quarta-feira, 22 de fevereiro de 2023

Recorde os 10 jogos das equipas portuguesas no Giuseppe Meazza frente ao Inter

Giuseppe Meazza é partilhado por Inter e AC Milan
O Giuseppe Meazza é um dos estádios mais míticos da Europa. Pela antiguidade (inaugurado em 1926), lotação (80 mil pessoas) e arquitetura, mas também por ter recebido quatro finais da Taça/Liga dos Campeões Europeus (1965, 1970, 2001 e 2016) e por ser a casa partilhada de dois colossos do futebol italiano e europeu, AC Milan e Inter de Milão.
 
Inicialmente denominado Novo Estádio de Futebol de San Siro, zona de Milão em que está instalado, serviu inicialmente apenas o AC Milan, embora os rossoneri tivessem perdido por 3-6 na inauguração do recinto diante do… Inter, que só em 1947 passou a partilhar o estádio com o rival.
 
Em março de 1980 o estádio passou a chamar-se Giuseppe Meazza, nome de um dos mais famosos futebolistas milaneses de sempre, recém-falecido na altura. Embora Meazza tivesse jogado tanto no Inter como no AC Milan, passou muito mais tempo nos nerazzurri, razão pela qual os adeptos do Inter sejam os que mais vezes chamam ao estádio de Giuseppe Meazza, enquanto os do AC Milan preferem chamá-lo de San Siro.
 
Ao longo de quase um século, o Giuseppe Meazza já recebeu dez visitas de equipas portuguesas em jogos frente ao Inter nas competições europeias. Apenas por uma vez houve um conjunto luso que não saiu derrotado – e não foi nenhum dos chamados três grandes.
 
Vale por isso a pena recordar os 10 jogos de equipas portuguesas diante do Inter no Giuseppe Meazza.
 
27 de maio de 1965 – Final da Taça dos Campeões Europeus
Na primeira vez que o Inter recebeu uma equipa portuguesa no seu estádio – na altura somente com a denominação oficial San Siro –, não jogou oficialmente na condição de visitado, uma vez que defrontou o Benfica na final da Taça dos Campeões Europeus num suposto campo neutro.
Os nerazzurri sagraram-se bicampeões europeus graças a um golo solitário do extremo brasileiro Jair, aos 43 minutos, num lance em que o guarda-redes benfiquista Costa Pereira viu a bola passar-lhe por entre as pernas. “Sem sorte e sem guardião é impossível vencer”, escreveu o Record, na edição de 29 de maio de 1965.
Esta foi a segunda vez que uma equipa jogou no seu estádio na final da Taça/Liga dos Campeões – depois do Real Madrid em 1957 – e a última em que uma equipa ganhou o título europeu na própria casa.
 
 
 
13 de dezembro de 1972 – 2.ª mão dos oitavos de final da Taça UEFA
Nas linhas acima foi referido que apenas uma equipa portuguesa não saiu derrotada pelo Inter em San Siro. O Vitória de Setúbal não foi essa equipa, mas foi a primeira formação lusa a eliminar os nerazzurri nas competições europeias.
Com o conforto de um triunfo por 2-0 no Bonfim, graças a golos de Duda (13 minutos) e Graziano Bini na própria baliza (83’), os sadinos orientados por José Maria Pedroto conseguiram apurar-se para os quartos de final da Taça UEFA devido a uma derrota de apenas 0-1 em Milão. Roberto Boninsegna apontou, de grande penalidade, o único golo do encontro, que se revelou insuficiente para que o conjunto italiano, onde pontificavam nomes como Giacinto Facchetti e Sandro Mazzola, seguisse em frente. O jogo de San Siro foi disputado sob intenso nevoeiro.


 
24 de abril de 1991 – 2.ª mão das meias-finais da Taça UEFA
O Sporting já não era campeão há nove anos, mas estava a protagonizar uma das melhores campanhas europeias da sua história e entrou no Estádio Giuseppe Meazza, depois de um empate a zero em Alvalade, a sonhar na segunda presença em finais das provas da UEFA – a primeira foi em 1964-64, quando conquistou a Taça das Taças.
Comandados por Marinho Peres e com Krasimir Balakov no apoio aos avançados Jorge Cadete e Fernando Gomes, os leões viram o sonho ser-lhes desfeito por dois alemães. Lothar Matthäus abriu o ativo, na execução de uma grande penalidade aos 15 minutos, ao passo que Jürgen Klinsmann fez o 2-0 aos 35. Os nerazzurri eram orientados por Giovanni Trapattoni e viriam a conquistar o Taça UEFA nessa época, ao bater a AS Roma na final.
 
 
 
2 de outubro de 1991 – 2.ª mão da 1.ª eliminatória da Taça UEFA
Em outubro de 1991 o Boavista fez o que mais nenhuma equipa portuguesa conseguiu – sair de uma visita ao Inter com pelo menos um empate. E, no caso dos axadrezados, a igualdade a zero registada no Giuseppe Meazza valeu mesmo o apuramento para a eliminatória seguinte. Foi resistir, resistir e resistir. “Levámos um massacre nessa noite”, assumiu o lateral esquerdo Fernando Mendes ao Maisfutebol.
Na primeira-mão, no Bessa, a turma boavisteira orientada por Manuel José havia vencido por 2-1, com golos de Marlon Brandão (37 minutos) e Pedro Barny (35’) contra um de Davide Fontolan para os nerazzurri, que tinham o estatuto de detentor do troféu e continuavam a contar nas suas fileiras com os alemães Andreas Brehme. Lothar Matthäus e Jürgen Klinsmann.
 
 
 
19 de novembro de 1996 – 1.ª mão dos oitavos de final da Taça UEFA
Se o Inter poderá ter subestimado o valor do Boavista em 1991, cinco anos depois não brincou em serviço e resolveu a eliminatória logo na primeira-mão, no Giuseppe Meazza. A equipa de Roy Hodgson foi para intervalo a ganhar por 3-0 à de Mário Reis e fechou as contas com um 5-1. Ciriaco Sforza (6 e 58 minutos), Nelo na própria baliza (13’) e Maurizio Ganz (22’ e 65’) marcaram para os nerazzurri, que tinham ainda jogadores como Javier Zanetti, Aaron Winter e Iván Zamorano, enquanto Jimmy Hasselbaink apontou o golo solitário dos axadrezados (61’).
No jogo do Bessa, o conjunto italiano voltou a impor-se, tendo vencido por 2-0, graças a golos de Youri Djorkaeff (12’, de grande penalidade) e Paul Ince (66’).
 
 
 
28 de agosto de 2002 – 3.ª pré-eliminatória de acesso à fase de grupos da Liga dos Campeões
Pela primeira vez na história, o campeão português foi obrigado a disputar uma pré-eliminatória para aceder à fase de grupos da Liga dos Campeões. E era difícil o sorteio ter sido menos simpático para com o Sporting, que foi colocado no caminho do Inter.
Na primeira-mão, em Alvalade, os leões de Laszlo Bölöni deram uma grande réplica e estiveram por várias vezes perto de marcar, mas sentiram a falta dos dois principais craques da equipa, João Vieira Pinto (castigado após soco no árbitro do Portugal-Coreia do Sul do Mundial 2002) e Mário Jardel (não se apresentou para fazer a pré-época). Essa partida ficou ainda marcada pela estreia oficial de Cristiano Ronaldo na equipa principal dos verde e brancos.
No jogo do Giuseppe Meazza, um Inter comandado por Héctor Cúper e com um plantel recheado de craques como Francesco Toldo, Javier Zanetti, Christian Vieri, Álvaro Recoba, Fabio Cannavaro e Sérgio Conceição impôs a lei do mais forte, vencendo por 2-0 - curiosamente o mesmo resultado registado onze anos e meio antes, nas meias-finais da Taça UEFA. Luigi Di Biagio (31 minutos) e Recoba (44’) foram os autores dos golos, obtidos ainda na primeira parte.
 
 
 
 
25 de março de 2004 – 2.ª mão dos oitavos de final da Taça UEFA
Depois de dois anos sem participar nas competições europeias, o Benfica de José Antonio Camacho viu a Lazio negar-lhe o sonho de voltar à Liga dos Campeões, mas conseguiu chegar aos oitavos de final da Taça UEFA, etapa em que encontrou pela frente o Inter, que era orientado por Alberto Zaccheroni.
Na primeira-mão, na Luz, registou-se um empate a zero, o que deixou tudo em aberto para o encontro do Giuseppe Meazza. As águias até estiveram a vencer, graças a um golo de Nuno Gomes aos 36 minutos, e foram para intervalo em vantagem na eliminatória, apesar de Obafemi Martins já ter empatado para os nerazzurri (45+1’). No segundo tempo o conjunto italiano marcou por mais três vezes, por intermédio de Álvaro Recoba (60’), Christian Vieri (64’) e Martins (70’) e colocou-se numa situação vantajosa, mas os encarnados deram grande réplica e mantiveram as aspirações vivas até ao apito final, devido aos golos de Nuno Gomes (67’) e Tiago (77’).
“Marcar três golos em San Siro e ser eliminado! Aconteceu ao Benfica, numa noite frenética, com uma segunda parte alucinante face ao número de tentos obtidos (cinco) em reduzido espaço de tempo (entre os 60 e os 76'). A turma da Luz podia ter feito história, em especial se olharmos ao modo como se desenrolou a primeira metade, período em que o Inter passou por situações de total desnorte, tal a forma como o Benfica se organizou e logrou assumir as rédeas da partida. A entrada de Recoba, porém, tudo modificou”, escreveu o Record, referindo-se ao talentoso atacante uruguaio que assinou um golo e duas assistências no encontro.
 
 
 
15 de março de 2005 – 2.ª mão dos oitavos de final da Taça UEFA
Pela primeira vez na história, Inter e FC Porto, que na altura eram ambos campeões europeus por duas vezes, mediram forças em jogos oficiais. Na primeira-mão dos oitavos de final, no Dragão, os portistas conseguiram deixar a eliminatória em aberto, apesar de um 1-1 desfavorável, que colocava o conjunto italiano em vantagem devido à regra dos golos fora. Martins (outra vez ele!) inaugurou o marcador aos 24 minutos, mas a igualdade foi reposta à passagem por hora de jogo, por Ricardo Costa.
No Giuseppe Meazza, o FC Porto, que era campeão europeu em título, estava obrigado a vencer ou pelo menos a empatar a dois ou mais golos, algo que nenhuma equipa portuguesa conseguiu no mítico palco milanês, mas desde cedo o endiabrado Adriano mostrou que não estava para aí virado. Conhecido por o “Imperador”, o avançado brasileiro apontou um hat trick (6, 63 e 87 minutos), ao passo que Jorge Costa reduziu para os dragões (69’).
“O Inter de Milão justificou, sem dúvida, a passagem aos quartos-de-final da Liga dos Campeões. Para essa situação muito contribuiu a ação de Adriano – um predestinado. A equipa italiana marcou pontos de qualidade quando o brasileiro respondeu à chamada, e respondeu sempre nos momentos certos e com a precisão de um relógio suíço. Adriano fez os golos (todos com o pé esquerdo) que liquidaram o campeão europeu. Foi muito jogo para um homem só... restou ao campeão europeu a consolação de ter andado nalguns momentos de cabeça erguida”, pode ler-se na crónica do Record.
 
 
 
1 de novembro de 2005 – 4.ª jornada da fase de grupos da Liga dos Campeões
Inter e FC Porto voltaram a defrontar-se mais de meio ano depois, desta feita para a fase de grupos da Champions. À entrada para visita ao Giuseppe Meazza, numa partida da 4.ª jornada que decorreu à porta fechada, os dragões somavam apenas três pontos – obtidos precisamente numa vitória sobre os nerazzurri no Dragão (2-0), depois de derrotas às mãos de Rangers (2-3) e Artmedia Bratislava (2-3). Já o conjunto italiano, comandado por Roberto Mancini, levava seis pontos, fruto de triunfos sobre Artmedia (1-0) e Rangers (1-0). Estava, por isso, tudo em aberto.
O FC Porto até começou melhor, colocando-se em vantagem logo aos 15 minutos, através de um golo fantástico de Hugo Almeida na execução de um livre direto. O 1-0 havia de perdurar até ao último quarto de hora da segunda parte, fase do jogo em que o recém-entrado avançado argentino Julio Cruz bisou (74’, de grande penalidade, e 82’).
“É uma expressão estafada, mas que serve: Adriaanse entregou o ouro ao bandido. O treinador do FC Porto, que tanto defende o futebol de ataque, teve um ataque de medo, quis defender a vantagem mínima com três centrais e o Inter – longe de ser uma equipa em estado de graça – aproveitou a deixa para ir lá à frente marcar 2 golos, mais fruto do contexto que propriamente resultado de movimentos coordenados. San Siro não foi ontem o inferno que tem fama de ser – o público ficou de fora, só 300 convidados dos dois clubes se fizeram ouvir num estádio onde cabem 86 mil pessoas – e foi neste cenário estranho e asséptico que o jogo se desenrolou. Sem estímulos da bancada, acabaria por vir do banco a chave para uma partida que o FC Porto fechou demasiado cedo”, escreveu o Record.
 
 
 
22 de novembro de 2006 – 5.ª jornada da fase de grupos da Liga dos Campeões
Pela quinta temporada consecutiva, o Inter colocou-se no caminho de uma equipa portuguesa.
Na jornada inaugural da fase de grupos, o Sporting de Paulo Bento bateu o Inter por 1-0, graças a um grande golo de Marco Caneira, na estreia do novo Estádio José Alvalade na Liga dos Campeões, no regresso dos leões à prova após seis anos de ausência. Curiosamente, as duas equipas tinham empatado a zero, no mesmo palco, um mês antes, no jogo de apresentação dos verde e brancos.
O Inter de Roberto Mancini, que tinha um plantel recheado de estrelas como Júlio César, Maicon, Javier Zanetti, Marco Materazzi, Patrick Vieira, Zlatan Ibrahimovic, Estebán Cambiasso, Luís Figo, Adriano, Hernán Crespo e Dejan Stankovic, entre outros, até perdeu o encontro seguinte, na receção ao Bayern Munique (0-2), colocando-se numa posição difícil para conseguir o apuramento.
No entanto, os nerazzurri venceram o Spartak Moscovo nos dois jogos que se seguiram e entraram para a partida diante do Sporting no Giuseppe Meazza com mais dois pontos que a formação leonina, que havia empatado na Rússia (1-1) e em Munique (0-0) e perdido em Alvalade diante do Bayern (0-1).
Uma vitória em Milão dava à equipa de Mancini o apuramento para os oitavos de final e foi mesmo isso que aconteceu. Hernán Crespo, aos 36 minutos, apontou o golo solitário do encontro. No banco, um dos mais efusivos nos festejos do golo do avançado argentino foi Luís Figo, jogador formado no Sporting e sportinguista assumido.
 








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