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| Nelson Pereira é a cara do projeto Wrestlefest |
Um dos fundadores e líderes do
Wrestlefest, Nelson Pereira faz um balanço do projeto ao fim de três anos e a
poucas semanas do 25.º espetáculo da promotora, abrindo o jogo quanto a
possíveis novas localizações, nomes que estão na calha para aparecer ou
reaparecer e à sustentabilidade da associação que foi constituída.
Nelson Pereira - Foi muito rápido. Passou muito rápido. E o Wrestlefest era para ser só um show. Isto é que é mais engraçado. Era para fazer um show para ver se funciona e para nos divertirmos. E agora pronto: pelo menos vão ser 25. Acho que trouxemos mesmo uma coisa nova para o wrestling português, que já existe há muitos anos, mas que acho que estagnou muito em termos de como tem sido apresentado. E é isso que o Wrestlefest trouxe de novo: a apresentação, o nível de produção e o facto de toda a gente poder ver tudo no YouTube, de todas as pessoas poderem ver o que acontece. A única forma de ver o Wrestling Portugal (WP) é ir ao WP e a única forma de ver a APW é de ir à APW, à exceção de uns clips no Instagram. Acho que fizemos este esforço com o Wrestlefest, de ser um produto que queríamos apresentar a quem não conhece e acho que tem resultado bastante bem. Estamos aqui três anos depois e por enquanto acho que não vamos parar.
Sim. O objetivo principal do Wrestlefest neste momento é isso, tentar usar o dinheiro que os shows fazem para fazer mais shows e continuar assim. Por enquanto tem resultado bastante bem. Há um ou outro show que perde um bocadinho de dinheiro, mas não é uma perda enorme. Dá para sustentar. Por enquanto é este o modelo, tentar crescer só reinvestindo o que nós ganhamos para fazer mais eventos. Ninguém fica rico com o Wrestlefest neste momento, mas também não é esse o objetivo. O objetivo é pode fazer shows e bons shows. Acho que o Wrestlefest é mais para ajudar os lutadores, para terem conteúdo para apresentar a outros promotores, e para isso precisas de bom wrestling, bem apresentado e bem filmado. E acho que o Wrestlefest é principalmente isso, não é fazer lucro e ganhar imenso dinheiro com isso. É só fazer shows constantes, que as pessoas gostem e que dá depois para apresentar um produto para quem quiser mais do wrestling poder usar isto como uma stepping stone e para mais coisas.
É uma associação. Criámos uma associação com fins não lucrativos chamada Double Boost. Para quem vê os shows no YouTube e pergunta o que é Double Boost, nome que aparece nos créditos, é isto. E registámos a marcar Wrestlefest. Por enquanto é isso. A associação existe para facilitar as parcerias com as juntas de freguesia que nos ajudam a fazer os eventos.
Não sei dizer se estão todos confirmados para o combate Morte Súbita. Temos potencialmente ali uma lesão que ainda não vou confirmar nem dizer quem. E há pessoas que poderão não estar no combate Morte Súbita, mas vão estar no card do show.
É oficial! O Título Nacional Absoluto de Nico Angelo estará em jogo no combate Morte Súbita!
— WRESTLEFEST (@PTWrestlefest) June 26, 2026
20 lutadores mas só um poderá sair campeão.
Além deste e mais combates por anunciar, o evento incluirá gravações para uma obra de ficção que será futuramente transmitida na RTP PLAY! pic.twitter.com/twyJKPMNeE
Primeiro, o combate Morte Súbita surpreende sempre. Fizemos no ano passado pela primeira vez. Rumbles nas indies e rumbles em Portugal é sempre complicado, é uma produção enorme. Ter de produzir um combate com 20 pessoas é complicado, mas no ano passado correu bem. As pessoas gostaram muito, tivemos um feedback muito positivo. Portanto, é tentar fazer melhor. Vem o Nico Angelo, que atualmente o campeão e já esteve cá duas vezes e nas duas vezes em que esteve cá teve o combate do show. Aqui é diferente, é um combate Morte Súbita, mas ele vai lá estar e de certeza absoluta que vai deixar um marco nas pessoas que vão ver. Vamos ter pelo menos dois combates que estou entusiasmado para ver. Acho que as pessoas vão gostar. E também algo que não tem nada a ver com o show, mas tem: está a gravar-se uma série sobre wrestling que vai ser transmitida pela RTP Play e vai usar o show para gravar. Quem vier ver o Morte Súbita também vai poder assistir a uma produção de uma série com meios, o que é um bónus giro.
Paulinho no combate Morte Súbita. Murder Business vs. Alcateia pelos títulos de tag team
Podes desvendar o nome de mais algum lutador nesse combate? No cartaz houve uma ausência que me chamou a atenção, o Paulinho…O Paulinho vai estar no combate Morte Súbita.
A final do Tag Fest. Os Murder Business [Damião e Rafa] vão defender os títulos nacionais de tag team contra a Alcateia, com o Mestre, que já está bem outra vez. E pelo menos outro combate que ainda não vou revelar que vai acontecer.
Atualmente o campeão nacional é o Nico Angelo, um wrestler galês, reconhecido na Europa, mas que não tem participado nos últimos shows. Quando pensamos na figura de campeão nacional absoluto, que requisitos é que entendes que essa figura deve cumprir? Não sei se concordas, mas penso que no wrestling português foi quase sempre uma figura vista com muito simbolismo, uma escolha conservadora baseada no trabalho de vários anos e no respeito e reconhecimento por parte dos seus pares, e à qual as narrativas se iam ajustando…
Por acaso não tenho nada essa visão. Eu vejo muito como o wrestling como o que é. Para mim o wrestling é uma narrativa, é uma ficção. Basicamente o que me interessa é a história. Eu não sou dessas pessoas que dizem “esta pessoa merece muito”. Claro que é bonito e claro que até eu como lutador fico feliz e agradeço quando me dão um título, mas acho que o mais importante ao fim do dia é a história. Acho que esta história com o Nico Angelo é uma coisa que as pessoas não estavam à espera. Pensavam que ia ser mais um português a vencer o gajo que vem de fora e para o próximo mês há outro. Mas não foi assim. E depois quando ele voltou as pessoas pensavam que ia perder o título. E não perdeu. Acho que deu para construir uma coisa gira que as pessoas não estavam à espera. Então estou bastante feliz com isso. Mas também esta história resulta também porque é o Nico Angelo. Muita gente não sabe, mas o Nico Angelo foi treinado principalmente em Portugal. Treinou comigo quando estava no CTW há 10 anos. A minha classe, dos que se estrearam, sou eu, o Leo Rossi, o Lobo Ibérico e o Nico Angelo. É giro que seja alguém que começou em Portugal, foi para fora, tornou-se um nome bastante grande, voltou e agora fazemos esta história com ele. Mas para responder à tua pergunta: eu vejo mesmo os títulos e estas coisas como parte da história, mais do que um agradecimento. Sei que o WP vê o campeão nacional como alguém que trabalhou imenso para ter o título. Não querendo dizer que vai se dar a qualquer um, para mim o mais importante é a história que estamos a contar.
“Bingança!” já ultrapassou os 400 bilhetes vendidos
Duas semanas depois, será levado a cabo o evento “Bingança!”, na Escola Básica da Madalena, em Vila Nova de Gaia, com Baltazar vs. Tony de Portugal como cabeça de cartaz e que está a ser publicitado como o “o Maior Wrestlefest de sempre”. Como está a decorrer a venda de bilhetes?Até hoje temos sempre dito que o Wrestlefest com mais pessoas foram os que fizemos no Parque Mayer, em Lisboa, mas não sabemos porque não foram shows com bilhetes. Mas a junta [de freguesia de Santo António], que estava a organizar isto connosco, dava-nos o número oficial de 400, 400 e tal. Por isso, a partir do momento em que vendermos pelo menos 500 bilhetes, eu vou dizer que já passei os 400. E acho que posso dizer isto: falta um mês para o evento e já passámos os 400. Por isso, acho que sim, acho que vai ser o maior evento de sempre. O que é incrível. Já era incrível um show de wrestling português fazer 200 ou 300 pessoas. Então, agora um show que provavelmente vai chegar no mínimo aos 500, acho que é prova que fizemos um bom trabalho. Também é prova que o público do Porto queria wrestling. Demos wrestling bom e eles têm vindo sempre no Ideal Clube Madalenense e agora a escola da Madalena. É um bocado difícil conseguir dar conta que vamos fazer um evento tão grande.
Aquilo é um pavilhão para modalidades como o basquetebol, por isso provavelmente pode acolher umas mil pessoas. Gostava de acreditar meter lá mil pessoas, porque gostamos de sonhar em grande, mas acho, sinceramente, possível termos umas 700 pessoas lá, conseguindo avaliar o ritmo a que os bilhetes têm vendido ainda só com um combate anunciado. E temos mais surpresas para revelar. O meu lado de promotor está um bocado preocupado por causa da organização, ter tanta gente lá é sempre um grande desafio que ainda não tivemos que fazer face, mas como lutador e fã de wrestling e como alguém que tem trabalhado imenso no Wrestlefest, estou muito entusiasmado para ter uma sala tão grande para ver wrestling português.
Nada é impossível. Nas eleições autárquicas houve uma troca de presidência na junta, por isso temos que reconstruir a relação e estamos em contactos. Não sei se vai haver acontecer este ano, mas acho que voltaremos, mesmo que façamos um hiato de um ano para volta maior para o ano. O que acho importante é tentar fazer com o máximo de pessoas possível em vários sítios possíveis. Temos feito muito na margem sul, que tem de se a nossa home base, mas também acho importante faze deste lado [norte] do Tejo, porque parecendo que não há muita gente que considera Corroios super longe. O que eu entendo, para quem não tem carro. Mas mais do que preocupado com localizações, estou preocupado em ter datas. Acho que é importante fazer datas, porque acho que também falta consistência ao wrestling português, porque havia poucos shows. Agora estamos um período engraçado porque o Wrestlefest é a única promotora que faz shows no verão, WP e APW tiram todos um break no verão, por isso é aproveitar e continuar a fazer shows, também para os lutadores, porque o wrestling é uma coisa que funciona muito à base de consistência. Sei que nenhum lutador quer parar no verão, querem todos continuar a fazer ventos.
“Estamos a trabalhar para levar o Wrestlefest ao Algarve”
Que novas localizações estão em vista?Estamos a trabalhar para levar o Wrestlefest ao Algarve ou pelo menos a sul, ao Alentejo ou ao Algarve. Já fizemos Norte, centro e agora quero descer um bocadinho no mapa. Estamos a trabalhar com a APW, que nos tem ajudado imenso no Wrestlefest e tem sido uma grande parceira, para ver se conseguimos levar o Wrestlefest ao Algarve. Nada está definido, mas é um projeto que gostaria muito de concretizar. Temos feito mais eventos na margem sul porque as câmaras e juntas de lá são muito mais recetivos a receber wrestling do que deste lado [margem norte do Tejo]. Deste lado tivemos Odivelas, que correu cinco estrelas e nos deram feedback muito positivo, por isso, quem sabe, podermos lá voltar, mas neste momento não há planos. Se há pessoas que vivem num sítio e acham que a junta ou a câmara iria gostar de ter um evento de wrestling, nós estamos sempre contactáveis e estou disposta a ir para qualquer lado. Não importa o tamanho da aldeia, vou para qualquer lado.
O Campo Pequeno não é o MEO Arena, mas acho o Campo Pequeno mais realista e é um recinto em que o wrestling tem muita história. Gosto de preservar a história. Depois do Parque Mayer, o wrestling foi para o Campo Pequeno e para o Pavilhão dos Desportos, agora Pavilhão Carlos Lopes Depois de a TNA e a WWE terem lá ido, tem um simbolismo para mim e para o wrestling. Seria giro levar o Wrestlefest lá. E, para mim, é a sala mais bonita.
Explicadas as ausências de “Goldenboy” Santos, Marcos Vitória e Bammer
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| Nelson Pereira é também booker e wrestler no Wrestlefest |
Estamos em tempo de Mundial e
podemos dizer que tu, booker e um dos líderes do Wrestlefest, funcionas
como uma espécie de selecionador nacional. E como qualquer seleção, há
convocados, não convocados por opção técnica, jogadores que renunciaram à
seleção e proscritos. Por que motivo nomes como “Goldenboy”
Santos, Marcos
Vitória, Bammer ou Luís
Salvador não têm feito parte dos shows?
O “Goldenboy”
Santos esteve nos três primeiros Wrestlefest e depois, por opção dele,
decidiu não querer fazer mais shows connosco. Não vou aqui entrar no porquê,
que são razões dele, mas é isso que quero dizer às pessoas. Não houve grande
guerra ou qualquer coisa desse género, são opções de carreira das pessoas. Não
me dou mal com ele, ninguém andou à porrada. Simplesmente ele começou a ter
mais oportunidades no estrangeiro, a querer focar-se mais na sua carreira lá
fora e depois de uma conversa decidimos que era melhor já não trabalharmos
juntos. Foi isso que aconteceu. Não é impossível ele voltar, mas neste momento
não está nos planos. Ele agora está muito bem tanto no wrestling como em outras
coisas. Quando há pessoas que lhe perguntam a ele sobre lutar em Portugal, ele
diz que não tem muito interesse, que já fez tudo o que queria fazer.O Marcos Vitória tem um agente, que é o Korvo, que é difícil em negociações. Se eu quero que o Marcos Vitória volte? Por um lado sim, porque é um grande nome do wrestling português, agora duplo campeão no WP. Ele chateia-me muito, é muito acho, mas acho que vamos voltar a ver o Marcos Vitória em breve, é só uma questão de negociações em decisões contactuais difíceis com ele e o management dele.
Não há ninguém que esteja banido do Wrestlefest. Não há proscritos. Eu não quero chamar só por chamar. Não quero pessoas no card só para as ter no card. Quero que a pessoa possa voltar e tenha alguma importância pelo que vai acontecer, não quero que seja só um nome, especialmente pessoas como o Bammer pelo qual tenho imenso respeito. Eu não iria querer trazer o Bammer só para aparecer uma vez e depois nunca mais. É mais por isso. Às vezes os spots são limitados e eu tenho dificuldades em meter as pessoas regulares que eu uso em todos os shows, porque nunca queremos fazer mais do que seis combates. E seis combates é o máximo dos máximos. O que nós queremos mesmo fazer é cinco e às vezes não dá para pôr toda a gente em cinco combates. Há pessoas neste momento que têm histórias a decorrer no Wrestlefest e que têm que estar se nós queremos continuar a narrativa. É mais por causa disso. Mas não há proscritos, agora com o Morte Súbita, quem sabe, não aparece o Bammer ou o Salvador. Não digo que sim, não digo que não. Não sei. Da mesma forma como não tenho ido ao WP recentemente, porque simplesmente eu não era uma parte focada no WP e eu mesmo disse que se eu não for preciso não faço questão de estar lá e para meterem pessoas novas que precisam de mais datas, é a mesma coisa aqui. Vou focar-me nas histórias que estou a contar neste momento. Se um dia me lembrar de uma história que seria muito boa com uma personagem como o Salvador ou o Bernardo ou o Ruben Bento de quem eu gosto muito ou alguém assim, vou chamar, é só uma questão criativa. Neste momento temos várias histórias, então o roster está cheio. Mas claro que vai chegar uma altura em que terá de haver renovação, porque não podemos ter sempre as mesmas coisas e aí vamos começar a ter novas caras ou a fazer voltar outras, como é o caso do Marcos Vitória.
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| Pedras e David Francisco defrontaram-se em maio |
Por outro lado, recentemente David
Francisco e Myron
Reed não só participaram em eventos do Wrestlefest como ganharam os seus
combates. É um sinal de que é possível voltar a vê-los em breve em Portugal?
Eu não teria trazido o David
Francisco se eu não tivesse ideia do que fazer com ele. Por isso sim, no
caso do David
é mais fácil trazê-lo, acho que posso dizer com certeza que ele vai voltar, mas
ainda não sei quando. A forma como ele ganhou ao Pedras… acho que o Pedras tem
alguma coisa a dizer sobre isso ao David,
de certeza.O Myron Reed é mais complicado, porque estamos a trabalhar com pessoas que estão com um contrato numa empresa, as datas deles fora dessa empresa são limitadas, por isso tem que se conseguir alinhar uma data em que ele possa vir. E, ao mesmo tempo, é muito mais fácil trazer uma pessoa de Inglaterra, como o caso do David, do que uma pessoa do Kentucky, como no caso do Myron Reed. Por isso é mais uma questão de datas. Claro que quero o Myron Reed de volta, claro que quero o David de volta, claro que quero a Kelly de volta.
Não vou dizer que estão na lista, porque não sei, mas quem tem seguido a minha careira sabe que eu tive muitos combates no Canadá e fiquei a conhecer bastantes nomes lá e há muita gente que eu gostava de trazer ao Wrestlefest. Posso dizer uns nomes assim ao calhar, não sei se vai acontecer ou não, mas há um lutador canadiano que é o Junior Benito, que eu acho incrível porque se viesse a Portugal as pessoas iriam falar malucas; um lutador que é o Myung-Jae Lee, que é da Coreia do Sul, mas também estava a lutar lá e é incrível; eu gosto muito de ver o circuito francês, acho que tem lá muito talento que eu gostaria de trazer, como o Thiago Montero que é português mas está em França e que no ano passado foi uma das entradas-surpresa na Morte Súbita e eu gostava muito de o trazer desta vez para ter um combate mais normal; acho que seria excelente trazer outra vez a Cory Zero, que veio cá e ganhou à Cláudia no Porto Wrestlefest 2 e ainda não houve a desforra, ainda por cima ela agora é campeã de equipa em várias promotoras, por isso quem sabe não ser um combate de tag team contra a Cláudia e o Paulinho, uma coisa diferente; a nível de portugueses, não quero spoilar, porque gosto mais de surpresas, mas posso dizer que gosto muito do trabalho do Ruben Bento e do Big Chill, estava a gostar muito do trabalho do Matador no WP e agora o Matador entrou no roster oficial, por isso em Portugal toda a gente é opção.
Nunca é fácil. Os wrestlers são todos egocêntricos. Somos todos, todos. Achamos todos que temos de ser os campeões, de ter 20 minutos, que temos de estar no main event. Acho que isto vem simplesmente com a experiência de estar no wrestling, com o tempo as pessoas começam a perceber o que é melhor para o show, mais do que ser melhor para eles, e por acaso temos a sorte que muita gente que está no Wrestlefest, ou já eram veteranos, como os casos do Lobo Ibérico, da Cláudia e do Rossi, ou entraram no Wrestlefest muito cedo, com o Damião e o Knockout, que tiveram o terceiro ou quarto combate no Wrestlefest e conseguimos dar essa formação de wrestling. O wrestling é assim: não vamos estar todos no main event. Tive sorte, nunca foi muito complicado bookar um show. Acho que é uma coisa que vem com a experiência: quando começamos, queremos todos tudo, e depois, com o tempo, começamos a perceber o que é melhor para o show e para o coletivo.
Não muito. Eu sei que há pessoas que têm visões diferentes, mas eu sempre me habituei a ver wrestling independente, onde havia pessoas que tinham personagens diferentes em diferentes promotoras: aqui é face, ali é heel. A mim não faz confusão, mas sei que há pessoas a quem faz mais confusão, por isso também tento ter isso em consideração, por isso não vou dizer que é uma coisa que está set in stone. Por exemplo: se um dia alguém virar heel no WP, mas está numa storyline no Wrestlefest onde tem de ser face, vou continuar a tê-lo com face no Wrestlefest. Eu não posso assumir que toda a gente que vê os meus shows também vai ver o WP, especialmente porque, para se ver o WP tem de se ir ao WP. Se os shows estivessem todos no YouTube e fossem de fácil acesso, talvez seria diferente. Há pessoas que nunca vieram a um show, só seguem pelo YouTube, provavelmente essa pessoa nunca foi ao WP, por isso não sabe se no WP alguém virou heel, por isso não é uma regra a 100%, não vou tentar alinhar-me sempre com o que foi feito do outro lado. Aqui a associação entre promotoras é mais no sentido de tentar não competir uns com os outros nas datas. Tentamos afastar os shows uns dos outros pelo menos uma semana. Não seria bom para ninguém ter dois shows no mesmo fim de semana, até porque os fãs querem ver mais wrestling e os lutadores querem mais datas. Em termos criativos temos um bocadinho mais de ligação à APW, porque a APW tem menos shows e também trabalha de forma mais direta com o Wrestlefest, especialmente nos shows do Porto, que têm estado virados muitos à volta do Título da APW, que era do Baltazar, por isso temos um bocadinho mais de conversa com a APW em termos de booking. Se não temos com o WP não é porque eu não gosto do WP, é só porque por enquanto tem resultado bem. Se o WP quiser bookar alguém como heel que está no Wrestlefest como face, também não me faz confusão nenhuma. Acho que é importante todas as promotoras terem a sua visão. É caro que algumas coisas têm de ser alinhadas: por exemplo, pessoas inimigas num lado tentarem não ser amigos noutro. Isso eu entendendo. Mas ser só uma diferença de ser mais face ou mais heel, acho que não faz tanta diferença.
“No Wrestlefest os combates são o mais importante e as histórias vêm juntar os combates”
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| Leo Rossi e Nelson Pereira, dois dos fundadores do Wrestlefest |
Em julho de 2019
disseste, numa entrevista Espaço do Fontes, que as várias promotoras
portuguesas deveriam ser diferentes, sem crossovers, porque cada uma tem
o seu público. O que te levou a mudar de opinião?
Basicamente, o que me levou a
mudar de opinião foi perceber que temos uma scene demasiado pequena. O
que agora é um bocado diferente, porque a scene está a crescer cada vez
mais. Mas não mudei totalmente de opinião. Não estou a dizer que não houve
crossovers, mas continuou a achar que cada promotor tem de ter a sua própria
visão, o seu próprio estilo. E acho que é o caso: acho que os shows do WP, do
Wrestlefest, da APW e do CTW são todos diferentes. Podem ter os mesmos wrestlers,
ou muitos dos mesmos wrestlers, mas mesmo assim os shows são
completamente diferentes, porque têm uma construção totalmente diferente. O WP
tem uma visão do wrestling que é muito WWE, na minha opinião, na qual a
história é o mais importante e os combates são mais secundários. O Wrestlefest
é um bocado o contrário: os combates são mais importantes e as histórias vêm juntar
os combates. A APW tem um estilo que é um bocado um mix dos dois. Acho
que isto tem de continuar a ser real, temos de continuar a ter a nossa
individualidade nesse sentido. Mas percebi que temos muito poucos wrestlers
e não podemos estar ligados só a uma promotora, porque, se queres melhorar no
wrestling, tens de trabalhar com mais gente. E se estás sempre a trabalhar com
as mesmas três pessoas, nunca vais sair de um certo patamar. Acho que isto foi
a parte que me fez mais muda de opinião.São inexistentes. Não há relação, não falo com ninguém de lá. Desde que eu saí de lá não tenho tido contacto. Não me revejo em muitas coisas do CTW, por isso não trabalho com eles. Tenho visto alguns dos lutadores que apareceram lá, mais novos, e sinceramente acho que têm lá talento. Não trabalho com eles e não me vejo a trabalhar com eles, mas também não estou contra o facto de existirem, se eles querem fazer a coisa deles. E também porque têm o estilo próprio deles. O CTW, basicamente, é histórias… nada importa, mas não de uma forma negativa. Vais lá ver um espetáculo de wrestling e, quando fores ao próximo semanas depois, não vais sentir que o anterior tenha tido qualquer impacto. É a forma deles, como eles querem fazer, que também é uma forma diferente de todos nós. Talvez a única coisa que eu gostava é que os lutadores de lá pudessem ir a outros sítios. Que eu sei, for a fact, que não é possível, porque eu já tentei. É a única coisa que me entristece.
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| Wrestlefest teve o primeiro show em março de 2023 |
O projeto do Wrestlefest Dojo
em Almada durou pouco. Porquê?
O problema foi nosso. Quando
ainda não havia a associação Double Boost juntámo-nos quatro pessoas para
comprar o ringue de wrestling que agora o Wrestlefest tem. Eu queria o ringue
com as cores do Wrestlefest e as outras pessoas que compraram o ringue comigo
tinham um projeto de fazer uma escola. Eram para ser duas entidades
completamente distintas, mas que partilhavam um ringue. E o que aconteceu foi que, quando chegou à
altura de se escolher o nome para a escola, eles não estava a conseguir
encontrar um nome e alguém deu a ideia de chamar aquilo de Wrestlefest Dojo, porque
as pessoas já conheciam o nome no Wrestlefest, e eu na altura disse que sim e
deveria ter dito que não, porque eu posso tentar explicar que são duas
entidades diferentes, mas se têm o mesmo nome as pessoas vão sempre associar
que são a mesma entidade. Eu nunca estive a gerir a escola e a minha única
ligação àquilo é que eu treinava lá às vezes e o ringue também era meu, mas de
resto, eu não tinha poder de decisão no que acontecia na escola. Entretanto, a
escola acabou do lado deles, mas eu não sei exatamente o que aconteceu, porque
eu não estava encarregue da organização da escola, eram projetos diferentes.
Por isso, só sei que na altura houve ali uns desentendimentos entre as pessoas
que estavam a gerir a escola e aquilo acabou e as pessoas também saíram do
wrestling e venderam as partes deles do ringue, por isso hoje o ringue do
Wrestlefest é completamente do Wrestlefest, já não é das outras pessoas. Não
sei dizer porque durou porque, mas sei que não foi do lado da Câmara de Almada,
que não teve nada a ver com isso, foi mesmo das pessoas que estavam a gerir
aquilo.Entendo que as pessoas da margem sul querem uma escola na margem sul, mas também há muita gente que vai treinar no WP e acho que a escola do WP faz um excelente trabalhar. Eu sei o que é que eu faço bem, acho que no Wrestlefest somos bons a organizar, produzir, bookar e filmar shows. Quanto à parte da formação, já há pessoas a fazê-lo incrivelmente bem, que é o caso do WP e agora o Mestre o Lobo Ibérico com a Project. Acho que isto também era uma coisa que faltava no wrestling, é todas as pessoas perceberem o que fazem bem, em vez de tentarem fazer coisas que fazem menos bem. Foi isto que aconteceu também com o Dojo, pois as pessoas do Dojo também tentaram fazer shows e depois fizeram um sim e separaram-se. Não estaria contra estar em parceria com outra escola diretamente, mas teria de ser um projeto mais trabalhado do que o Dojo, que foi um bocadinho thrown together, sem pensar, na minha opinião. Se voltarmos a fazer uma coisa assim, teria de ser muito mais pensada e não se chamar Wrestlefest.





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