Hoje faz anos o avançado que os adeptos do Liverpool apelidaram de “Deus”. Quem se lembra de Robbie Fowler?
Fowler marcou 183 golos em 369 jogos pelo Liverpool
Muitos jogadores lendários passaram
pelo Liverpool,
mas poucos terão sido apelidados pelos aficionados adeptos dos reds
de “Deus”. Aconteceu com este goleador formado no clube e que brilhou ao
serviço da equipa principal sobretudo durante a década de 1990.
Robbie Fowler nasceu a 9 de abril
de 1975 em Liverpool e é considerado um dos avançados mais talentosos da sua
geração. Com um instinto goleador fora do comum, era um perigo à solta nas
áreas adversárias, tendo criado uma ligação especial com as bancadas de Anfield. Apesar de ter crescido como
adepto do rival Everton,
fez toda a formação no clube
vermelho de Merseyside, tendo assinado contrato profissional no dia em que
celebrou o 17.º aniversário. Quase um ano e meio depois, já após se ter sagrado
campeão europeu de sub-18 em 1993 e melhor marcador desse torneio, fez a
estreia (a jogar e a marcar) pela equipa principal, num triunfo para a Taça da
Liga inglesa no terreno do Fulham
(3-1). Na segunda-mão dessa eliminatória, fez ainda melhor: faturou todos os
golos da vitória em casa por 5-0.
Aí nasceu uma estrela que durante
o resto da década de 1990 se tornou no principal goleador do Liverpool,
tendo feito parte de uma geração que ficou conhecida como “Spice Boys”,
juntamente com Jamie Redknapp, David James, Neil Ruddock, Steve McManaman e
Jason McAteer. Avançado não muito alto para os
padrões britânicos (1,80 m), mas capaz de marcar golos nas situações mais
improváveis, foi o autor de façanhas como um famoso hat-trick ao Arsenal
em apenas quatro minutos e 33 segundos, um dos mais rápidos da história do Premier
League, a 28 de agosto de 1994.
Quase cinco anos depois, a 3 de
agosto de 1999, protagonizou uma celebração de golo polémica diante do Everton,
ao usar a linha de fundo para simular estar a snifar cocaína, em resposta a
falsas acusações de abuso de drogas por parte dele, o que lhe valeu uma
suspensão por parte da Federação Inglesa (FA).
Embora o colosso
inglês estivesse longe dos tempos áureos, Fowler contribuiu para a conquista
de vários troféus como duas Taças da
Liga (1994-95 e 2000-01), uma Taça de Inglaterra (2000-01), uma Taça
UEFA (2000-01) e uma Supertaça
Europeia (2001). Numa altura em que estava algo
tapado pelo sucesso da dupla composta por Michael Owen e Emile Heskey,
transferiu-se para o Leeds United no final de novembro de 2001 por cerca de
16,8 milhões de euros. Mais tarde, escreveu numa autobiografia que o treinador Gérard
Houllier o forçou a deixar Anfield. Apesar de um bom arranque em Elland
Road, com 12 golos na primeira (meia) época, foi perdendo gás, o que o levou a
mudar-se para um então modesto Manchester City em janeiro de 2003, por cerca de
9,8 milhões de euros.
Ao serviço dos citizens voltou
aos registos positivos, tendo atingido a dezena de golos tanto em 2003-04 como
em 2004-05. Na época que se seguiu enfrentou vários problemas físicos, mas
quatro golos em dois jogos em janeiro de 2006 levaram o Liverpool
a contratá-lo. Essa segunda passagem por Anfield
foi curta, mas ainda assim emocionalmente significativa, culminando na
caminhada até à final da Liga
dos Campeões em 2006-07. Depois despediu-se do clube pelo qual havia
marcado um total de 183 golos em 369 jogos. Em julho de 2007 assinou pelo
Cardiff City, a militar no Championship, ajudando a equipa galesa a atingir a
final da Taça da
Liga inglesa. Ainda voltou a jogar na Premier
League numa curta experiência com a camisola do Blackburn
Rovers em 2008-09 e depois mudou-se para a Austrália, onde representou North
Queensland Thunder e Perth Glory. O último clube da sua carreira foi
o Muangthong United da Tailândia, então comandado por Henrique
Calisto. Após a saída do técnico português, Fowler desempenhou as funções
de jogador-treinador. Paralelamente, teve uma carreira
internacional pautada por alguma discrição. Apontou sete golos em 26 jogos pela
seleção
inglesa e esteve presente nos Europeus de 1996
e 2000
e no Mundial
2002, mas raramente foi protagonista.
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