sábado, 3 de janeiro de 2026

Os quatro internacionais cabo-verdianos que jogaram pelo Benfica

Quatro tubarões azuis jogaram de águia ao peito
A ligação entre Portugal e Cabo Verde continua a ser umbilical. E o futebol é reflexo disso: há jogadores nascidos nas ilhas cabo-verdianas que são internacionais por Portugal e há futebolistas que vieram ao mundo em solo português que jogam pela seleção de Cabo Verde.
 
Talvez por ainda haver uma certa cultura que faz com que muitos jogadores priorizem a equipa das quinas em detrimento dos tubarões azuis, a maior dos elegíveis para jogar por Cabo Verde que têm passado pelo Benfica optaram por representar Portugal. Porém, antes do recém-contratado Sidny Lopes Cabral houve outros quatro futebolistas internacionais A por Cabo Verde que jogaram pela equipa principal das águias.
 
Vale por isso a pena recordá-los.
 
Toy
O primeiro jogador a ter no currículo jogos pela seleção de Cabo Verde e pela equipa principal do Benfica é o antigo avançado Toy, nascido em Lisboa, mas com raízes cabo-verdianas.
Exemplo de subida a pulso na carreira, dividiu a formação entre Algés e Juventude União Vila Fria, ambos do concelho de Oeiras, e passou pelos seniores de Coruchense, Samora Correia e Sintrense, nos campeonatos distritais e nos nacionais não profissionais, antes de ingressar nos quadros dos encarnados em setembro de 1999.
A transferência para a Luz teve contornos algo polémicos, uma vez que o presidente do Sintrense, Adriano Filipe, não abdicou da compensação a que o clube tinha direito, o que terá levado o jogador a ameaça-lo de morte. Entretanto, as partes lá chegaram a um acordo: o Benfica B disputar um encontro particular com o Sintrense.
E foi precisamente pela equipa B das águias que Toy começou, tendo apontado sete golos em 23 jogos (16 a titular) na II Divisão B em 1999-00.
No final dessa temporada foi integrado nos trabalhos da equipa principal, então orientada por Jupp Heynckes, tendo atuado em dois particulares, mas foi em 2000-01 que se estreou oficialmente, ao disputar quatro partidas na I Liga e uma na Taça de Portugal (além de quase uma dezena de particulares). Paralelamente, somou três golos em oito encontros pela equipa na II B.
Em junho de 2001 foi dispensado e rumou ao Salgueiros.
Após passagens pelo Felgueiras e por clubes da Arábia Saudita, os bons desempenhos ao serviço do Olhanense na II Liga permitiram-lhe ser chamado à seleção principal de Cabo Verde, tendo feito a estreia num empate a um golo com o Luxemburgo em maio de 2008. Foi a primeira de cinco internacionalizações que somou, todas nesse ano.
 
 
Bebé
O senhor que se seguiu foi Tiago Correia, mais conhecido por Bebé. Tal como Toy, nasceu em Lisboa e fez grande parte da formação em pequenos clubes da periferia de Lisboa, nomeadamente Agualva e Loures, tendo concluído o percurso formativo e iniciado o percurso como sénior no Estrela da Amadora, na altura na II Divisão B.
Da Reboleira deu o salto para o Vitória de Guimarães, mas ainda antes de se estrear oficialmente pelos vimaranenses, no início da temporada 2010-11, foi contratado pelo Manchester United por um valor a rondar os nove milhões de euros. Algo aparentemente impensável para um jovem abandonado pelos pais e criado pela avó até se mudar para a Casa do Gaiato em Santo Antão do Tojal quando tinha apenas 12 anos.
Ainda chegou a atuar em sete jogos e a apontar dois golos pelos red devils, num período em que somou seis internacionalizações pela seleção de sub-21 de Portugal, mas nas épocas seguintes foi sucessivamente cedido. Após empréstimos a Besiktas, Rio Ave e Paços de Ferreira, assinou pelo Benfica em julho de 2014, por cerca de três milhões de euros.
Habitual segunda escolha, estreou-se oficialmente de águia ao peito com a conquista da Supertaça Cândido de Oliveira, num triunfo sobre o Rio Ave no desempate por penáltis, e atuou em mais cinco partidas, uma das quais na I Liga, o que lhe valeu no final dessa época o estatuto de campeão nacional. Contudo, pouco contribuiu para essa façanha, uma vez que em janeiro de 2015 foi cedido aos espanhóis do Córdoba.
Desde então que joga em Espanha, tendo somado mais de 160 partidas na I Liga Espanhola. Em março de 2022, numa altura em que representava o Rayo Vallecano, somou a primeira de 27 internacionalizações pela seleção principal de Cabo Verde, concretizando assim um namoro antigo. Ao longo deste percurso, aparentemente interrompido em novembro de 2024, marcou presença na edição de 2023 da Taça das Nações Africanas, ajudando os tubarões azuis a atingir os quartos de final.
 
 
 
Bruno Varela
Um percurso diferente teve Bruno Varela, guarda-redes nascido em Lisboa que fez a maior parte da formação no Benfica, tendo chegado do Ponte Frielas quando ainda tinha idade de infantil, e que somou 53 internacionalizações pelas seleções jovens de… Portugal.
Quando transitou para sénior, começou pela equipa B dos encarnados, mas depois esteve cedido aos espanhóis do Valladolid em 2015-16 e chegou a assinar a título definitivo pelo Vitória de Setúbal no início da temporada 2016-17. Enquanto esteve nos sadinos foi chamado à seleção principal de Portugal para os jogos da data FIFA de março de 2017, mas não foi utilizado.
Em 2017-18 voltou ao Benfica para assumir a titularidade da equipa principal, numa época em que atuou em 35 partidas e sofreu 28 golos em todas as competições. Pelo meio foi convocado para a seleção principal portuguesa para a data FIFA de setembro de 2017.
Contudo, os seus desempenhos nunca foram suficientemente convincentes, o que levou o Benfica a empresta-lo ao Ajax.
No verão de 2020 assinou a custo zero pelo Vitória de Guimarães, tendo voltado a ser chamado à seleção portuguesa para a data FIFA de outubro de 2020, mais uma vez sem jogar.
Cansado de esperar por Portugal, aceitou o convite para representar Cabo Verde, tendo somado a primeira de oito internacionalizações em outubro de 2023. Não jogou na qualificação para o Mundial 2026, mas tudo indica que será convocado para a fase final.
 
 
 
 
David Tavares
Por último, David Tavares, mais um caso de um internacional cabo-verdiano nascido em Lisboa, neste caso um médio centro com formação dividida entre Atlético Tojal, Loures, Sporting e Benfica, com nove internacionalizações pelas seleções jovens portuguesas.
Numa fase em que já contabilizava oito jogos pelos bês encarnados, foi lançado por Bruno Lage na equipa principal durante a segunda parte de um encontro para a Liga dos Campeões, em casa, diante do Leipzig (1-2), em setembro de 2019. Voltaria a ser lançado em circunstâncias idênticas três meses depois, numa partida da Taça da Liga frente ao Vitória de Setúbal no Bonfim (2-2).
Entretanto esteve cedido ao Moreirense, voltou à Luz para integrar a equipa B e transferiu-se para o Famalicão no verão de 2021. Numa fase em que até estava a jogar pouco pelos famalicenses foi chamado à seleção de Cabo Verde, pela qual somou a primeira de cinco internacionalizações em junho de 2023.
Já não joga pelos tubarões azuis desde setembro de 2024 e não é convocado desde março de 2025, pelo que dificilmente estará no Mundial 2026.
 
 
 
Além destes, há outros internacionais A por Cabo Verde que pertenceram aos quadros do Benfica, ainda que sem jogar oficialmente pela equipa principal, nomeadamente Duk, Carlos Ponck, Hildeberto Pereira, Heriberto Tavares, Djaniny, Iuri Tavares, Kevin Oliveira, Kay, Fábio Silva, Rodolfo Lima, Rony Santos, Cláudio Tavares, Vasco Lopes, José Rui, Jojó, Diogo Mendes, David Costa, Veiga, Thierry Graça e Gilson Benchimol



 
 
 





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