quarta-feira, 10 de maio de 2023

Os 10 jogadores com mais jogos pelo Rio Ave na II Liga

Equipa do Rio Ave que jogou na II Liga em 1991-92
Fundado a 10 de maio de 1939, o Rio Ave Futebol Clube foi o nome escolhido por um grupo de vila-condenses para batizar o clube desportivo que estavam a formar, preterindo assim as designações Vilacondense Futebol Clube e Vila do Conde Sport Club.
 
A primeira direção do clube teve pela frente a árdua tarefa de encontrar jogadores, equipamentos e um estádio. A 29 de janeiro do ano seguinte surgiu o primeiro estádio dos rioavistas, designado de Estádio da Avenida, por se situar na Avenida Baltazar Couto. E já na década de 1940 apareceram os primeiros títulos, os de campeão promocional da AF Porto (1941-42) e de campeão regional da III Divisão da AF Porto (1942-43).
 
Nos anos 1950 o Rio Ave conseguiu pela primeira vez chegar aos campeonatos nacionais, mas foram quase necessários mais 30 anos para chegar à I Divisão. Esse feito foi alcançado em 1979 – dois anos antes o clube estava na III Divisão e seis anos antes participava nas competições distritais.
 
A década de 1980 ficou marcado por um dos momentos altos da história dos vila-condenses, a participação na final da Taça de Portugal (1983-84), mas também pelo início de um percurso oscilante, com várias subidas e descidas de divisão.
 
Porém, após a promoção em 2008 conseguiu estabelecer-se como nunca no patamar maior do futebol nacional. Desde então que passou a ser sempre um sério candidato aos lugares de acesso às provas europeias, tendo alcançado já por três vezes o apuramento para a Liga Europa. Em 2014 fê-lo através do estatuto de finalista vencido da Taça de Portugal e em 2016, 2018 e 2020 por via de boas classificações na I Liga – o sexto lugar no primeiro caso e a quinta posição no segundo e no terceiro. Pelo meio, foi também finalista vencido da Taça da Liga e da Supertaça Cândido de Oliveira em 2014.
 
Contudo, em 2020-21 os vila-condenses foram surpreendentemente despromovidos ao segundo escalão, ao qual regressaram na época que se seguiu para somar a 11.ª presença e o terceiro título (depois de 1995-96 e 2002-03) na competição – em 2007-08 também alcançaram a promoção à I Liga, mas na condição de segundo classificado.
 
Vale por isso a pena recordar os dez jogadores com mais jogos pelo Rio Ave na II Liga.
 
 

10. Miguelito (75 jogos)

Miguelito
Lateral/médio esquerdo natural da Póvoa de Varzim e formado no Rio Ave, transitou para a equipa principal em 1999-00, numa altura em que os vila-condenses estavam na I Liga, estreando-se num jogo oficial aos 18 anos e seis meses, curiosamente uma receção ao Benfica, clube que viria a representar anos mais tarde.
Na primeira época nos seniores rioavistas mostrou-se impotente para impedir a despromoção à II Liga, mas participou na caminhada até às meias-finais da Taça de Portugal e tornou-se internacional português pelos sub-18 – anos depois, representou também as seleções nacionais sub-20, sub-21 e B, tendo participado no Torneio de Toulon de 2001.
Entre 2000 e 2003 totalizou 75 encontros (60 a titular) e quatro golos na II Liga, ajudando o Rio Ave a sagrar-se campeão do segundo escalão em 2002-03.
Haveria de permanecer no clube até 2005, rumando depois ao Nacional.
 
 
 
 

9. Emanuel (90 jogos)

Emanuel
Médio natural de Vila do Conde, concluiu a formação no Rio Ave e transitou para a equipa principal em 1993-94.
Entre 1993 e 1996 somou 71 partidas (35 a titular) e cinco golos na II Liga, tendo celebrado a conquista do título do segundo escalão e consequente promoção à I Liga em 1995-96.
Nas três épocas que se seguiram representou os vila-condenses no patamar maior do futebol português, antes de rumar ao Boavista no verão de 1999.
Em dezembro de 2000 voltou aos rioavistas, por empréstimo dos axadrezados, tendo atuado em 19 jogos (15 a titular) na II Liga durante meia época de caravela ao peito. “Trata-se de um clube pelo qual nutro um carinho especial, pois é da minha terra e foi nele que me lancei”, afirmou ao jornal Record na altura do regresso.
No verão de 2001 transferiu-se para o Desp. Aves.
 
 
 

8. Bruno Mendes (93 jogos)

Bruno Mendes
Defesa central natural do Carregado, ingressou no Rio Ave no verão de 2001, proveniente do Campomaiorense, depois de ter despontado no Vilafranquense.
Entre 2001 e 2003 totalizou 52 encontros (51 a titular) e um golo na II Liga, tendo celebrado a conquista do título do segundo escalão e consequente promoção à I Liga em 2002-03.
Após três épocas no primeiro escalão com algumas dificuldades em impor-se como titular, em 2005-06 mostrou-se impotente para impedir a descida à II Liga, patamar em que somou mais 41 jogos (todos como titular) nas duas épocas que se seguiram, tendo festejado novamente uma subida à I Liga em 2007-08.
Haveria de permanecer no emblema vila-condense até 2010, tendo contribuído para a caminhada até às meias-finais da Taça de Portugal em 2009-10.
 
 
 

7. Gabriel Neto (106 jogos)

Gabriel Neto
Lateral direito natural de Matosinhos e que concluiu a formação no FC Porto, mudou-se para o Rio Ave quando transitou para sénior, no verão de 1991, numa altura em que o treinador dos vila-condenses era Augusto Inácio, que havia orientado os juniores dos dragões na época anterior e que levou para os Arcos outros jogadores oriundos da formação portista como Jorge Silva, Rui Jorge, Cao, Tulipa, Bino, Freitas e Gamboa.
Entre 1991 e 1995 amealhou 105 partidas (104 a titular) e oito golos na II Liga, tendo contribuído para a caminhada até aos quartos de final da Taça de Portugal em 1993-94.
Em 1995-96 esteve ao serviço do Nacional, mas entre 1996 e 1998 voltou a jogar de caravela ao peito, desta feita na I Liga.
No verão de 1998 mudou-se para o Desp. Aves, mas haveria de regressar a Vila do Conde em 2000-01, já após uma passagem pelo Freamunde, para disputar um jogo na II Liga nessa temporada.
No verão de 2001 voltou ao Freamunde.
 
 

6. Camberra (110 jogos)

Camberra
Médio luso-angolano de características defensivas, ingressou no Rio Ave no verão de 1992, proveniente do Gil Vicente, depois de passagens por Atlético e Ovarense.
Nas quatro primeiras épocas em Vila do Conde totalizou 110 encontros (97 a titular) e três golos na II Liga, tendo participado na caminhada até aos quartos de final da Taça de Portugal em 1993-94 e festejado a conquista do título do segundo escalão e consequente promoção à I Liga em 1995-96.
Haveria de permanecer no emblema rioavista até ao final de 1998, quando se transferiu para o Leça.
 
 


5. Carlos Brito (126 jogos)

Carlos Brito
Defesa central que havia jogado no Boavista e no Salgueiros, ingressou no Rio Ave em 1990-91, época marcada pela obtenção do primeiro lugar na Zona Norte da II Divisão B e consequente promoção à II Liga.
Entre 1991 e 1996 amealhou 126 encontros (122 a titular) e quatro golos na II Liga, tendo participado na caminhada até aos quartos de final da Taça de Portugal em 1993-94 e festejado a conquista do título do segundo escalão e consequente subida à I Liga em 1995-96.
Após a promoção ao primeiro escalão encerrou a carreira de futebolista, aos 32 anos, e iniciou a de treinador. Começou por ser adjunto da equipa principal, mas depois assumiu mesmo o comando técnico dos vila-condenses, tendo dirigido o Rio Ave em 364 jogos em três períodos (entre janeiro de 1997 e maio de 2000, entre novembro de 2002 e maio de 2005 e entre novembro de 2008 e maio de 2012), tendo guiado os rioavistas ao título da II Liga em 2002-03 e às meias-finais da Taça de Portugal em 1999-00 e 2009-10.
 
 
 

4. Gamboa (141 jogos)

Gamboa
Extremo natural de Póvoa de Varzim e que concluiu a formação do FC Porto, foi um dos vários jogadores oriundos dos juniores dos dragões que Augusto Inácio levou para o Rio Ave em 1991-92.
Nas primeiras cinco temporadas de caravela ao peito totalizou 141 partidas (129 a titular) e 21 golos na II Liga, tendo participado na caminhada até aos quartos de final da Taça de Portugal em 1993-94 e festejado a conquista do título do segundo escalão e consequente subida à I Liga em 1995-96.
Haveria de permanecer em Vila do Conde até janeiro de 1997, quando se mudou para o Sp. Braga.
 
 
 

3. Niquinha (141 jogos)

Niquinha
Disputou o mesmo número de jogos de Gamboa, mas amealhou mais 982 minutos em campo – 11 773 contra 10 791.
Médio centro brasileiro com capacidade para jogar a lateral direito, chegou a Vila do Conde em 1997 como um brasileiro desconhecido proveniente dos campeonatos estaduais do seu país e despediu-se em 2009 como o “senhor Rio Ave”.
Titular indiscutível durante praticamente todos os 12 anos que passou nos Arcos, começou por jogar de caravela ao peito na I Liga, mostrando-se impotente para impedir a despromoção em 1999-00, época também marcada pela caminhada até às meias-finais da Taça de Portugal.
Entre 2000 e 2003 totalizou 91 encontros (87 a titular) e quatro golos na II Liga, tendo festejado a conquista do título do segundo escalão e consequente subida à I Liga em 2002-03.
Depois de três épocas no patamar maior do futebol português, somou mais 50 jogos (45 a titular) e três golos na II Liga entre 2006 e 2008, tendo contribuído para a promoção à I Liga em 2007-08.
Haveria de se despedir do clube em 2009, à beira de completar 38 anos, tendo depois regressado ao Brasil para encerrar a carreira.  “As boas memórias do Rio Ave são todos os dias em que trabalhei com essa camisola”, afirmou ao jornal O Jogo em maio de 2022.
“Como posso esquecer as pessoas que, com carinho, me receberam tão bem, de braços abertos? Quem joga no Rio Ave jamais esquecerá. Muito obrigado a todos vilacondenses, vocês estarão sempre no meu coração”, confessou anteriormente, em setembro de 2011, em entrevista ao blogue Reis do Ave.
 
 
 

2. Evandro (146 jogos)

Evandro
O melhor marcador de sempre do Rio Ave na II Liga, com 51 golos.
Possante atacante brasileiro (1,86 m) capaz de atuar nas alas ou no eixo do ataque, chegou a Vila do Conde no verão de 2000.
Nas primeiras três temporadas de caravela ao peito totalizou 90 partidas (75 a titular) e 41 remates certeiros na II Liga, tendo festejado a conquista do título do segundo escalão e consequente subida à I Liga em 2002-03.
Após três anos no patamar maior do futebol português, somou mais 56 jogos (53 a titular) e dez golos na II Liga entre 2006 e 2008, tendo marcado o golo decisivo, ao Feirense, que valeu a promoção à I Liga em 2007-08. “Nunca o esquecerei. Foi um dos melhores momentos que vivi no futebol. Nunca desistimos e tive a felicidade de fazer o golo que deu uma grande alegria a todos os rioavistas. O clube estava numa situação complicada financeiramente e a subida trouxe tranquilidade para crescer”, afirmou ao jornal O Jogo em março de 2022.
Haveria de permanecer no emblema rioavista até meados de 2010, quando já tinha 36 anos, regressando depois ao Brasil para encerrar a carreira. “Vivi no clube o melhor período da minha vida, tenho dois filhos portugueses e tenho sempre presente a lembrança do Ri
o Ave
e de Vila do Conde”, confessou Evandro, que se despediu após uma época em que os vila-condenses atingiram as meias-finais da Taça de Portugal.
 
 
 

1. Gama (229 jogos)

Gama
Augusto Gama nasceu em Lanhas, no concelho de Vila Verde, e fez toda a formação no Sp. Braga, mas foi em Vila do Conde com a camisola do Rio Ave que se notabilizou. Sem espaço na equipa principal dos bracarenses, embora tivesse o estatuto de internacional português pelas seleções jovens, o extremo chegou aos Arcos no verão de 1992 e desde então que tem representado os rioavistas, primeiro como jogador e agora como treinador.
As quatro primeiras épocas foram passadas na II Liga, patamar em que amealhou 122 encontros (96 a titular) e 26 golos entre 1992 e 1996, tendo celebrado a conquista do título do segundo escalão e consequente promoção à I Liga em 1995-96.
Entre 1996 e 2000 jogou de caravela ao peito no patamar maior do futebol português, mostrando-se impotente para impedir a despromoção em 1999-00, época também marcada pela caminhada até às meias-finais da Taça de Portugal.
Nas três temporadas que seguiram somou mais 99 partidas (91 a titular) e 15 remates certeiros na II Liga, voltando a festejar a conquista do título do segundo escalão em 2002-03.
Depois de ter voltado à I Liga entre 2003 e 2006, em 2006-07 atuou em oito partidas (apenas uma a titular) na II Liga, naquela que foi a sua última temporada como futebolista profissional, tendo pendurado as botas aos 37 anos.
Depois iniciou o seu percurso de treinador, estando desde 2010-11 na equipa técnica do plantel principal, tendo em 2018-19 assumido interinamente o cargo de treinador principal durante três jogos, entre a saída de José Gomes e a entrada de Daniel Ramos.
 




 








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