido preterido a favor de Raphael Guerreiro e Eliseu. No verão de 2017 reentrou no
futebol espanhol pela porta do Getafe,
inicialmente por empréstimo e posteriormente a título definitivo, com os azulones
a pagar 2,5 milhões de euros pelo seu passe. Nos três anos que passou no emblema
da região de Madrid contribuiu para honrosas classificações na liga
espanhola, sobretudo o quinto lugar alcançado em 2018-19, a apenas dois
pontos da zona de apuramento para a Liga
dos Campeões. Entretanto foi convocado para jogos da seleção
nacional em outubro de novembro de 2017, mas falhou a presença no Mundial
2018.
Em abril de 2019 sofreu uma
rotura do ligamento cruzado anterior do joelho direito e só voltou a jogar
novamente em dezembro desse ano, mas em 2019-20 não foi além de três jogos
oficiais disputados. Depois terminou contrato e tornou-se num jogador livre. Apesar de não estar numa situação
favorável, Ruben
Amorim acreditou nele e indicou a sua contratação ao Sporting.
Embora tivesse sido quase sempre suplente de Nuno Mendes, participou na
conquista da Taça
da Liga e do campeonato nacional em 2020-21, ajudando os leões
a quebrar um jejum de 19 anos. Considerado um jogador importante no grupo de
trabalho, teve o privilégio de capitanear os verde
e brancos no seu jogo de despedida do clube, tendo posteriormente
regressado ao Paços
de Ferreira.
A terceira passagem pela Capital
do Móvel, porém, ficou marcada pelo insucesso coletivo. Desceu à II
Liga em 2022-23 e esteve perto de viver uma despromoção à Liga 3 na
derradeira temporada da carreira, em 2024-25.
Após pendurar as botas, aos 38
anos, tornou-se treinador. Começou pela equipa de iniciados do Freamunde,
mas em outubro de 2025 assumiu o comando técnico da equipa principal, que atualmente
se encontra nos primeiros lugares da Série 1 da Divisão de Elite da AF
Porto, a discutir a promoção ao Campeonato
de Portugal.
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