Grêmio e Internacional, os dois
clubes de Porto Alegre, são os protagonistas daquele é considerado o maior
clássico do futebol brasileiro e que divide ao meio todo o estado do Rio Grande
do Sul. Embora no Brasil haja 12 clubes grandes, divididos por quatro estados,
nenhuma rivalidade é tão acesa como o Gre-Nal.
Foi essa a conclusão a que têm
chegado meios de comunicação social daquele país e do estrangeiro, como um
inquérito levado a cabo pelo Globoesporte
junto de quase 300 jornalistas de cada um dos 27 estados do Brasil em outubro
de 2016 ou um artigo da revista inglesa Four
Four Two sobre os principais clássicos do futebol mundial em abril desse
ano.
Entre goleadas, decisões
emocionantes do Campeonato Gaúcho e dérbis memoráveis para as competições nacionais,
a rivalidade entre tricolor e colorado vem sendo alimentada por centenas de
encontros desde 1909. Veja aqui a nossa seleção dos dez melhores, por ordem
cronológica.
18 de julho de 1909 – Jogo particular
O primeiro Gre-Nal de sempre, o
primeiro jogo da história do Internacional e a maior goleada de sempre entre os
dois principais clubes de Porto Alegre. De forma amigável, o recém-formado
Internacional convidou o Grêmio para ser o seu primeiro adversário.
No Estádio da Baixada, que
pertencia aos gremistas, o tricolor gaúcho arrasou o vizinho, perante duas mil
pessoas. A Edgar Booth pertenceu não só o pontapé de saída como o primeiro golo
do jogo e da história do clássico, aos 10 minutos. Booth viria a marcar mais
quatro golos, com os restantes a serem marcados por Júlio Grünewald (quatro) e
Moreira.
13 de agosto de 1944 – Campeonato Citadino de Porto Alegre
Conhecido por Gre-Nal da virada,
foi neste jogo que se deu a maior reviravolta da história do clássico, em
partida a contar para a segunda volta do Campeonato Citadino de Porto Alegre.
O Internacional contava com o
famoso Rolo Compressor, apelido dado
ao ataque diabólico composto por Tesourinha, Russinho, Villalba, Rui e Carlitos,
perante um Grêmio que jogava em casa, no Estádio da Baixada, e que vinha de
três derrotas consecutivas no clássico.
Ao intervalo, o tricolor gaúcho perdia por 0-3, com
golos de Elizeu, Rui e Adãozinho. Porém, na segunda parte o Grêmio deu a volta
por Ramón Castro (dois golos), Bentevi e Mário.
17 de outubro de 1948 – Campeonato Citadino de Porto Alegre (última
jornada)
Mais um clássico histórico no
Estádio da Baixada e para o Campeonato Citadino de Porto Alegre. Já com o
título entregue ao Internacional, o colorado
do Rolo Compressor mostrou-se
demolidor e aplicou a maior goleada sobre o rival e a maior goleada do Gre-Nal
desde que o futebol foi profissionalizado no estado de Rio Grande do Sul, em
1940.
Quatro golos de Villalba, dois de
Carlitos e um de Roberto construíram o triunfo dos visitantes, implacáveis
nesse jogo.
26 de setembro de 1954 – Torneio de Inauguração do Estádio Olímpico
Em setembro de 1954 o Grêmio
inaugurou o seu novo estádio, o Estádio Olímpico, e organizou um torneio para
assinalar a inauguração, tendo convidado o vizinho Internacional e o Liverpool
do Uruguai.
Após vitória por 4-0 sobre os
uruguaios, o colorado enfrentou o
maior rival numa partida apitada pelo uruguaio Carlos Alberto Vigorito, naquela
que foi a primeira ocasião em que um árbitro uruguaio dirigiu um jogo em solo
brasileiro. O Grêmio até entrou a vencer, inaugurando o marcador por Sarará, de
livre direto, logo aos sete minutos. Porém, o Inter chegou ao intervalo a
ganhar por 2-1, com golos de Jerônimo (também de livre) e Larry.
No segundo tempo, Larry
mostrou-se endiabrado, marcando mais três golos, depois de Canhotinho ter
colocado o resultado em 1-3. A perder por cinco golos de desvantagem, o melhor
que o tricolor conseguiu foi reduzir
já nos últimos minutos, por Zunino.
Após o quarto golo, o
guarda-redes gremista Sérgio revoltou-se com os companheiros e abandonou a
partida, enquanto Bodinho, atacante do Inter, foi atrás dele e gritou bem alto
para todo o estádio ouvir: “Volta,
covarde! Volta para tomar mais quatro!”. E Sérgio voltou. O jogo, que era
para ser de festa para o Grêmio, acabou por ser de grande alegria para os torcedores do Inter, que entoaram
cânticos como “Ah, salão de festas!”.
20 de abril de 1969 – Torneio de Inauguração do Estádio Beira-Rio
Num torneio que também incluía a
seleção húngara e o Benfica de Eusébio, Internacional e Grêmio empatavam a zero
a cerca de dez minutos do fim quando se deu uma cena de pancadaria em pleno
relvado, suspendendo o encontro e levando à expulsão de 20 jogadores. Salvaram-se
o médio colorado Dorinho e o guarda-redes gremista Alberto, com este último a pedir
paz a Urruzmendi e Alcindo, começaram a confusão e se tentavam agredir a todo o
custo. A briga estendeu-se aos restantes jogadores, transformando um jogo de
futebol numa batalha campal.
“Olha, numa confusão, vou ser bem
sincero. Você não bate nem apanha. Você não sabe em quem está dando, de quem
vem o soco... Você está sempre cego, ameaça, empurra…”, contou anos mais tarde
Alcindo, ao Globoesporte.
12 de fevereiro de 1989 – Campeonato Brasileiro 1988 (segunda-mão das
meias-finais)
Após um empate sem golos no
Estádio Olímpico, as duas equipas mediram forças três dias depois no Beira-Rio,
num jogo com uma importância extraordinária, pois definia quem passava à final
do Campeonato Brasileiro e quem preenchia a vaga na Libertadores
desse ano.
Perante 78.083 espetadores
pagantes, um recorde de público do Gre-Nal no campeonato brasileiro, o Grêmio
chegou ao intervalo a vencer por 1-0, com golo de Marcos Vinícius, e a jogar
com mais uma unidade, devido à expulsão do lateral Casemiro Mior – sim, o mesmo
que treinou Nacional de Madeira e Belenenses em Portugal. No entanto, Nilson,
que disputou esse jogo em grandes dificuldades físicas, bisou e deu a vitória
ao colorado naquele que foi
considerado o Gre-Nal do século.
24 de agosto de 1997 – Campeonato Brasileiro (11.ª jornada da 1.ª fase)
Partida cerca de grande
expetativa no Estádio Olímpico. De um lado, o Grêmio que tinha conquistado a
Copa do Brasil e contratado jogadores como Sérgio Manoel e Beto, enquanto o Internacional
era o campeão gaúcho e tinha os atacantes Christian e Fabiano em grande forma.
Christian, de cabeça, inaugurou o
marcador para o colorado, mas depois
acabou expulso devido a um desentendimento com Otacílio, que também viu o
vermelho. Mais tarde, Fernando e André Santos também receberam ordem de
expulsão e deixaram as duas equipas com nove homens apenas. Entretanto,
Sandoval colocou o Inter a vencer por 0-2. Tudo isto ainda na primeira parte.
No segundo tempo, Fabiano fez o
terceiro na execução de um livre direto e o quarto num remate colocado. “Dentro
do Olímpico, pela fase do Inter, para mim, aos 22 anos, foi magnifico. Vinha de
um clube pequeno e logo em seguida ser um ídolo da torcida. Até hoje eu saio na
rua e escuto ‘Uh, Fabiano!’ 5 a 2. É
engraçado. Não tem como explicar. É só a gente, lá dentro, que sente isso na
pele”, recordou o avançado, que chegou ao Inter oriundo da Juventus de São
Paulo.
Até ao apito final, o Grêmio
reduziu por Sérgio Manoel, Marcelo marcou o quinto para o Inter e o gremista
Gilmar sentenciou o resultado de 2-5.
9 de novembro de 2014 – Brasileirão (33.ª jornada)
Entre Brasileirão e Campeonato
Gaúcho, o Grêmio já não vencia o rival há nove jogos, incluindo as duas
primeiras edições do Gre-Nal na recém-construída Arena Grêmio. No entanto, a
equipa então orientada por Luiz Felipe Scolari deu uma grande resposta e goleou
por 4-1.
Luan
colocou o tricolor em vantagem ao
intervalo e Ramiro fez o 2-0 no início do segundo tempo. Rafael Moura reduziu à
passagem da hora de jogo, mas Alan Ruiz bisou e sentenciou o resultado final,
que permitiu aos gremistas ascender
aos quatro primeiros lugares do Brasileirão, precisamente por troca com o
Internacional.
3 de maio de 2015 – Campeonato Gaúcho (segunda-mão da final)
Depois de um empate a zero na
Arena Grêmio, ficou tudo em aberto para o jogo do Beira-Rio, mas cedo o
Internacional procurou resolver o assunto, com uma avalanche ofensiva durante
os primeiros 20 minutos. Aos 6’, Nilmar colocou o colorado em vantagem, a passe de Valdívia, em jogada de contra-ataque.
Em nova transição, os papéis trocaram-se, com Nilmar a assistir Valdívia para o
2-0, quando apenas estavam decorridos 17 minutos. Porém, Giuliano reduziu a
diferença à beira do intervalo, fazendo antever uma segunda parte emocionante.
Puro engano. As ocasiões de golo escassearam no segundo tempo e o Inter,
orientado pelo uruguaio Diego Aguirre, garantiu a conquista do pentacampeonato.
9 de agosto de 2015 – Brasileirão (17.ª jornada)
Apenas quatro meses depois de ter
vencido o rival e conquistado o Campeonato Gaúcho, o Internacional sofreu a
pior goleada no Gre-Nal desde 1911 e uma das piores em jogos do Brasileirão na
era dos pontos corridos.
Sem o craque D’Alessandro e o
treinador Diego Aguirre, demitido em vésperas do clássico, a folgada vitória
gremista começou a desenhar-se no final da primeira parte, quando Giuliano (36’)
e Luan (43’) deram vantagem ao tricolor,
ambos através de remates de fora da área.
Logo no início do segundo tempo,
Luan fez mais um golo (47’). O colorado
lançou-se desesperadamente no ataque, mas a estratégia não surtiu os efeitos
desejados, com Fernandinho (76’) e Réver na própria baliza (83’) a completarem
a goleada.
Sem comentários:
Enviar um comentário