Hoje faz anos o melhor marcador da II Liga em épocas seguidas pelo Varzim. Quem se lembra de Marcão?
Marcão brilhou com as camisolas de Belenenses e Varzim
Ser melhor marcador da II
Liga em épocas consecutivas? É um feito raro e até estranho, porque ser o
goleador-mor do segundo
escalão aparenta implicar um consequente salto na carreira, mas foi
conseguido por três jogadores. O primeiro foi o nigeriano Rashidi Yekini, em
1991-92 e 1992-93 pelo Vitória
de Setúbal. O último foi Joeano, em 2011-12 e 2012-13 pelo Arouca.
E pelo meio houve Marcão, artilheiro da prova pelo Varzim
em 1998-99 e 1999-00. Mas, ao contrário dos antigos avançados dos sadinos
e dos arouquenses,
esta velha glória dos poveiros
nunca conseguiu juntar uma subida de divisão ao primeiro lugar na tabela de
marcadores.
Possante (1,82 m) e oportunista
avançado nascido a 16 de março de 1969 em São Paulo, e que no Brasil
representou clubes como Ponte
Preta, Goiás
ou Grêmio,
sem se destacar muito, passou também pelos japoneses do Shimizu S-Pulse antes
de se mudar para Portugal no início da temporada 1995-96, inicialmente para
representar o Penafiel,
então na II
Liga. Nas duas épocas em que jogou
pelos durienses
conseguiu atingir a fasquia da dezena de golos em ambas, tendo repetido a
façanha em 1997-98, quando vestiu a camisola do Gil
Vicente, também no segundo
escalão.
Seguiu-se a explosão no Varzim.
Na primeira temporada na Póvoa sagrou-se melhor marcador da II
Liga, com 23 golos; e em 1999-00 voltou a ser o goleador-mor da prova, com
28 remates certeiros, o último dos quais na dramática última jornada, na qual
os poveiros
foram ultrapassados pelo Desp.
Aves, que assegurou o terceiro lugar e a consequente promoção à I
Liga.
O salto para a I
Liga tornou-se inevitável, apesar de já ter 31 anos. Acabou por ser o Belenenses,
orientado pelo compatriota Marinho
Peres, a recebê-lo. Embora só tivesse conquistado a titularidade à quinta
jornada, foi a tempo de se tornar no melhor marcador da equipa, fechando a
primeira época no Restelo com 14 golos em todas as competições, dos quais 13 no
campeonato, que os azuis
acabaram no 7.º lugar. Chegou até a ser (exageradamente) apelidado pela
imprensa desportiva de “Matateu brasileiro”.
Em 2001-02 começou bem, mas foi
perdendo algum gás, tendo fechado a temporada com dez golos (oito no campeonato
e dois na Taça
de Portugal), numa temporada em que o emblema
da Cruz de Cristo terminou a I
Liga na quinta posição.
Em final de contrato e sem sentir
grandes interesse na sua continuidade por parte dos dirigentes do Belenenses,
decidiu regressar ao Varzim
no verão de 2002, mas confirmou a teoria de que não se deve voltar onde se foi
feliz: em 2002-03 não foi além de um
golo pelos poveiros
e mostrou-se impotente para impedir a despromoção à II
Liga. Depois pendurou as botas, aos 34
anos.
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