terça-feira, 13 de janeiro de 2026

O central que saltou da Académica para o Atlético Madrid e foi internacional A. Quem se lembra de Zé Castro?

Zé Castro disputou 40 jogos pelo Atlético e 148 pela Académica
Protagonizou uma transferência rara ao saltar diretamente da Académica para o Atlético Madrid, passou onze anos no futebol espanhol, chegou a internacional A e voltou a Coimbra para encerrar a carreira com uma descida de divisão.
 
Defesa central não muito alto (1,83 m) nascido na cidade dos estudantes a 13 de janeiro de 1983, ingressou nas camadas jovens da briosa em 1990 e sempre se destacou por aquilo a que hoje se chama de “sair a jogar”. Em 2002-03 transitou para sénior, tendo começado pela equipa B, e na época seguinte estreou-se na equipa principal pela mão de Vítor Oliveira, tendo atuado os 90 minutos numa goleada sofrida nas Antas aos pés do FC Porto de José Mourinho (1-4).
 
Por essa altura já era um internacional jovem português, mas foi a partir da temporada 2004-05 que explodiu. Estabeleceu-se como titular ao longo de dois anos, conseguindo evidenciar-se apesar de alguma da aflição da Académica em conseguir a permanência.
 
No verão de 2006, após não chegar a acordo para a renovação de contrato, ficou livre e assinou a custo zero pelo Atlético Madrid. O presidente dos estudantes, José Eduardo Simões, disse que o futebolista queria ser o mais bem pago do plantel: “Foi feita uma proposta ao Zé Castro para renovar. Ascendia a mais de 20 mil euros mensais, mas o atleta disse que só renovaria se fosse o mais bem pago do clube. Tenho pena em o ver sair.” O central, que por volta dessa altura participou no Europeu de sub-21, desmentiu o presidente.
 
Numa altura de alguma turbulência no Vicente Calderón, poucos anos após uma impensável passagem pela II Liga, foi maioritariamente titular nos colchoneros na época de estreia, em 2006-07, relegando para o banco internacionais como Luís Perea ou Pablo Ibáñez.
 
 
Na temporada seguinte perdeu espaço e no verão de 2008 mudou-se para o Deportivo da Corunha, inicialmente por empréstimo e passado um ano a título definitivo. “O primeiro ano no Atlético foi incrível, mas depois houve um jogo que me marcou. Foi o jogo, em casa, com o Real Madrid, que nós não ganhávamos há muitos anos. Eu estava a fazer um jogo fantástico e estávamos a ganhar 1-0 (…) e então o Guti fez um passe – o Guti ou o Cassano – fez um passe para o Higuaín e numa dividida eu fui ao chão e ele ‘táu’, faz o golo do empate. Em Madrid era incrível, qualquer sítio onde fosse na altura com a minha família não pagava, ia aos restaurantes e nada.  Esse dia marcou-me. O Real Madrid empatou, o jogo acabou empatado. Eu que estava a fazer um jogo incrível, a partir daquele momento tudo mudou. Nada, não tinha feito nada, estava a jogar bem com bola, sem bola. Aquele lance marcou-me, depois a partir daí a imagem foi logo outra. Fui débil na jogada. Dois jogos antes era o líder, agora como é que era possível um miúdo ter vindo. O Pablo que era o titular da seleção espanhola não estava a jogar na altura, deixei-o no banco, titular da seleção espanhola com o Puyol na altura, pois o Sergio Ramos jogava a lateral. Só que esse jogo marcou-me. Não tenho a mínima dúvida. E convivo com isso e sei disso. Marcou a minha imagem até em Espanha. (...) Depois, no jogo a seguir – eu que vinha a jogar sempre – não joguei. Era o Aguirre o treinador e aquilo marcou-me. Ainda por cima o diretor desportivo mudou, não ia muito com a minha cara, não me dava muito bem, mas não guardo rancor de ninguém. No futebol há espaço para todos e os companheiros são sempre bons, para mim, não tenho problemas nenhum com isso. Os jogadores que jogam na minha posição são todos bons. Na época a seguir já joguei menos. Na primeira época cheguei a fazer muitos jogos e na segunda época joguei menos e então o Depor apareceu-me”, recordou ao zerozero em agosto de 2023.
 
 
Em boa hora rumou à Galiza, porque foi como jogador do Deportivo que atingiu o estatuto de internacional A, a 10 de junho de 2009, tendo participado num particular diante da Estónia em Tallinn (1-0).
 
Perdeu espaço nos galegos nas épocas seguintes, mas, ainda assim, foi pré-convocado por Carlos Queiroz para o Mundial 2010 de forma a precaver uma possível recaída de Pepe, que ainda estava a recuperar de uma lesão que o afastou dos relvados durante vários meses. Integrou mesmo os trabalhos da seleção, mas acabou por ser excluído tendo em conta a recuperação plena do central do Real Madrid. “Vou ser sincero, na época em que o Queiroz me convocou para o Mundial de 2010 nem merecia ter ido. (…) Foi a época no Depor em que eu tive um problema até com o treinador, quis sair, burro, em vez de aproveitar. Deixei de jogar a meio da época e bem”, admitiu.
 
Em 2011-12 valeu-se da despromoção à II Liga em 2011 para voltar a ter algum protagonismo, ajudando o Depor a conquistar o título do segundo escalão nessa temporada. Na época que se seguiu voltou à La Liga, mas tornou a descer de divisão, desta feita na companhia dos compatriotas Sílvio, Roderick, Tiago Pinto, André Santos, Pizzi, Bruno Gama, Nélson Oliveira e Diogo Salomão.
 
 
Após nova despromoção voltou para a zona de Madrid para representar o Rayo Vallecano entre 2013 e 2017, tendo descido à II Liga espanhola em 2016. Em Vallecas, diz, desfrutou do futebol “como nunca”, às ordens de Paco Jémez. “Jogávamos como os anjos. É o que eu costumo dizer: era o Barcelona dos pequeninos. Era uma coisa incrível, sinceramente. E perdíamos, 5-0 no Bernabéu, 5-3 no Camp Nou, 6-3 em casa. O Real Madrid via-se à rasca, mesmo com as estrelas todas, era incrível. Tive um treinador que era um bocado, até exageradamente, ofensivo e louco. Eu lembro-me que ia ao Camp Nou, no pontapé de baliza do Barcelona, eu ia marcar o Iniesta à área do Barcelona, homem para homem, nós jogávamos homem para homem atrás. Depois ganhávamos a bola e nós é que jogávamos. Tínhamos 59 por cento de posse de bola no Camp Nou. É impensável contra o Barcelona, campeão da Europa já com Luís Enrique. Perdemos 5-3, mas desfrutámos do jogo e do nosso futebol. Na segunda época quase chegámos à Europa, na primeira conseguimos a manutenção. Também tivemos grandes equipas, houve um ano que tive uma equipa fantástica com o Rat, que era o romeno mais internacional de sempre, o Saul que está no Atlético de Madrid, o Jonathan Vieira, que era um grande jogador que jogava lá, o Iago Falqué, que depois foi para o para o Torino, Larrivey, Léo Baptistão, chegámos a ter grandes equipas e um futebol super. Quem via os nossos jogos não podia estar ali a fazer um frete. Não havia tédio”, lembrou.
 
 
Em 2017 voltou à Académica, então na II Liga, com o intuito de recolocar a briosa entre os grandes, mas despediu-se do clube e da carreira cinco anos depois após uma descida de divisão à Liga 3. Tinha 39 anos e há muito que era fustigado por lesões.
 
 







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