Foi um médio defensivo
internacional inglês que disputou mais de 150 jogos tanto pelo Arsenal
como pelo Liverpool,
mas quando chegou ao Benfica,
aos 31 anos, não deu conta do recado no meio-campo, motivando vaias dos adeptos
e críticas na comunicação social. O treinador Graeme
Souness saiu em defesa dele, considerando-o um jogador com “big balls”,
imune à pressão, mas… acabou por tirá-lo da equipa.
Nascido a 24 de agosto de 1967 em
Lambeth, na área metropolitana de Lisboa, era adepto do Tottenham
durante a infância, mas começou a jogar futebol nas camadas jovens do Arsenal
em 1982. Dois anos depois estreou-se pela
equipa principal dos gunners,
pela qual somou 208 jogos e 30 golos entre 1987 e 1991 – antes de se estrear
oficialmente esteve cedido durante alguns meses ao Portsmouth,
no final de 1986. Ao serviço do emblema
londrino venceu dois campeonatos (1988-89 e 1990-91), uma taça da liga
(1986-87) e uma Charity Shield [equivalente à Supertaça] (1991), tendo recebido
o prémio de melhor jogador da equipa em 1987-88 e marcado no jogo do título na
época seguinte.
Paralelamente começou a ser
chamado por Bobby
Robson para os trabalhos da seleção
principal de Inglaterra, depois de ter percorrido praticamente todas as
seleções jovens – participou no Mundial sub-20 em 1985 e no Europeu de sub-21
em 1988. Estreou-se pelos three
lions em novembro de 1988, num empate com a Arábia Saudita em Riade
(1-1), tendo jogado novamente em dezembro do ano seguinte, num triunfo sobre a Jugoslávia
(2-1). Ainda foi chamado para um particular com o Brasil
em março de 1990, mas não foi utilizado e acabou por falhar a convocatória para
o Campeonato do Mundo desse ano, disputado em Itália. No entanto, tudo começou a mudar
na época 1991-92. Perdeu espaço para David Rocastle (médio ofensivo/extremo
adaptado a médio centro após recuperar de problemas físicos) e para o mais
defensivo David Hillier, criticou publicamente o treinador George Graham em
declarações ao Daily Mirror e viu a saída do clube tornar-se inevitável.
Ainda assim, em
junho de 2008 foi considerado o 37.º melhor jogador da história do Arsenal numa
votação online no site do clube. Apesar de toda turbulência, a
solução encontrada para Michael Thomas até foi bastante simpática: uma
transferência para o Liverpool.
Os reds,
então orientados por Graeme
Souness, pagaram 1,5 milhões de libras pelo seu passe a 13 de dezembro de
1991. Mesmo sem ser um titular
indiscutível, foi bastante utilizado durante a meia dúzia de anos que passou em
Anfield: 163 jogos e 12 golos. Não jogou no gigante
de Merseyside numa fase propriamente pujante da história do clube, mas
venceu uma Taça de Inglaterra (1991-92, tendo marcado na final), foi finalista
vencido noutra edição (1995-96) e conquistou uma Taça da Liga (1994-95). E em
2006 foi considerado o 83.º na seleção 100 Players Who Shook The Kop
[100 jogadores que chocaram o Kop, bancada mítica de Anfield].
Na viragem de 1997 para 1998
esteve perto de reforçar o Coventry City, mas acabou por ser emprestado ao Middlesbrough
em fevereiro, tendo atuado em dez jogos no Championship antes de regressar ao Liverpool
na reta final da temporada. No verão de 1998 despediu-se dos reds
e assinou a custo zero pelo Benfica,
então comandado por Souness,
que tão bem o conhecia. Como era expectável, começou por ser aposta, resistindo
no onze encarnado apesar das vaias dos adeptos e das críticas na comunicação
social. Face à contestação, o treinador
escocês disse que Michael Thomas era imune à pressão, chegando a dizer que
o seu jogador tinha “big balls”. Porém, acabou por tirá-lo da equipa
após uma derrota pesada às mãos do Boavista
na Luz
(0-3), a 14 de março de 1999, quando o internacional inglês já levava 25 jogos
(e um golo) e águia ao peito.
Com mais um ano de contrato,
passou a temporada 1999-00 na equipa B, tendo chegado a jogar na II Divisão B
portuguesa e a ter salários em atraso. “Foi uma má altura da minha vida. No
final da primeira época, acabei por perder o apoio dos adeptos e o presidente
proibiu-me de jogar na equipa. Ainda tinha um ano de contrato e não podia ir-me
embora porque estaria a quebrar o contrato. Tive de treinar todos os dias na
segunda época com miúdos. Foi difícil. Na primeira época, Souness
era o treinador e, na segunda, Jupp
Heynckes. Quando Heynckes
chegou, disse que me queria meter a jogar. Deve ter havido muita pressão do
presidente para que eu deixasse de jogar, porque não me fez jogar”, afirmou,
numa entrevista a um portal
de adeptos do Liverpool. Após dois anos em Lisboa,
regressou a Inglaterra para assinar pelo Wimbledon, então no Championship, no
verão de 2000, tendo atuado em nove jogos pelo emblema londrino antes de
pendurar as botas no final da época 2000-01. Após pendurar as botas, Michael
Thomas foi viver para Liverpool, criou a sua própria empresa de segurança e
passou a jogar pela equipa de lendas do Liverpool.
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