sexta-feira, 6 de março de 2026

Hoje faz anos o brasileiro que jogou pelo Belenenses e pela seleção… espanhola. Quem se lembra de Catanha?

Catanha teve duas passagens pelo Belenenses e jogou por Espanha
O protagonista de uma história de subida a pulso na carreira e também de uma improvável naturalização. Chegou ao Belenenses após passar apenas por modestos clubes brasileiros, destacou-se e seguiu para Espanha. Continuou a evoluir até se tornar opção para la roja.
 
Henrique Guedes da Silva, conhecido no mundo do futebol por Catanha, nasceu a 6 de março de 1972 em Recife, maior cidade do estado brasileiro de Pernambuco. No país de nascimento vestiu as camisolas de São Cristóvão, União São João, CSA e Paysandu, tendo chegado a Portugal no início de 1996.
 
Em meia época apontou cinco golos em 14 jogos, ajudando os azuis do Restelo a alcançar um honroso sexto lugar na I Liga. “Cheguei aos 23 anos, depois de receber uma proposta do empresário Rogério Lopes, pois o treinador da equipa, João Alves, precisava de um avançado. Inicialmente, seria um período de testes de uma semana, mas, passados ​​três dias, o treinador disse-me que ficaria. A adaptação foi maravilhosa. Senti-me parte da equipa com muita facilidade”, recordou ao portal Fútbol Portugués desde España em maio de 2020.
 
   
 
No começo da temporada seguinte, o treinador João Alves mudou-se para o Salamanca e reforçou-se no mercado português com cerca de uma dezena de jogadores, entre os quais Ivkovic, Taira, César Brito, Giovanella e… Catanha, que o acompanharam desde Belém.
 
 
Curiosamente, o atacante brasileiro até teve um impacto pouco significativo na subida à I Liga Espanhola em 1997, tendo anotado apenas um golo em 14 jogos. Por isso, continuou no segundo escalão, emprestado ao Leganés, desatando a faturar, tendo somado 14 remates certeiros na II Liga espanhola em 1997-98.
 
 
 
No verão de 1998 deu o salto para o Málaga e reforçou a veia goleadora, com 26 golos que fizeram dele o melhor marcador da II Liga Espanhola e que ajudaram os andaluzes a sagrarem-se campeões do segundo escalão logo na época de estreia.
 
 
Somente em 1999-00 debutou em La Liga, mas deixou a sua marca, terminando o campeonato como segundo melhor marcador, com 24 golos, tendo sido apenas superado por Salva, do Racing Santander (27). Marcou tanto quanto Jimmy Floyd Hasselbaink (Atlético Madrid) e superou Roy Makaay (Deportivo), Savo Milosevic (Saragoça), Diego Tristán (Maiorca), Raúl (Real Madrid) e Patrick Kluivert (Barcelona).
 
   
 
No verão de 2000 transferiu-se, por 14,42 milhões de euros, para o Celta de Vigo, na altura um cliente assíduo das provas europeias, e em outubro do mesmo ano estreou-se pela… seleção espanhola, a 7 de outubro. Disputou três partidas por la roja, o último dos quais a 15 de novembro, numa altura em que se jogava a fase de qualificação para o Mundial 2002.
 
Rapidamente desapareceu das contas do selecionador José Antonio Camacho, mas não por falta de desempenhos convincentes ao serviço do novo clube, tendo superado as duas dezenas de golos em todas as provas (21) em 2000-01, época em que os galegos ficaram em sexto lugar no campeonato e atingiram a final da Taça do Rei e os quartos de final da Taça UEFA.
 
Na temporada seguinte apresentou números parecidos (19), tendo atuado em cerca de menos uma dezena de encontros, ajudando o Celta a fechar o top5 de La Liga.
 
Em 2002-03 perdeu fulgor e protagonismo, não indo além de cinco remates certeiros, mas coletivamente viveu uma época inesquecível, com o apuramento para a Liga dos Campeões. Na época seguinte jogou na Champions, no canto do cisne da sua aventura de três anos e meio em Vigo, marcada por uma cada vez menor utilização e por uma impensável despromoção à II Liga.
 
 
No primeiro semestre de 2004 representou os russos do Krylya Sovetov e, após meio ano sem jogar, voltou ao Belenenses na segunda metade da temporada de 2004-05, mas não foi além de um golo ao Sp. Pombal, para a Taça de Portugal, em dez jogos disputados. “Eu estava a passar por um momento muito difícil. Estava deprimido (…). Estava em Málaga e queria voltar a jogar. Encontrei um grupo que misturava a experiência com a juventude. Os jogadores queriam aprender, crescer. Joguei ao lado de tipos como o Eliseu e o Rolando, por exemplo, que estavam a começar. O Carlos Carvalhal era o nosso treinador e sabia muito bem como nos gerir”, lembrou.
 
Nos derradeiros meses de 2005 ainda representou um clube importante, o Atlético Mineiro, mas a partir de então foi prosseguindo a carreira nas divisões secundárias de Espanha e do Brasil, tendo chegado a partilhar o balneário com o filho Pedro, até pendurar as botas em 2017, aos 45 anos.
 
 
Desde então que tem trabalhado como treinador ou diretor desportivo. Recentemente assinou pelo Conquense, da Segunda Federación (quarto escalão do futebol espanhol), a poucos dias de comemorar o 54.º aniversário. 







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