terça-feira, 1 de agosto de 2023

Os 10 jogadores com mais jogos pelo Boavista na II Liga

Boavista competiu na II Liga em 2008-09 e foi despromovido
Fundado a 1 de agosto de 1903 por elementos da comunidade inglesa radicada no Porto, ligada ao vinho do Porto (Casa Graham"s), o Boavista Futebol Clube começou por se chamar Boavista Footballers e viveu o ponto alto da sua história em 2000-01, quando conquistou o título nacional.
 
Porém, o clube foi perdendo a ligação às raízes dos fundadores. “O ascendente britânico no clube levantou problemas logo em 1905, porque os jogadores portugueses da equipa queriam jogar ao domingo, enquanto os britânicos preferiam, claro, o sábado. E assim, em 1909, os ingleses saíram da direção do clube e este mudou o nome para Boavista Futebol Clube. Entretanto, já o clube jogava em terrenos localizados na zona do Bessa, onde ainda hoje está localizado o seu estádio”, contou João Nuno Coelho ao Diário de Notícias.
 
Os boavisteiros conquistaram a primeira edição do campeonato regional do Porto, em 1913-14, numa altura em que ainda equipavam somente de preto, uma vez que passaram a utilizar a camisola xadrez apenas nos anos 1930, “uma excentricidade que tornaria o clube mais conhecido, mesmo à escala internacional, quando nos anos 1990 conseguiu boas campanhas nas competições europeias” e ganhou a alcunha de “clube das camisolas esquisitas”.
 
Embora já contabilizasse mais de uma dezena de participações na I Divisão até então, foi no pós-25 de abril que os axadrezados viveram os seus períodos áureos em termos desportivos. O Boavista viveria até à década de 1970 entre a primeira e a segunda divisão, mas a partir de então, graças ao trabalho do seu novo presidente, Valentim Loureiro, e do treinador José Maria Pedroto, conseguiria tornar-se um dos clubes que mais batiam o pé aos grandes do futebol português, ganhando inclusivamente cinco Taças de Portugal em seis finais. E, mais importante do que isso, o Boavista conseguiu uma proeza improvável quando em 2000-01 alcançou o título nacional.
 
Entretanto, em 2008 o Boavista foi despromovido na secretaria à II Liga, na sequência do caso Apito Dourado, tendo competido no segundo escalão em 2008-09, numa campanha que culminou na descida à II Divisão B.
 
Vale por isso a pena recordar os dez jogadores com mais jogos pelo Boavista na II Liga.
 

10. Sérgio Leite (22 jogos)

Sérgio Leite
Guarda-redes natural do Porto e formado no Boavista, foi uma das grandes promessas das balizas portuguesas, tendo passado por quase todas as seleções jovens, conquistado o Campeonato da Europa de sub-16 em 1996 e participado em torneios como os Europeus de sub-18 em 1997 e 1998, o Mundial de sub-20 em 1999 e o Europeu de sub-21 em 2002.
Quando transitou para sénior, face à concorrência de Ricardo e do camaronês William, esteve cedido a emblemas como Maia, Sp. Espinho, Penafiel e Leça. Depois desvinculou-se e passou pela Ovarense, assim como pelos ingleses do Charlton e do Hull City, pelos romenos do Brasov e do Vaslui e pelos cipriotas do Atromitos antes de voltar ao Bessa no verão de 2008.
Na temporada de regresso aos axadrezados atuou em 22 partidas e sofreu 30 golos na II Liga, mostrando-se impotente para impedir a descida à II Divisão B.
Após a despromoção mudou-se para o Gondomar.
 
 
 

9. Diogo Fernandes (23 jogos)

Diogo Fernandes
Lateral direito brasileiro, ingressou no Boavista no verão de 2008, proveniente do modesto Bacabal.
Muitas mais vezes lançado como suplente utilizado do que no onze inicial na única época que passou no Bessa, participou em 23 jogos (mas apenas cinco na condição de titular) na II Liga e apontou dois golos, diante de Vizela e Olhanense, insuficientes para impedir a descida à II Divisão B.
Após a despromoção mudou-se para o Ituiutaba.
 
 
 

8. Ivan Santos (24 jogos)

Ivan Santos
Extremo nascido em Espinho que começou a jogar nas camadas jovens do Sp. Espinho, ingressou nos juvenis do Boavista em 2004-05, tornando-se depois internacional sub-19, tendo marcado presença no Campeonato da Europa da categoria em sub-17.
Em 2007-08 transitou para a equipa principal e depois foi contratado pelo Benfica, que o cedeu aos axadrezados. Na época que se seguiu participou em 24 encontros (sete a titular) na II Liga, mostrando-se impotente para impedir a descida à II Divisão B.
Após a despromoção voltou às águias, que o emprestaram ao Carregado.
 
 
 

7. Adriano (28 jogos)

Adriano
Extremo brasileiro que chegou a Portugal pela porta do Nacional, foi emprestado pelos madeirenses ao Boavista em 2008-09.
Nessa temporada participou em 28 partidas (24 a titular) na II Liga e faturou por três vez, diante de Freamunde, Santa Clara e Sp. Covilhã, insuficientes para impedir a descida à II Divisão B.
Após a despromoção terminou também a ligação contratual aos insulares e regressou ao Brasil, mas haveria de voltar a representar os axadrezados em 2012-13, na altura para competir na II B.
 
 
 

6. João Tomás (28 jogos)

João Tomás
Disputou o mesmo número de jogos de Adriano, mas amealhou mais 417 minutos em campo – 2260 contra 1843.
Ponta de lança internacional português que passou por modestos clubes da região Centro antes de despontar na Académica, passou por Benfica, Betis, Vitória de Guimarães e Sp. Braga, assim como por dois clubes do Qatar, quase sempre com muitos golos para amostra, antes de ingressar no Boavista no verão de 2008.
No Bessa fez o que sabia fazer melhor: faturar. Em 28 partidas (26 a titular) na II Liga, somou 12 remates certeiros – só Djalmir (Olhanense), com 20; e Cássio (União de Leiria), com 16, fizeram melhor. As vítimas do avançado natural de Oliveira do Bairro foram Vizela, Beira-Mar, União de Leiria (dois), Gondomar (dois), Estoril (três), Varzim, Freamunde e Santa Clara. Contudo, foram insuficientes para impedir a descida à II Divisão B.
Após a despromoção transferiu-se para o Rio Ave.
 
 
 

5. Pedro Moreira (28 jogos)

Pedro Moreira
Disputou o mesmo número de jogos de Adriano e João Tomás, mas amealhou mais minutos em campo: 2461.
Médio natural de Lousada, ingressou nos infantis do Boavista em 2001-02 e transitou para a equipa principal em 2007-08, quando ainda era júnior.
Na temporada que se seguiu participou em 28 partidas (todas como titular) e apontou dois golos ao Feirense na II Liga, não conseguindo evitar a descida à II Divisão B.
Após a despromoção continuou ligado contratualmente aos axadrezados por mais três anos, mas esteve emprestado a Gil Vicente e Portimonense. Durante esse período estreou-se pela seleção nacional de sub-21.
No verão de 2012 deu o salto para o FC Porto, mas apenas jogou pela equipa B dos dragões.
 
 

4. Sidnei (29 jogos)

Sidnei
Extremo brasileiro proveniente do modesto Bandeirante, ingressou no Boavista no verão de 2008.
Na única temporada que passou no Bessa participou em 29 jogos (todos como titular) na II Liga e apontou quatro golos, diante de Beira-Mar, Varzim, Oliveirense e Olhanense, registo insuficiente para evitar a descida à II Divisão B.
Após a despromoção transferiu-se para o Rio Ave.
 
 
 

3. Rui Lima (29 jogos)

Rui Lima
Disputou o mesmo número de jogos de Sidnei, mas amealhou mais 140 minutos em campo – 2521 contra 2381.
Médio ofensivo/extremo portuense bastante dotado tecnicamente, prometeu muito e fez um trajeto bastante razoável nas ligas profissionais, mas teve uma carreira que não conseguiu ser proporcional ao talento que possuía.  Internacional jovem português em mais de 40 ocasiões e formado no Boavista, nunca conseguiu afirmar-se no clube que o formou em contexto de I Liga.
Depois de empréstimos a Gondomar, Desp. Aves, Desp. Chaves e Vitória de Setúbal e de passagens pelo Beira-Mar e pelos cipriotas de Omonia e Nea Salamis, regressou ao Bessa no verão de 2008.
“Tinha sido submetido a uma intervenção cirúrgica a uma hérnia inguinal, recuperei e surgiu-me o Boavista. Mesmo com o clube a atravessar uma fase difícil e muito complicada, era o Boavista, e eu não podia dizer que não. As pessoas demonstraram muita vontade em contar comigo, seríamos quatro ou cinco jogadores mais velhos e o resto seria malta mais nova que estava a aparecer, como o Pedro Moreira e o Bruno Monteiro, mas o objetivo, como era lógico, era subir. Era o Boavista e só se podia pensar nisso”, recordou ao portal Conversas Redondas em maio de 2020.
Nesta derradeira passagem pelos axadrezados, aos 30 anos, disputou 29 partidas (todas como titular) na II Liga e somou três remates certeiros, diante de Estoril, Santa Clara e Desp. Aves, insuficientes para impedir a descida à II Divisão B.
“Foi uma época muito complicada, tivemos muitas dificuldades, principalmente a nível de salários em atraso, e não tínhamos grandes condições. Lembro-me que até se fez um jogo amigável com o Benfica, salvo erro chamaram-lhe TMN Cup, e esse jogo até serviu para amenizar algumas dificuldades. Chegámos a ter alguns jogadores a fazer greve aos treinos em forma de protesto e era muito complicado para mim assistir a tudo isso”, lembrou.
“Foi um choque tremendo não só para mim, como também para o Jorge Silva e para o Sérgio Leite, porque estivemos presentes nos momentos áureos, quando o clube era um grande e nada faltava, entrávamos no estádio e víamos tudo aceso, tudo ocupado, trabalhavam cerca de 70 pessoas na área dos recursos humanos, era uma coisa incrível, e naquele ano a realidade era totalmente diferente. Eu às vezes ia aos pisos de baixo e até tinha medo de lá ir porque não andava lá ninguém. Era muito complicado para mim tudo aquilo porque depois de tantos momentos marcantes, estava a ver a queda de perto, via tudo escuro e tudo desocupado lá em baixo, e isso dava-me uma tristeza tremenda depois de tudo o que lá tinha vivido. As pessoas nem sonham o que passámos. Tomámos algumas vezes banhos de água fria, por exemplo. E não há como negar nem tapar com panos: nessa época, em dez meses de trabalho, eu recebi três meses e meio. E tive até uma possibilidade de sair para o Azerbaijão, mas acabei por ficar até ao fim”, acrescentou, recordando a derrota na última jornada, que ditou a descida de divisão.
“Na penúltima jornada vamos ao Estoril, o João Tomás estava com quatro amarelos e o árbitro, ainda no túnel, já estava a falar para ele e a avisá-lo, sabe-se lá porquê. Já sabíamos que não o íamos ter para o último jogo. Ficámos privados da nossa referência, de um jogador mais do que importante, do nosso homem golo e a pressão de ter de ganhar no último jogo reflete-se em jogadores pouco experientes, é normal. Sem o João Tomás a manta ficou mais curta. As pessoas compareceram ao jogo, estava meia casa se calhar, mas a equipa vacilou. Contudo, há um momento marcante: perdemos 1-4 [diante do Sp. Covilhã], mas o estádio todo aplaudiu porque tinham noção do que passamos. E quando saí do parque de estacionamento com o meu filho atrás e a minha mulher ao lado, os adeptos obrigaram-me a sair para me abraçar. Trouxe uns 15 ou 20 cachecóis oferecidos por eles, chorei com eles e foi um momento marcante porque cresci naquele clube e tinha passado momentos de muita alegria e agora estava a viver o momento mais complicado da história do clube”, prosseguiu.
Após a despromoção voltou a aventurar-se no futebol cipriota.
 
 

2. Bruno Monteiro (29 jogos)

Bruno Monteiro
Disputou o mesmo número de jogos de Rui Lima e Sidnei, mas amealhou mais minutos em campo: 2610.
Médio defensivo natural de Fafe e que despontou no Fafe, deu o salto para o Boavista no verão de 2002.
Na única temporada que passou no Bessa foi utilizado em 29 encontros (todos como titular) na II Liga, mostrando-se impotente para impedir a descida à II Divisão B.
Após a despromoção transferiu-se para o Vitória de Setúbal.
 
 



1. Gilberto (30 jogos)

Gilberto Silva
Médio defensivo natural de Guimarães e internacional jovem português formado no Boavista, marcou presença no Campeonato da Europa de sub-17 em 2004 e no ano seguinte chegou a ser convocado para jogos da equipa principal, pela qual só se haveria de estrear em 2007-08, depois de uma passagem por empréstimo ao Penalva do Castelo.
Depois da estreia pelos axadrezados na I Liga e de uma internacionalização pela seleção de sub-21, em 2008-09 esteve em campo em todos os 30 jogos do campeonato da II Liga, sempre como titular e quase sempre adaptado a lateral esquerdo. Contudo, mostrou-se impotente para impedir a descida à II Divisão B.
“Todos sabíamos das dificuldades que estávamos a atravessar, todas as indefinições que havia e principalmente o grupo que ainda não estava definido. Faltavam reforços e isso foi um dos motivos pelos quais eu continuei a defesa, e neste caso a defesa esquerdo, que era uma posição totalmente desconhecida para mim, mas pela equipa e principalmente pelo clube sacrifiquei-me, sendo uma situação de recurso que foi para toda a época, e penso que foi um erro para mim, porque fiquei muito longe daquilo que valho e penso que as pessoas não foram capazes de avaliar essa situação. Muitas vezes fui contestado e o meu valor foi posto em causa”, afirmou ao portal Fintar a Bola em abril de 2011.
Após a despromoção mudou-se para os cipriotas do Ermis Aradippou.
 





 
 






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