Potente e possante ponta de lança
(1,90 m) nascido a 4 de março de 1981 em Kinshasa, no antigo Zaire, atual
República Democrática do Congo, veio para Portugal ainda criança, para
acompanhar o pai. Começou por viver em Matosinhos, mas foi em Setúbal que começou
a jogar futebol, nas camadas jovens do Vitória.
Depois prosseguiu a formação no Desp.
Chaves e no Vitória
de Guimarães, com uma passagem pelo Brito pelo meio, mas quando transitou
para sénior Jorge Mendes levou-o para o Salamanca. Na segunda metade da primeira
época em Espanha esteve emprestado ao Leganés,
tendo apontado quatro golos em 13 jogos no campeonato que ajudaram a equipa
da região de Madrid a assegurar a permanência na II Liga.
Na temporada seguinte regressou
ao Salamanca e desatou a marcar golos, tendo faturado por 20 vezes no segundo
escalão espanhol, um registo apenas suplantado por Diego Alonso, do Atlético
Madrid (22) – para trás ficou o contemporâneo David Villa, então no
Sporting Gijón (18). Os bons desempenhos valeram-lhe
as primeiras internacionalizações por Portugal, no caso pela seleção
de sub-21, que veio a representar no Europeu da categoria em 2002. Também
foi cobiçado por alguns clubes importantes no panorama europeu, mas foi
aconselhado pelo pai, que havia jogado em França, a transferir-se para o
Nantes, que um ano antes se tinha sagrado campeão gaulês. Não teve vida fácil na Ligue
1, com apenas um golo (ao Mónaco)
em 18 jogos no campeonato em 2002-03, o que levou a ser cedido ao Valladolid,
então na I
Liga Espanhola, na época seguinte. E voltou a dar-se bem com os ares de
Espanha, uma vez que levava oito golos no campeonato até 25 de janeiro de 2004,
quando uma grave lesão no joelho o afastou dos relvados durante quase um ano.
Tinha acabado de se estrear pela seleção B e o Euro 2004
estava à porta.
Ainda assim, foi contratado pelo Sevilha,
por 3,5 milhões de euros, no verão de 2004, apesar de os andaluzes
saberem de antemão que só podiam contar com ele na segunda metade da época. Estreou-se somente a 8 de janeiro de 2005,
tendo apontado três golos em 18 jogos nessa temporada.
Em 2005-06 voltou a vivenciar
lesões graves, o que aliado à concorrência de avançados como Luís
Fabiano, Javier Saviola e Frédéric Kanouté fez com que não fosse além de um
jogo disputado nessa época. Porém, como esse encontro foi para a Taça
UEFA, os 13 minutos que esteve em campo valeram-lhe o estatuto de vencedor
do troféu, que os sevilhistas
viriam a conquistar ao bater no Middlesbrough
na final. Em agosto de 2006 foi emprestado
ao recém-promovido Nàstic de Tarragona, mas não foi além de um golo em 14 jogos,
não conseguindo impedir a descida de divisão.
Numa fase de alguma descrença nas
suas qualidades, Makukula foi emprestado ao Marítimo
na primeira metade de 2007-08 e reativou a veia goleadora.
Numa altura em que levava quatro
remates certeiros em seis jogos no campeonato foi chamado por Luiz
Felipe Scolari à seleção
nacional A, estreando-se com um golo numa vitória no Cazaquistão (2-1) a 17
de outubro de 2007. Algo impensável para quem, dois anos e meio antes, havia
tentado jogar pela República
Democrática do Congo, seu país de nascença, tendo esbarrado nos
regulamentos da FIFA. Até fevereiro de 2008 somou mais três internacionalizações,
mas não voltou a faturar.
Em janeiro de 2008 transferiu-se
para o Benfica,
que pagou 3,5 milhões de euros ao Sevilha,
mas não foi além de dois golos em oito jogos de águia ao peito. Ainda foi opção
para José Antonio Camacho, mas não para Fernando
Chalana e Quique Flores, que preferiam Oscar Cardozo, Nuno Gomes e, em
2008-09, David
Suazo.
No primeiro semestre de 2009
esteve emprestado aos ingleses do Bolton, pelos quais não chegou a marcar, a na
época seguinte foi cedido aos turcos do Kayserispor. Embora a equipa não tivesse ido além de um modesto
oitavo lugar no campeonato, Makukula sagrou-se melhor marcador da liga, com 21
golos. Porém, Carlos
Queiroz nunca o chamou à seleção,
tendo apenas estado numa lista de reserva, de seis jogadores, para o Mundial
2010. “Foi nesse momento que decidi não jogar mais futebol. Fiquei tão
triste que disse ‘futebol já não é para mim’. Porque eu estava na lista dos 30.
Penso que fiz uma boa época, marquei 21 golos, depois do Cristiano
[Ronaldo] eu era o melhor marcador dos portugueses, e por isso pensava que
se calhar o selecionador
pensasse em mim. Mas era o meu pensamento, não o que o treinador pensava. Foi
uma desilusão muito forte porque foi um ano muito importante para mim. Depois
das lesões, depois de tudo o que fiz com tanto sacrifício... daí ter pensado em
desistir do futebol, porque sabia que não voltava a ser o mesmo. E foi o caso”,
confessou à Tribuna
Expresso em maio de 2019.
Seguiram-se época menos
produtivas na Turquia ao serviço de Manisaspor e Karsiyaka antes de voltar ao
clube no qual começou a jogar futebol, o Vitória
de Setúbal, tendo apontado dois golos em dez jogos pelos sadinos.
“Marquei poucos golos, tive problemas de lesões, fui operado ao joelho, ao
menisco. Foi um ano difícil até à minha saída. Perdoei todo o dinheiro que me
deviam e o ano seguinte de contrato. Decidi ir embora. Deixei um ano de
contrato para ir embora. (…) Chateei-me. O pouco salário que ia ganhar no Vitória
de Setúbal eles também não pagavam, tinham dificuldades. Depois não gostei
do comportamento de alguns diretores. Dos outros clubes nunca falei mal de
nenhum diretor, mas do Vitória
de Setúbal não gostei do comportamento de certas pessoas, por isso deixei
tudo e fui embora”, recordou.
“Quando chego a Setúbal já não
sou um jovem de formação, já sou um jogador feito, e a maneira como funcionou
aquela direção não gostei mesmo nada. Mas, atenção, adoro a cidade, Setúbal é a
cidade de coração e Vitória
é um clube pelo qual tenho um amor especial, o meu pai jogou lá e sempre me
senti em casa naquela cidade. Só que a direção que estava lá naquela altura,
meu Deus, na volta ao mundo que dei, foi das piores”, prosseguiu. Depois ainda se aventurou nos
gregos do OFI e nos tailandeses do BEC Tero Sasana antes de pendurar as botas
em 2014, aos 33 anos, numa altura em que já se sentia muito massacrado pelas
sucessivas lesões no joelho e no menisco.
Após encerrar a carreira
tornou-se diretor desportivo da República
Democrática do Congo e embaixador do futebol congolês.
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