Hoje faz anos a “unha” sueca do leão de Jorge Gonçalves. Quem se lembra de Eskilsson?
Eskilsson tornou-se internacional A e reforçou o Sporting em 1988
Uma das “unhas” com que o
recém-eleito presidente Jorge Gonçalves reforçou o Sporting
no verão de 1988, um avançado à imagem da perceção que havia acerca dos jogadores
suecos: alto (1,85 m), loiro e… tosco. Foi a grande deceção leonina na
temporada 1988-89 e também não foi propriamente feliz nas passagens que viria a
ter por Sp.
Braga e Estoril.
Hans Eskilsson nasceu a 23 de
janeiro de 1966 em Östersund, no centro da Suécia. Começou por se destacar nas
divisões secundárias do seu país ao serviço do clube local, o IFK Östersund, de
onde saiu em 1985 para o IFK Norrköping, clube pelo qual se estreou no primeiro
escalão sueco. Em 1988 teve um ano em cheio:
vestiu a camisola do Hammarby, estreou-se pela seleção
principal da Suécia, participou em dois jogos na caminhada até aos quartos
de final dos Jogos Olímpicos de Seul e, claro, reforçou o Sporting.
Na única temporada que passou em Alvalade
apontou seis golos em dez jogos. “Nada mau”, pensará quem está a ler este
texto. O problema é que cinco desses remates certeiros foram apontados num só
encontro, uma goleada das antigas ao Alhandra, dos campeonatos distritais, para
a Taça
de Portugal (11-0). Nas outras nove partidas, só faturou por uma vez, num
empate em Viseu com o Académico
(2-2). “Adorei jogar no Sporting,
mas não foi fácil. Chegámos a ter sete meses de salários em atraso. (…) O grupo
era extraordinário e aguentou tudo. Aliás, sempre me fascinou o sentido de
humor dos portugueses. (…) Sabe qual era a nossa forma de luta? Festas nos
balneários. O Carlos Manuel arranjava os bolos e todos os meses assinalávamos a
passagem de mais um salário por receber. Funny, right?”, recordou
ao Maisfutebol
em maio de 2013, analisando o que falhou a nível individual: “O problema é que
eu era um jogador rápido, de contra-ataque. Não era técnico, nem habilidoso. E
o estilo do Sporting
baseava-se no passe curto. Esse tipo de futebol não era bom para mim.” Sem qualquer surpresa, foi
dispensado, mas continuou no futebol português ao serviço do Sp.
Braga. No Minho confirmou a falta de atributos, não indo além de dois golos
em 21 jogos. Após um curto regresso à Suécia
para representar o AIK, voltou a Portugal no verão de 1991 para reforçar o Estoril,
não indo além de cinco jogos e um golo em cerca de quatro meses na Amoreira. Entretanto,
foi passando a ser utilizado regularmente como defesa central, uma mudança de
posição que teve na génese o facto de Fernando
Santos o ter adaptado a médio defensivo. Em 1992 voltou ao Hammarby,
ajudando o clube de Estocolmo a sagrar-se campeão da II Liga sueca em 1993. Permaneceria
no emblema da capital quase ininterruptamente até 2001 – com passagens pelo Vasalunds
e pelos escoceses do Hearts pelo meio –, voltando a contribuir para a conquista
do título do segundo escalão em 1997.
Após pendurar as botas tentou a
sorte como treinador, tendo orientado o Östersunds FK e o Enköpings SK nas
divisões secundárias do futebol sueco. Posteriormente tornou-se jogador de
póquer profissional. É casado com uma antiga
futebolista internacional pela Suécia, Malin Swedberg, e tem dois filhos, entre
os quais Williot Swedberg, que atualmente representa o Celta
de Vigo.
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