Hoje faz anos o zairense do Belenenses que obrigou a um alargamento do campeonato. Quem se lembra de Mapuata?
Mapuata representou o Belenenses entre 1986 e 1988
Marcou 22 golos em dois anos no Belenenses,
um dos quais numa vitória sobre o Barcelona
na Taça
UEFA, e festejou sempre com um salto mortal. É normalmente lembrado por
essa façanha, mas também por ter sido o protagonista de um caso que motivou o
alargamento da I
Divisão de 16 para 20 equipas.
Nascido a 27 de fevereiro de 1965
no antigo
Zaire, atual República Democrática do Congo, Mapuata despontou no CS Imana
do seu país, mas estava nos belgas do Standard
Liège quando surgiu o convite do Belenenses,
no verão de 1986. “Foi o senhor Henri Depireux a
levar-me para Lisboa. Ele tinha sido colega de equipa do presidente do meu clube
no Zaire e quando me viu nem queria acreditar: ‘Em África ninguém vai
conhecê-lo. O Mapuata vem comigo para Portugal’”, recordou ao Maisfutebol
em novembro de 2013.
Na altura, os azuis
do Restelo viviam a melhor fase no pós-Matateu, batiam-se com os grandes e
somavam algumas participações nas provas da UEFA. “No campeonato fomos sextos
em 86-87 e terceiros no ano seguinte”, lembrou o avançado, que apontou 15 golos
em 26 jogos na primeira época e faturou por sete vezes em 27 encontros na
segunda.
Curiosamente, foi na temporada
menos produtiva que viveu o seu maior momento de glória. Depois de uma derrota
por 0-2 em Camp Nou, deixou uma promessa ao guarda-redes do Barcelona:
“Acabei esse jogo a chorar. O Zubizarreta
veio ter comigo, abraçou-me e eu disse-lhe: ‘no Restelo vou ter de te marcar um
golo’.” Promessa cumprida, tendo o
zairense apontado o golo da vitória do Belenenses,
por 1-0, sobre os catalães,
ainda assim insuficiente para garantir a passagem à segunda eliminatória da Taça
UEFA. “O Mladenov
ganhou uma bola na esquerda, entrou na área e fez-me um passe perfeito. Eu
corri uns bons 30 metros e só tive de encostar. No final o Zubizarreta
quis trocar de camisola comigo e disse-me a rir que um golo não fazia mal
nenhum”, contou, puxando a cassete atrás.
A dada altura, o Benfica
interessou-se pelos seus serviços, mas a saída de Depireux e a chegada de Marinho
Peres ao comando técnico travou-lhe a evolução. “O meu amigo Depireux foi
embora por uma estupidez e o Marinho
Peres mudou muita coisa. Trouxe vários jogadores [Baidek, Zé Mário,
Chiquinho Conde] e eu passei a jogar menos vezes”, lamentou o antigo avançado.
Entretanto, já havia rebentado o Caso
Mapuata. A 9 de novembro de 1986, o atacante africano apontou o golo solitário
de um triunfo do Belenenses
sobre o Marítimo.
Após o jogo, os insulares
apresentaram um protesto, alegando inscrição irregular de Mapuata na Federação
Portuguesa de Futebol (FPF). Em causa estaria um aval verbal de César Grácio,
secretário-geral da FPF à data, em relação à apresentação do certificado
internacional do atleta, após a inscrição de Mapuata ter sido suspensa três
dias antes do encontro. Grácio defendera-se com a autorização de Silva Resende,
presidente da FPF, que negou tudo. Na sequência do caso, o secretário-geral
apresentou a demissão.
Inicialmente o Conselho de
Disciplina da FPF não deu provimento à queixa, pelo que os madeirenses
recorreram para o Conselho de Justiça, que lhes deu razão. Em função disso, foi
aplicada uma derrota por 0-3 ao Belenenses.
O Marítimo,
por sua vez, passou a ter 25 pontos, o que lhes permitiu garantir a permanência.
Assim, descia o Salgueiros,
que se sentiu lesado e levou a discussão à Associação Nacional de Clubes,
organismo que rapidamente impôs um alargamento do campeonato à FPF para que a
decisão não prejudicasse terceiros. Após vários avanços e recuos
entre junho e agosto de 1987, lá se decidiu a permanência de Salgueiros,
Farense
e O
Elvas, que tinham terminado em zona de despromoção, e do Rio
Ave, que havia acabado o campeonato em zona de liguilha. E para que a I
Divisão não tivesse um número ímpar de participantes, uma vez que Sp.
Covilhã, Vitória
de Setúbal e Sp.
Espinho haviam garantido a promoção, também o Penafiel
foi repescado, por ter sido o segundo classificado da liguilha. E assim o primeiro
escalão passou de 16 para 20 equipas.
Já Mapuata mudou-se no verão de
1988 para o futebol suíço, onde representou Bellinzona e uma pancada na cabeça
lhe precipitou o final da carreira. Após pendurar as botas radicou-se
em França, onde se tornou diretor comercial de uma empresa de telecomunicações
na cidade de Lyon.
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