segunda-feira, 4 de maio de 2026

WP Novas Lendas (Review)

Mais uma tarde bem passada no Centro Shotokai de Queluz, num fim de semana em cheio para o wrestling nacional, com eventos da APW (sábado, 2 de maio) e do Wrestling Portugal (dia 3).
 
Talvez com uma casa ligeiramente aquém das anteriores, o espetáculo “Novas Lendas”, do WP, teve um início muito dinâmico, com, por esta ordem: uma promo de Salvador, em processo de face turn, a renovar a vontade de deixar o filho e a mulher orgulhosos, em pleno Dia da Mãe; a interrupção de Bernardo Barreiros, que tinha atacado o antigo aliado no show anterior; e o surgimento em cena de outro homem que Bernardo havia colocado fora de combate a 22 de março, Bammer, que era também o adversário de Bernardo neste domingo num duelo a contar para os quartos de final do Torneio Tarzan Taborda.
 
E assim se deu início ao opener, com Salvador na primeira fila. Bammer e Bernardo lutaram um pouco por todo o lado, o que levou a que jogassem com a possibilidade de vitória via contagem fora do ringue. Bernardo foi incisivo a procurar esse atalho para prosseguir na competição, mas também esteve perto de ver o feitiço virar-se contra o feiticeiro. Bammer sinalizou a vontade de aplicar a Bammer Bomb, que efetivamente não concretizou, mas acabou por alcançar o triunfo através de uma manobra com impacto semelhante, um Sunset Flip Powerbomb, após Salvador retirar um objeto metálico da mão de Bernardo.
 
 
Após o combate acabar, Bernardo abordou o filho de Salvador, sentado na primeira fila (onde já não estava Salvador), e foi travado pela mãe da criança. No entanto, Bernardo mostrou não ter qualquer tipo de problemas em meter as mãos em cima de mulheres e levou-a para o ringue, com o intuito de a atacar, mas Salvador lá reapareceu para a salvar. E tudo indica que haverá duelo entre Bernardo e Salvador no último show da temporada, a Batalha Final, a 14 de junho.


 
Seguiu-se um combate de tag team entre a equipa de Rúben Bento e do portista Drago G (que não esqueceu que estava em pleno day after do 31.º título nacional do FC Porto) e a dupla oficiosamente apelidada de Chillador, composta por Big Chill e Matador. A história da luta focou-se essencialmente na batotice de Bento e Drago G para obter vantagem e manter o mais inexperiente Matador como homem legal, de forma também a construir uma explosão de alegria aquando do hot tag em Big Chill. Depois de desistir sem que o árbitro visse quando Chill prendeu um Full Nelson, Bento deu a vitória à sua equipa na sequência de um Paydirt ao estilo de Shelton Benjamin e de um Stomp que ficou com mau aspeto. Para a Batalha Final ficou agendado um “I Quit” match (ou será um combate “Eu Desisto”?) entre Big Chill e Ruben Bento.
 
 
 
Para terminar a primeira parte, um autêntico main event antecipado, um combate tremendo entre o campeão Marcos Vitória e o candidato principal Paulo “Knockout” Cruz pelo Título de Honra do WP… e pela posição de candidato principal ao Título Nacional do Wrestling Portugal, um ingrediente extra anunciado à última hora por Korvo.
 
Foi um duelo bastante stiff, com chapadas com impacto audível e visível, potentes pontapés bem ao jeito do leiriense e Suplexes arriscados que me fizeram lembrar a terrível lesão de Big E. A luta ficou marcada por um spot em que Marcos atirou o adversário para cima de um amontoado de cadeiras (de esplanada), partindo inclusivamente uma; por uma atitude de vilão por parte de “Knockout”, aparentemente em processo de heel turn; e por um double pinfall, contado por Korvo (mais favorável ao triunfo de “Knockout”) e pelo árbitro sénior Mascarenhas (que ergueu o braço de Marcos minutos após ter sido involuntariamente pontapeado por “Knockout”).
 
Antes do combate, matutava que o Título de Honra poderia ser visto como um retrocesso para “Knockout”, mas também não o via a sofrer mais uma derrota.
 
 
 
Depois de um intervalo aproveitado por muitos dos presentes para efetuar troca de cromos para a caderneta do Wrestling Portugal, a segunda parte iniciou-se com a primeira semifinal do Torneio Tarzan Taborda, entre o “monstro da margem sul” Gomes e Arménio “Botas Fofas”. Embora ainda algo verde, o moçambicano é carismático e consegue de forma muito orgânica obter uma boa ligação com o público, um pouco à semelhança do que acontece com Paulinho, ainda que o algarvio esteja mais maduro em ringue. Embora tenha dado um ar de sua graça, Arménio foi derrotado com relativa rapidez, após um Chokeslam.
 
 
 
Ainda Gomes ia a caminho do backstage quando um dos seus companheiros da Alcateia, Luís Mestre, fez a entrada para iniciar o combate da outra semifinal do Torneio Tarzan Taborda, diante do já desgastado Bammer. Após uma interferência de Lobo Ibérico, Mestre preparava-se para um Tombstone Piledriver que possivelmente lhe garantiria a vitória quando as luzes se apagaram e voltaram a ligar. Distraído, permitiu a Bammer reverter para o assentamento que deu a vitória à “referência do wrestling nacional”.
 
 
Há muito que me parece irónico que Bammer, aos meus olhos um dos melhores no selling e um dos mais completos em ringue em Portugal, seja alguém que geralmente tem pela frente alguém muito mais pequeno, quando a diferença de estaturas convidava a um estilo menos híbrido, com mais powerhouse e a menos selling. Já com Bernardo tinha sido um pouco assim, mas frente a Gomes, na final, terá uma oportunidade de ouro de parecer mais legítimo sendo… ele próprio.  
 
Quanto a Mestre, pediu explicações e teve-as: o regresso do “diabo” Pégaso, a solução dos vídeos enigmáticos que circularam durante semanas nas redes sociais do WP. Uma grande satisfação ver um dos meus lutadores portugueses favoritos de sempre a voltar e também uma grande surpresa após o próprio ter rejeitado a possibilidade de um eventual regresso para breve. Eu “estava preparado para tudo, mas não estava preparado para isto” – os mais antigos entenderão. É de esperar que haja um combate entre os dois já na Batalha Final.
 
 
 
Para o fim ficou a primeira defesa de título do campeão nacional do WP, Damião, diante do ex-detentor do cinturão, Rafael Pedras. Foi um combate que teve momentos de altíssima qualidade, mas, talvez por ser um duelo entre babyfaces ou por ninguém acreditar que Damião perdesse o título, teve momentos de um indesejado silêncio. Damião ainda assumiu o papel de heel, mas tudo leva a crer que tenha sido algo improvisado e temporário para criar uma dinâmica diferente. Foi o segundo combate de Damião em menos de 24 horas, após ter lutado pelo Campeonato Nacional da APW na noite anterior em Portimão, e foi através de um segundo Coup de Grâce que alcançou o triunfo.
 
   
 
Contudo, o pé de Pedras estava nas cordas no momento do assentamento, o que, a juntar ao empate no duelo para determinar o candidato principal, levou à marcação de um combate Quadrilha Fatal entre Damião, Pedras, Marcos Vitória e “Knockout” para a Batalha Final. 



 


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