quinta-feira, 4 de janeiro de 2024

Onze ideal de jogadores que passaram por Vitória FC e Louletano

Louletano e Vitória competem no Campeonato de Portugal
O Vitória Futebol Clube é um histórico com mais de 70 participações na I Divisão e três Taças de Portugal e uma Taça da Liga no palmarés, enquanto o Louletano nunca esteve no patamar maior do futebol português, embora seja uma presença assídua nos patamares nacionais.
 
Apesar das divisões distintas a que estão habituados, sadinos e algarvios já se defrontaram por nove vezes em partidas oficiais – cinco vitórias para os de Setúbal, duas para os de Loulé e dois empates – e constam em simultâneo no currículo desportivo de cerca de duas dezenas de futebolistas.
 
Vale por isso a pena conferir o nosso onze ideal de futebolistas que passaram pelos dois clubes, distribuídos em campo num 4x4x2 clássico.
 

Jorge Amaral (guarda-redes)

Jorge Amaral
Começamos pelo único internacional A deste onze ideal, uma personalidade que hoje é mais conhecida por defender o FC Porto na CMTV, mas que foi um dos bons guarda-redes do futebol português entre o final da década de 1970 e o início dos anos 1990.
Depois de concluir a formação no Benfica e de passar pelos seniores de Sintrense e Marítimo, ingressou no Vitória de Setúbal no verão de 1979. Inicialmente viveu na sombra de Silvino, mas depois agarrou a titularidade, tendo amealhado 60 jogos pelos sadinos ao longo de três temporadas.
Valorizado pelas boas campanhas em Setúbal, somou duas internacionalizações pela seleção principal em outubro de 1981, em partidas referentes à fase de qualificação para o Mundial 1982, e deu o salto para o FC Porto no verão seguinte.
Mais tarde, já no final da carreira, defendeu a baliza do Louletano entre 1991 e 1993, numa altura em que os algarvios militavam na II Liga.
 
 

Bruno Bernardo (defesa central)

Bruno Bernardo
Defesa central que tem feito carreira nas divisões secundárias do futebol português, fez grande parte da formação no Benfica e concluiu-a no Belenenses, tendo depois passado pelos seniores de Atlético Cacém, Madalena, Portosantense, Sintrense, Vitória do Pico, Moura, Farense e Quarteirense antes de ingressar no Louletano em 2014-15.
Na única temporada que passou em Loulé foi titular indiscutível e contribuiu para o apuramento para a fase de promoção do Campeonato de Portugal à II Liga.
Entretanto passou duas vezes por Loures e Cova da Piedade e representou o Farense antes de ingressar no Vitória de Setúbal no verão de 2021, juntamente com o treinador Toni Pereira, que o havia orientado nos lourenses e nos piedenses.
Sempre titular nos jogos que disputou ao serviço dos sadinos, ajudou a equipa a atingir a fase de promoção da Liga 3 à II Liga.
 
 
 

Pedro Machado (defesa central)

Pedro Machado
Defesa central nascido na Amadora, mas radicado no Algarve desde tenra idade, concluiu a formação e iniciou o percurso como sénior no Louletano em 2014-15, tendo feito a estreia pela equipa principal aos 18 anos e dois meses, quando ainda tinha idade de júnior. Nessa época participou em 13 jogos no Campeonato de Portugal, coincidindo com Bruno Bernardo e contribuindo para o apuramento para a fase de promoção à II Liga.
Após passagens por Mirandela, Sertanense e Olhanense, regressou a Loulé em 2017-18, tendo sido utilizado como titular em 15 dos 19 jogos que disputou, mais uma vez numa época em que os algarvios militavam no Campeonato de Portugal.
Seguiram-se passagens por B SAD, Casa Pia, Oliveirense, Torreense e pelos romenos do Universitatea Craiova antes de assinar pelo Vitória de Setúbal em janeiro de 2022.
Em apenas meia época à beira-Sado cimentou o estatuto de titular indiscutível, tendo atuado em 13 jogos e apontado um golo, dando uma vitória ao cair do pano sobre o Fontinhas. No derradeiro encontro da época, fez um grande cruzamento para Zequinha que deu o 2-0 e, virtualmente, a permanência aos sadinos. Contudo, o Oliveira do Hospital marcou o golo que ditou a despromoção dos setubalenses e logo a seguir Pedro Machado cometido uma falta que lhe valeu a expulsão por cartão vermelho direto com o intuito de impedir que um adversário se isolasse.
 
 
 

Brigues (lateral direito)

Filipe Brigues
Lateral direito natural de Alcácer do Sal, começou a jogar futebol no Alcacerense, de onde saiu para as escolinhas do Vitória de Setúbal em 2000.
Em 2008-09 transitou para a equipa principal, tendo feito a estreia num jogo no Bonfim frente ao Benfica, pela mão de Carlos Cardoso, aos 18 anos e oito meses, tendo até ficado perto de marcar. Foi a única vez em que atuou nessa época. “Gostava de ter trocado a camisola com Aimar, mas paciência. Fiquei com a minha e vou guardá-la com carinho porque foi a que marcou o início da minha estreia na equipa de seniores”, afirmou à imprensa na altura.
Na temporada que se seguiu, participou em quatro partidas. Entretanto foi emprestado ao Santa Clara e depois foi fazendo carreira nas divisões secundárias, tendo passado por Marítimo B, Farense, União de Montemor, União de Leiria, Mafra, Olhanense e Vilafranquense. Pelo meio, um fugaz regresso à I Liga em 2018-19, com a camisola do Desp. Chaves.
Em 2020-21 representou o Louletano e foi quase sempre titular indiscutível no lado direito da defesa, tendo disputado 25 jogos no Campeonato de Portugal e contribuído para o apuramento para a fase de acesso à Liga 3.
Falhada a promoção à Liga 3, mudou-se para o Alverca.
 
 
 

Cerdeira (lateral esquerdo)

Cerdeira
Jogador polivalente, capaz de atuar em todas as posições da defesa e em algumas do meio-campo, é aqui colocado como lateral esquerdo apenas por uma questão de conveniência.
Nascido em Coimbra, formou-se no Sporting e chegou mesmo a representar a equipa principal dos leões entre 1976 e 1980, tendo conquistado um campeonato e uma Taça de Portugal.
No entanto, em Alvalade não jogava com regularidade e por isso assinou pelo Vitória de Setúbal em 1980. Numa altura em que os sadinos já não viviam no seu período áureo, Cerdeira disputou mais de 100 jogos e apontou pelo menos quatro golos pelos setubalenses em todas as competições ao longo de cinco temporadas.
Seguiram-se passagens por Marítimo e Cova da Piedade antes de representar o Louletano entre 1987 e 1990, tendo integrado a equipa que em 1988-89 ficou a escassos dois pontos da promoção à I Divisão.
 
 

Costa (médio defensivo)

Costa
Médio defensivo natural de Braga e com formação dividida entre Sp. Braga e FC Porto, foi internacional jovem português e inclusivamente conquistou o Campeonato da Europa de sub-16 em 1989, além de ter participado no Europeu de sub-16 também em 1990 e de ter competido no Campeonato do Mundo de sub-17 em 1989 e no Mundial de sub-20 em 1993.
Após passagens pelos seniores de Nacional, Ovarense e Felgueiras voltou ao FC Porto para se sagrar bicampeão nacional e conquistar uma Taça de Portugal, mas não se fixou no plantel portista e passou por Vitória de Guimarães e Rio Ave antes de ingressar no Vitória de Setúbal no final de 2000, numa altura em que os sadinos militavam na II Liga.
Em quatro anos no Bonfim amealhou 54 jogos em todas as competições, tendo contribuído para as promoções à I Liga em 2000-01 e 2003-04, embora se tenha mostrado impotente para impedir a descida à II Liga em 2002-03, curiosamente na época em que foi menos utilizado.
Seguiram-se aventuras no Desp. Chaves e no Trofense antes de representar o Louletano em 2007-08, numa temporada marcada pela despromoção à III Divisão.
 
 

Rui Esteves (médio centro)

Rui Esteves
Médio formado no Real Benfica, passou por TorreenseOlhanense antes de representar pela primeira vez o Louletano entre 1988 e 1990 na II Divisão Nacional, tendo integrado a equipa que em 1988-89 ficou a escassos dois pontos da promoção à I Divisão. “Fui para o Louletano, que era um clube muito forte financeiramente na altura, o treinador era o Manuel de Oliveira. Era só craques na equipa. O Louletano da II Divisão ia buscar jogadores ao Vasco da Gama, do Brasil, titulares e capitães de equipa. Eu tinha na equipa o Mauricinho que era internacional sub-21 no Brasil, e que sai do Louletano para o Espanhol de Barcelona; o Fernando, defesa central, era o capitão do Vasco da Gama; o Henrique no meio campo; o Gilmar que era o 10 do Flamengo, não jogava no Louletano, mas estava lá. Tínhamos grandes jogadores. Mas nunca conseguimos subir de divisão nas duas épocas em que lá estive”, afirmou à Tribuna Expresso em outubro de 2018.
Seguiu-se um ano no Farense antes de voltar a Loulé em 1991-92 para competir na II Liga, tendo ainda marcado um golo ao FC Porto numa eliminatória da Taça de Portugal.
Após um ano no Torreense deu o salto para o Vitória de Setúbal no verão de 1993. “Evidenciei-me no Torreense, eu e vários atletas e cada um foi para seu sítio. Para o Vitória veio comigo o Rosário. E há uma situação muito engraçada, porque nesse ano para subir de divisão estavam o Estrela da Amadora e o Vitória de Setúbal. E o último jogo do Torreense é aqui em Setúbal com o Vitória, que tinha de ganhar para subir à I Divisão. Eu já tinha assinado com o Vitória e na semana antes do jogo chamei o presidente do Torreense e o treinador, prof. Rui Mâncio, e disse-lhes: ‘Eu não quero jogar este jogo. Vocês multem-me, tirem-me o salário, eu não quero receber o meu ordenado, mas estou a ser sincero, eu no próximo ano quero jogar na I Divisão por isso quero que o Vitória ganhe o jogo. Querem que eu vá para o estádio fazer figura de quê se eu quero que o Vitória ganhe ao Torreense?’. Expus de tal maneria o problema que eles entenderam perfeitamente. Disse a verdade. E pronto, rescindi o contrato na hora e fui-me embora. Fui honesto”, revelou.
Embora só tenha estado um ano a vestir de verde e branco, aproveitou muito bem a temporada 1993-94 e o início da que se seguiu, ao participar em 32 encontros e faturar por três vezes, ajudando os sadinos a concluir o campeonato de 1993-94 da I Divisão em 6.º lugar.
No verão de 1994 deu o salto para o Benfica, mas nunca se impôs de águia ao peito.
Em 1995-96 esteve perto de voltar a jogar pelo clube de Setúbal, cidade onde continuou a viver, mas um volte-face de última hora empurrou-o para o Belenenses. “Estava já aqui e chego a acordo com o Vitória de Setúbal. Era o Quinito o diretor do futebol. Entretanto, estava no Algarve de férias, sossegadinho, e aparece num jornal: ‘Rui Esteves já não fica no Vitória’. Por causa de uma entrevista qualquer que eu tinha dado. Já não sei o que disse nessa entrevista, mas as pessoas interpretaram mal as coisas porque eu sempre quis voltar ao Vitória. Cheguei aqui e percebi que não era bem isso, que utilizaram a situação porque o treinador na altura não queria ficar comigo. Havia um jogador que era o Stepanovic, que vinha do Farense, e o treinador dizia que eu era igual a ele. Foi por aí. Mas arranjaram a desculpa da entrevista. Tudo bem, tranquilo. O João Alves soube o que se tinha passado e convidou-me para o Belenenses”, contou.
 
 

Baltazar (médio ofensivo)

Baltazar
Médio ofensivo natural de Castelo Branco, internacional jovem português e que jogou ao lado de Fernando Mendes, Litos e Futre na formação do Sporting, mudou-se para o Vitória de Setúbal em 1985-86, tendo participado em 16 jogos e marcado um golo em todas as competições numa época marcada pela descida à II Divisão após 25 anos no primeiro escalão.
Entretanto passou por União da Madeira, Académica, Olivais e Moscavide e Torreense antes de assinar pelo Louletano no verão de 1993, na altura para competir na II Liga.
Na única temporada que passou em Loulé foi uma das figuras da equipa, conseguindo evidenciar-se com sete golos em 37 jogos apesar da despromoção à II Divisão B. No final da época deu o salto para o Sp. Braga.
 
 

Manuel do Carmo (Médio ofensivo)

Manuel do Carmo
Médio ofensivo/extremo natural do Redondo, reforçou o Vitória no verão de 1998, proveniente do Lusitano Évora
No entanto, não foi muito feliz em Setúbal, uma vez que não foi além de um total de 16 jogos nas duas primeiras épocas no clube, ambas na I Liga. Em 2000-01 representou os sadinos na II Liga e disputou 15 partidas, tendo contribuído com um golo para a promoção ao primeiro escalão.
Após a subida de divisão esteve dois anos no Portimonense, regressando aos setubalenses em 2003-04 para participar em mais 27 encontros na II Liga e contribuir para nova subida de divisão.
Depois mudou-se para o Louletano, clube que representou durante uma época na II Divisão B.

 

Paulo Ribeiro (avançado)

Paulo Ribeiro
Avançado nascido no Luxemburgo, passou pelos juvenis do Vitória de Setúbal em 1985-86, tendo depois concluído a formação no Sporting e passado pelos seniores de Campomaiorense e União da Madeira antes de ingressar no Louletano no verão de 1990.
Em duas épocas em Loulé, ambas a competir na II Liga, somou cerca de 45 encontros e três golos.
No verão de 1992 mudou-se para o Estoril, tendo ainda representado a Ovarense antes de regressar aos sadinos pela porta da equipa principal em meados de 1995.
Em 1995-96 foi o goleador de serviço dos setubalenses numa campanha que culminou na promoção à I Liga, ao apontar 16 golos no campeonato do segundo escalão. Seguiu-se mais uma época no Bonfim, desta feita a competir no patamar maior do futebol português, mas sem o sucesso da anterior, despedindo-se do Vitória com cerca de 50 jogos e 20 golos.

 

Fernando Cruz (ponta de lança)

Fernando Cruz
Ponta de lança de elevada estatura (1,89 m) internacional jovem português, natural de Palmela e formado no Vitória de Setúbal, transitou para a equipa principal em 1979-80.
Na primeira passagem pela equipa principal dos sadinos, de três anos e meio, amealhou cerca de 90 encontros e 12 remates certeiros.
Valorizado pelas boas campanhas no Bonfim, deu o salto para o Sporting, mas nunca se impôs em Alvalade, tendo regressado aos vitorianos no verão de 1985. Apesar de uma boa época a nível individual em 1985-86, não conseguiu impedir a despromoção à II Divisão Nacional. Contudo, na temporada seguinte ajudou os setubalenses a regressar ao primeiro escalão. Nesta segunda passagem pelo Vitória, totalizou cerca de 45 jogos e 12 golos.
No verão de 1987 transferiu-se para o Farense, tendo ainda passado por Sp. Espinho e União da Madeira antes de ingressar no Louletano em 1992-93, época em que disputou 14 jogos na II Liga, não tendo marcado qualquer golo.
 
 
 

Manuel de Oliveira (treinador)

Manuel de Oliveira
Histórico treinador do futebol português que se estreou ao leme de uma equipa precisamente no clube no qual encerou a carreira de futebolista, a CUF, comandou ainda Leixões, Belenenses, Sanjoanense, Farense, Olhanense, Lusitano de Évora, Beira-Mar, Marítimo, Portimonense e União de Leiria antes de comandar o Vitória de Setúbal entre 1982 e 1986, já numa fase de menor fulgor dos sadinos. Em 1985-86 ficou mesmo associado à despromoção à II Divisão, que colocou um ponto final a um período de 24 anos consecutivos na I Divisão.
Depois de regressos ao Barreirense e ao Marítimo e de uma curta passagem pela seleção da Guiné-Bissau, orientou o Louletano durante o ano de 1988, na altura na II Divisão Nacional. 











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