sexta-feira, 5 de junho de 2026

Uma noite de celebração do wrestling enquanto cultura pop

Cody ergueu a bandeira portuguesa no MEO Arena
3 de junho de 2026. O dia e sobretudo a noite em que Portugal celebrou o wrestling enquanto parte integrante da cultura pop. Camisolas alusivas ao deporto de entretenimento que tanto amamos – diria que as de John Cena e CM Punk estavam em maioria – coloriram o Centro Comercial Vasco da Gama à tarde e a MEO Arena à noite. Cantaram-se as theme songs dos lutadores, apoiaram-se os babyfaces, vaiaram-se os heels e aplaudiram-se os golpes espetaculares.
 
Quantos de nós somos, nos nossos grupos de amigos, na nossa família ou no trabalho, somos dos poucos ou até mesmo os únicos a gostar de wrestling? Quantos de nós sentimos a nossa paixão tantas vezes incompreendida? Ali, no Parque das Nações, na quarta-feira, sentimo-nos em casa. Como disse Lilian Garcia no início do espetáculo: “Lisbon is the place to be tonight!
 
A festa começou a fazer-se ao início da tarde. Quando cheguei, reparei que a entrada do Hotel Tivoli estava repleta de fãs ansiosos pela possibilidade de tirar uma fotografia ou tocar em estrelas que tanto admiramos, mas que, no que toca aos fãs portugueses, nos últimos nove anos andavam somente remetidas aos nossos ecrãs. Ainda me cheguei a juntar por uns breves minutos, mas fui alertado que Trick Williams estava à entrada do Vasco da Gama para esse efeito e dirigi-me rapidamente para lá.
 
Eu, o meu filho e Trick Williams
Que momento! Ainda na sexta-feira à noite o estava a ver no SmackDown através da Netflix e, juntamente com o meu filho, a entoar o cântico “Whoop that Trick”. Cinco dias depois, não só estávamos os dois a tirar fotografias com ele como o Trick perguntou o nome à minha criança e nos disse “Nice to meet you”. Suspeito que, daqui a uns anos, se o atual campeão dos Estados Unidos confirmar que toda esta aura não é coisa passageira e se tornar numa estrela de topo da WWE, este momento ainda se tornará mais valioso nas nossas memórias.
 
As horas que antecederam o espetáculo foram também horas de rever pessoas que o wrestling me colocou no caminho e que já não via há algum tempo, desde um primo que viajou desde Sines à “Nossa Lenda Viva”, Tony de Portugal. Aquele ambiente pré-show nas imediações da MEO Arena foi de confraternização, convívio e diversão, sem confusões.
 
Sou suspeito para o dizer, posso ser acusado de puxar a brasa à minha sardinha, mas as pessoas que gostam de wrestling não são, de uma forma geral, pessoas com comportamentos mais agressivos ou violentos. Embora o wrestling seja um conteúdo violento, acreditem no que vos digo: ir hoje em dia ao futebol é vivenciar um ambiente bem mais agressivo e tenso no que num show de wrestling.
 
Quanto aos combates, quem já experienciou estes house shows da WWE sabe que não vai ver propriamente clássicos. Vai sim assistir a um produto mais virado para a plateia, sem câmaras nem as consequentes amarras da televisão, e com um pouco mais… circense, com mais palhaçada.
 
Por falar em palhaçada, um dos momentos mais altos do show foi a promo de The Miz. Tentou falar português e fez-se perceber bem. Conseguiu contrariar a vontade de um público que parecia estar na disposição de o aplaudir apesar de ser heel, como que reconhecendo a longa carreira, o currículo e os grandes momentos protagonizados por ele. Disse que odiava Portugal, mandou-nos calar a boca e chamou-nos estúpidos. Tudo para ser amaldiçoado e derrotado por um Danhausen que já se vai tornando bastante popular também em Portugal – confesso que não sou muito fã da personagem nem dos conteúdos que produz, por uma mera questão de gosto, mas… ainda bem que não gostamos todos do mesmo.
 
 
Por falar em não gostar, o que me fez sentir um sabor algo agridoce foi a composição do card. Porquê? Porque antes tinha ido espreitar o da noite anterior, na cidade francesa de Estrasburgo, e constatei que houve um copy/paste integral.
 
Dois dias antes do show, no Monday Night Raw, assistimos a dois fatal four way matches a contar para os torneios King e Queen Of The Ring. E se, em vez dos oito que vão haver (quatro em cada torneio) para apurar os semifinalistas, a WWE tivesse distribuído singles matches dos oitavos e/ou quartos de final por house shows? Acrescentaria valor e imprevisibilidade – em vez de vitórias óbvias de babyfaces – de estar a ver algo que impacta o desenrolar da trama. Recordo que, ao longo dos anos, já houve alguns casos de títulos secundários que mudaram de mãos e combates de qualificação para o Royal Rumble em house shows.
 
 
Seja como for, três combates destacaram-se em termos de qualidade: Seth Rollins vs. Bron Breakker; Trick Williams vs. Sami Zayn vs. Carmelo Hayes; e Cody Rhodes vs. Gunther. Diria até que por esta ordem (sentido decrescente). Por outro lado, Damien Priest vs. Solo Sikoa foi o que teve o público mais desinteressado, ao ponto de vários fãs terem aproveitado para ir ao bar ou à zona de venda de merchandising.
 
Se já se esperava que Rollins e Cody estivessem mega estabelecidos, surpreendeu-me a popularidade de LA Knight e sobretudo de Carmelo Hayes, que não está assim há tanto tempo no main roster. Prova de que o público português é leal e já o segue desde o NXT.
 
 
 
 

Resultados:

Charlotte Flair venceu Jacy Jayne (por desqualificação)
Rhea Ripley, Tiffany Stratton e Charlotte Flair venceram Fatal Influence (Jacy Jayne, Fallon Henley e Lainey Reid)
Penta venceu Dominik Mysterio para reter o WWE Intercontinental Championship;
– LA Knight venceu Austin Theory;
– Damian Priest venceu Solo Sikoa;
Seth Rollins venceu Bron Breakker numa Lisboa Street Fight;
– Je’Von Evans venceu Ethan Page;
– Danhausen venceu The Miz;
– Trick Williams venceu Sami Zayn e Carmelo Hayes para reter o WWE United States Championship;
Cody Rhodes venceu Gunther para reter o Undisputed WWE Championship; 




 


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