Talvez com uma casa ligeiramente
aquém das anteriores, o espetáculo “Novas Lendas”, do WP, teve um início muito
dinâmico, com, por esta ordem: uma
promo de
Salvador,
em processo de
face turn, a renovar a vontade de deixar o filho e a
mulher orgulhosos, em pleno Dia da Mãe; a interrupção de
Bernardo Barreiros,
que tinha atacado o antigo aliado no
show anterior; e o surgimento em
cena de outro homem que Bernardo havia colocado fora de combate a 22 de março,
Bammer,
que era também o adversário de
Bernardo neste domingo num duelo a contar
para os
quartos de final do Torneio Tarzan
Taborda.
E assim se deu início ao
opener,
com
Salvador
na primeira fila. Bammer e Bernardo lutaram um pouco por todo o lado, o que levou
a que jogassem com a possibilidade de vitória via contagem fora do ringue.
Bernardo foi incisivo a procurar esse atalho para prosseguir na competição, mas
também esteve perto de ver o feitiço virar-se contra o feiticeiro. Bammer
sinalizou a vontade de aplicar a
Bammer Bomb, que efetivamente não
concretizou, mas acabou por alcançar o triunfo através de uma manobra com
impacto semelhante, um
Sunset Flip Powerbomb, após
Salvador
retirar um objeto metálico da mão de Bernardo.
Após o combate acabar, Bernardo abordou
o filho de
Salvador,
sentado na primeira fila (onde já não estava
Salvador),
e foi travado pela mãe da criança. No entanto, Bernardo mostrou não ter
qualquer tipo de problemas em meter as mãos em cima de mulheres e levou-a para
o ringue, com o intuito de a atacar, mas
Salvador
lá reapareceu para a salvar. E tudo indica que haverá duelo entre Bernardo e
Salvador
no último
show da temporada, a
Batalha Final, a 14 de junho.
Seguiu-se um
combate de tag
team entre a equipa de Rúben Bento e do portista Drago G (que não esqueceu que
estava em pleno
day after do 31.º título nacional do
FC
Porto)
e a dupla oficiosamente apelidada de Chillador, composta por Big
Chill e Matador. A história da luta focou-se essencialmente na batotice de
Bento e Drago G para obter vantagem e manter o mais inexperiente Matador como
homem legal, de forma também a construir uma explosão de alegria aquando do
hot
tag em
Big Chill. Depois de desistir sem que o árbitro visse quando
Chill prendeu um
Full Nelson, Bento deu a vitória à sua equipa na
sequência de um
Paydirt ao estilo de
Shelton
Benjamin e de um
Stomp que ficou com mau aspeto. Para a Batalha
Final ficou agendado um “
I Quit” match (ou será um combate “Eu Desisto”?)
entre Big Chill e Ruben Bento.
Para terminar a primeira parte,
um autêntico
main event antecipado, um
combate tremendo entre o
campeão Marcos Vitória e o candidato principal Paulo “Knockout” Cruz pelo Título
de Honra do WP… e pela posição de candidato principal ao Título Nacional do
Wrestling Portugal, um ingrediente extra anunciado à última hora por
Korvo.
Foi um duelo bastante
stiff,
com chapadas com impacto audível e visível, potentes pontapés bem ao jeito do
leiriense e
Suplexes arriscados que me fizeram lembrar a terrível lesão de
Big E. A luta ficou marcada por um
spot em que Marcos atirou o
adversário para cima de um amontoado de cadeiras (de esplanada), partindo inclusivamente
uma; por uma atitude de vilão por parte de “Knockout”, aparentemente em
processo de
heel turn; e por um
double pinfall, contado por Korvo
(mais favorável ao triunfo de “Knockout”) e pelo árbitro sénior Mascarenhas
(que ergueu o braço de Marcos minutos após ter sido involuntariamente
pontapeado por “Knockout”).
Antes do combate, matutava que o
Título de Honra poderia ser visto como um retrocesso para “Knockout”, mas
também não o via a sofrer mais uma derrota.
Depois de um intervalo aproveitado
por muitos dos presentes para efetuar troca de cromos para a caderneta do
Wrestling Portugal, a segunda parte iniciou-se com a
primeira semifinal do
Torneio Tarzan
Taborda, entre o “monstro da margem sul” Gomes e Arménio “Botas Fofas”.
Embora ainda algo verde, o moçambicano é carismático e consegue de forma muito
orgânica obter uma boa ligação com o público, um pouco à semelhança do que
acontece com Paulinho, ainda que o algarvio esteja mais maduro em ringue. Embora
tenha dado um ar de sua graça, Arménio foi derrotado com relativa rapidez, após
um
Chokeslam.
Ainda Gomes ia a caminho do
backstage
quando um dos seus companheiros da Alcateia,
Luís Mestre, fez a entrada
para iniciar o
combate da outra semifinal do Torneio Tarzan
Taborda, diante do já desgastado Bammer. Após uma interferência de Lobo
Ibérico, Mestre preparava-se para um
Tombstone Piledriver que possivelmente
lhe garantiria a vitória quando as luzes se apagaram e voltaram a ligar.
Distraído, permitiu a Bammer reverter para o assentamento que deu a vitória à “referência
do wrestling nacional”.
Há muito que me parece irónico
que Bammer, aos meus olhos um dos melhores no
selling e um dos mais
completos em ringue em Portugal, seja alguém que geralmente tem pela frente
alguém muito mais pequeno, quando a diferença de estaturas convidava a um
estilo menos híbrido, com mais
powerhouse e a menos
selling. Já com
Bernardo tinha sido um pouco assim, mas frente a Gomes, na final, terá uma
oportunidade de ouro de parecer mais legítimo sendo… ele próprio.
Quanto a Mestre, pediu explicações
e teve-as: o regresso do “diabo”
Pégaso, a solução dos vídeos enigmáticos que
circularam durante semanas nas redes sociais do WP. Uma grande satisfação ver
um dos meus lutadores portugueses favoritos de sempre a voltar e também uma
grande surpresa após o
próprio
ter rejeitado a possibilidade de um eventual regresso para breve. Eu “estava
preparado para tudo, mas não estava preparado para isto” – os mais antigos
entenderão. É de esperar que haja um combate entre os dois já na Batalha Final.
Para o fim ficou a
primeira
defesa de título do campeão nacional do WP, Damião, diante do ex-detentor do
cinturão, Rafael Pedras. Foi um combate que teve momentos de altíssima
qualidade, mas, talvez por ser um duelo entre
babyfaces ou por ninguém
acreditar que Damião perdesse o título, teve momentos de um indesejado
silêncio. Damião ainda assumiu o papel de
heel, mas tudo leva a crer que
tenha sido algo improvisado e temporário para criar uma dinâmica diferente. Foi
o segundo combate de Damião em menos de 24 horas, após ter lutado pelo
Campeonato Nacional da APW na noite anterior em Portimão, e foi através de um
segundo
Coup de Grâce que alcançou o triunfo.
Contudo, o pé de Pedras estava
nas cordas no momento do assentamento, o que, a juntar ao empate no duelo para
determinar o candidato principal, levou à marcação de um combate Quadrilha
Fatal entre Damião, Pedras, Marcos Vitória e “Knockout” para a Batalha Final.
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