A lenda indiana que passou discreta pelo Sporting. Quem se lembra de Sunil Chhetri?
Sunil Chhetri disputou três jogos pelo Sporting B em 2012-13
O melhor marcador e o jogador com
mais internacionalizações de sempre da seleção indiana e também o goleador-mor
da história da Super
Liga Indiana. Registos notáveis, mas super insignificantes à escala
europeia, uma vez que não teve capacidade para se impor sequer na equipa B do Sporting.
Nascido a 3 de agosto de 1984 na
cidade de Secunderabad, no sul da Índia, começou a carreira profissional em
2002 ao serviço do Mohun Bagan, de onde se mudou para o JCT em 2005,
precisamente na mesma altura em que somou a primeira internacionalização e o
primeiro golo pela seleção nacional indiana. Ao serviço do JCT começou a
estabelecer-se como um jogador de topo no panorama do seu país, ao ponto de ter
vencido pela primeira vez, em 2007, o prémio de melhor jogador a atuar na Índia,
uma distinção que voltaria a ganhar em 2011, 2013, 2014, 2017, 2018-19 e
2021-22. Em 2008 ajudou a Índia a vencer a
AFC Challenge Cup, uma espécie de Campeonato Asiático para seleções de segunda
linha do continente, e transferiu-se para o East Bengal, tendo ainda despertado
o interesse de emblemas estrangeiros.
Foi apontado aos ingleses do
Leeds United (então na League One, terceiro escalão) e aos norte-americanos do
Los Angeles Galaxy e do D.C. United, mas optou por treinar à experiência no Coventry
City, do Championship, também de Inglaterra, no final de janeiro de 2009.
Porém, o clube rapidamente percebeu que as qualidades do atleta eram
insuficientes para vingar no plantel. Também o Estoril,
então na II
Liga, lhe chegou a apresentar uma proposta no verão de 2008, depois de o ter
visto a brilhar em jogos da seleção indiana frente a uma seleção de Gouveia
(sim, leu bem!) em Gouveia, mas o atacante rejeitou a ideia. Depois de uma passagem pelo
Dempo, que lhe permitiu sagrar-se campeão indiano pela primeira vez (em
2009-10), foi apontado ao Celtic
e chegou a assinar um contrato de três anos com os ingleses do Queens Park
Rangers, do Championship, mas o governo britânico não lhe concedeu licença de
trabalho, algo só permitido nessa altura a jogadores internacionais por
seleções do top 70 do ranking FIFA. Pelo meio foi considerado pela primeira
vez, em 2009, o melhor jogador indiano, galardão que voltaria a receber em
2018, 2019 e 2020. A mudança para o estrangeiro
concretizou-se finalmente em março de 2010, quando Sunil Chhetri esteve à
experiência nos norte-americanos do Kansas City Wizards, convenceu e assinou
contrato. O treinador Peter Vermes considerou-o um jogador “habilidoso” e “tecnicista”,
mas a verdade é que o avançado indiano nem chegou a estrear-se na Major League Soccer (MLS), tendo apenas atuado num encontro da taça [U.S. Open Cup] e em jogos
particulares e da equipa de reservas.
No início de 2011 estreou-se na
maior competição de seleções da Ásia, a Taça Asiática, tendo apontado dois
golos em três jogos numa campanha na qual a Índia não passou da fase de grupos.
Depois voltou ao futebol indiano
para representar o Chirag United e o Mohun Bagan antes de assinar pelo Sporting
no verão de 2012, no âmbito de uma parceria com a empresa Football One, durante
a presidência de Godinho Lopes, com o objetivo de fazer os leões
lançarem a sua marca no emergente mercado indiano. Mas Sunil Chhetri, já na altura capitão
da seleção Indiana, sabia que ia integrar a equipa B dos verde
e brancos. E nem lá se afirmou. Ricardo
Sá Pinto, às ordens de quem chegou a trabalhar uma semana no plantel
principal, foi bem direto. “Ele disse-me: 'tu não és suficientemente bom, por
isso vais para a equipa B'. E ele tinha razão. O ritmo na equipa A era muito
rápido para mim, tendo em conta aquilo a que estava habituado nas ligas
indianas”, admitiu em abril de 2020, em declarações ao site da Super
Liga Indiana.
“Para meu azar a equipa B era
ainda melhor do que a A. Bruma, Eric
Dier e João
Mário, por exemplo, jogavam lá. Eu tinha 28 anos e eles 18, 19, 20. E aí
pensei: 'eu preciso de jogar'. Fiz três jogos e não marquei nenhum golo. Havia
uma cláusula de rescisão de quatro ou cinco milhões de euros, mas disse ao
treinador que queria voltar para a Índia, pois ninguém pagaria esse valor. Pedi
que me deixassem sair e eles foram muito porreiros comigo”, acrescentou. Em fevereiro de 2013 regressou à
Índia após ter contabilizado apenas 43 minutos em campo, sempre na condição de
suplente utilizado. E é no seu país que tem jogado desde então, com sucesso. Sagrou-se campeão indiano pelos Churchill
Brothers em 2012-13 e em 2013-14, 2015-16 e 2018-19 pelo Bengaluru, ao serviço
do qual também venceu duas taças (2014-15 e 2016-17) e uma supertaça (2018) e
foi finalista da AFC Champions League Two [equivalente à Liga
Europa] em 2016.
Ao serviço da seleção indiana,
pela qual somou 157 internacionalizações e 95 golos – é o quarto jogador com
mais golos por uma seleção em toda a história, apenas atrás do português Cristiano
Ronaldo (146), do argentino Lionel
Messi (125) e do iraniano Ali Daei (108) –, venceu o Campeonato do Sul
Asiático em 2011, 2015, 2021 e 2023 e voltou a marcar presença na Taça Asiática
em 2019 e 2023, sempre sem conseguir superar a fase de grupos. Tem 42 anos, mas ainda não
anunciou o final da carreira. Apenas confirmou, em 2025, que não voltaria a
jogar pela sua seleção.
Sem comentários:
Enviar um comentário