quarta-feira, 5 de agosto de 2026

A lenda indiana que passou discreta pelo Sporting. Quem se lembra de Sunil Chhetri?

Sunil Chhetri disputou três jogos pelo Sporting B em 2012-13
O melhor marcador e o jogador com mais internacionalizações de sempre da seleção indiana e também o goleador-mor da história da Super Liga Indiana. Registos notáveis, mas super insignificantes à escala europeia, uma vez que não teve capacidade para se impor sequer na equipa B do Sporting.
 
Nascido a 3 de agosto de 1984 na cidade de Secunderabad, no sul da Índia, começou a carreira profissional em 2002 ao serviço do Mohun Bagan, de onde se mudou para o JCT em 2005, precisamente na mesma altura em que somou a primeira internacionalização e o primeiro golo pela seleção nacional indiana.
 
Ao serviço do JCT começou a estabelecer-se como um jogador de topo no panorama do seu país, ao ponto de ter vencido pela primeira vez, em 2007, o prémio de melhor jogador a atuar na Índia, uma distinção que voltaria a ganhar em 2011, 2013, 2014, 2017, 2018-19 e 2021-22.
 
Em 2008 ajudou a Índia a vencer a AFC Challenge Cup, uma espécie de Campeonato Asiático para seleções de segunda linha do continente, e transferiu-se para o East Bengal, tendo ainda despertado o interesse de emblemas estrangeiros.
 
 
Foi apontado aos ingleses do Leeds United (então na League One, terceiro escalão) e aos norte-americanos do Los Angeles Galaxy e do D.C. United, mas optou por treinar à experiência no Coventry City, do Championship, também de Inglaterra, no final de janeiro de 2009. Porém, o clube rapidamente percebeu que as qualidades do atleta eram insuficientes para vingar no plantel. Também o Estoril, então na II Liga, lhe chegou a apresentar uma proposta no verão de 2008, depois de o ter visto a brilhar em jogos da seleção indiana frente a uma seleção de Gouveia (sim, leu bem!) em Gouveia, mas o atacante rejeitou a ideia.
 
Depois de uma passagem pelo Dempo, que lhe permitiu sagrar-se campeão indiano pela primeira vez (em 2009-10), foi apontado ao Celtic e chegou a assinar um contrato de três anos com os ingleses do Queens Park Rangers, do Championship, mas o governo britânico não lhe concedeu licença de trabalho, algo só permitido nessa altura a jogadores internacionais por seleções do top 70 do ranking FIFA. Pelo meio foi considerado pela primeira vez, em 2009, o melhor jogador indiano, galardão que voltaria a receber em 2018, 2019 e 2020.
 
A mudança para o estrangeiro concretizou-se finalmente em março de 2010, quando Sunil Chhetri esteve à experiência nos norte-americanos do Kansas City Wizards, convenceu e assinou contrato. O treinador Peter Vermes considerou-o um jogador “habilidoso” e “tecnicista”, mas a verdade é que o avançado indiano nem chegou a estrear-se na Major League Soccer (MLS), tendo apenas atuado num encontro da taça [U.S. Open Cup] e em jogos particulares e da equipa de reservas.
 
 
No início de 2011 estreou-se na maior competição de seleções da Ásia, a Taça Asiática, tendo apontado dois golos em três jogos numa campanha na qual a Índia não passou da fase de grupos.
 
 
 
Depois voltou ao futebol indiano para representar o Chirag United e o Mohun Bagan antes de assinar pelo Sporting no verão de 2012, no âmbito de uma parceria com a empresa Football One, durante a presidência de Godinho Lopes, com o objetivo de fazer os leões lançarem a sua marca no emergente mercado indiano.
 
Mas Sunil Chhetri, já na altura capitão da seleção Indiana, sabia que ia integrar a equipa B dos verde e brancos. E nem lá se afirmou. Ricardo Sá Pinto, às ordens de quem chegou a trabalhar uma semana no plantel principal, foi bem direto. “Ele disse-me: 'tu não és suficientemente bom, por isso vais para a equipa B'. E ele tinha razão. O ritmo na equipa A era muito rápido para mim, tendo em conta aquilo a que estava habituado nas ligas indianas”, admitiu em abril de 2020, em declarações ao site da Super Liga Indiana.
 
 
“Para meu azar a equipa B era ainda melhor do que a A. Bruma, Eric Dier e João Mário, por exemplo, jogavam lá. Eu tinha 28 anos e eles 18, 19, 20. E aí pensei: 'eu preciso de jogar'. Fiz três jogos e não marquei nenhum golo. Havia uma cláusula de rescisão de quatro ou cinco milhões de euros, mas disse ao treinador que queria voltar para a Índia, pois ninguém pagaria esse valor. Pedi que me deixassem sair e eles foram muito porreiros comigo”, acrescentou.
 
Em fevereiro de 2013 regressou à Índia após ter contabilizado apenas 43 minutos em campo, sempre na condição de suplente utilizado. E é no seu país que tem jogado desde então, com sucesso.
 
Sagrou-se campeão indiano pelos Churchill Brothers em 2012-13 e em 2013-14, 2015-16 e 2018-19 pelo Bengaluru, ao serviço do qual também venceu duas taças (2014-15 e 2016-17) e uma supertaça (2018) e foi finalista da AFC Champions League Two [equivalente à Liga Europa] em 2016.
 
 
Ao serviço da seleção indiana, pela qual somou 157 internacionalizações e 95 golos – é o quarto jogador com mais golos por uma seleção em toda a história, apenas atrás do português Cristiano Ronaldo (146), do argentino Lionel Messi (125) e do iraniano Ali Daei (108) –, venceu o Campeonato do Sul Asiático em 2011, 2015, 2021 e 2023 e voltou a marcar presença na Taça Asiática em 2019 e 2023, sempre sem conseguir superar a fase de grupos.
 
Tem 42 anos, mas ainda não anunciou o final da carreira. Apenas confirmou, em 2025, que não voltaria a jogar pela sua seleção.
 
 






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