quarta-feira, 4 de março de 2026

Hoje faz anos o possante avançado que o Marítimo catapultou para seleção e Benfica. Quem se lembra de Makukula?

Makukula jogou por Marítimo, Benfica e Vitória de Setúbal
Filho de um avançado zairense com o mesmo apelido que jogou no Leixões, no Vitória de Setúbal e no Desp. Chaves, cresceu em Portugal, venceu uma Taça UEFA pelo Sevilha, chegou à seleção A quando jogava no Marítimo, representou o Benfica e sagrou-se melhor marcador do campeonato turco.
 
Potente e possante ponta de lança (1,90 m) nascido a 4 de março de 1981 em Kinshasa, no antigo Zaire, atual República Democrática do Congo, veio para Portugal ainda criança, para acompanhar o pai. Começou por viver em Matosinhos, mas foi em Setúbal que começou a jogar futebol, nas camadas jovens do Vitória. Depois prosseguiu a formação no Desp. Chaves e no Vitória de Guimarães, com uma passagem pelo Brito pelo meio, mas quando transitou para sénior Jorge Mendes levou-o para o Salamanca.
 
Na segunda metade da primeira época em Espanha esteve emprestado ao Leganés, tendo apontado quatro golos em 13 jogos no campeonato que ajudaram a equipa da região de Madrid a assegurar a permanência na II Liga.
 
   
 
Na temporada seguinte regressou ao Salamanca e desatou a marcar golos, tendo faturado por 20 vezes no segundo escalão espanhol, um registo apenas suplantado por Diego Alonso, do Atlético Madrid (22) – para trás ficou o contemporâneo David Villa, então no Sporting Gijón (18).
 
Os bons desempenhos valeram-lhe as primeiras internacionalizações por Portugal, no caso pela seleção de sub-21, que veio a representar no Europeu da categoria em 2002. Também foi cobiçado por alguns clubes importantes no panorama europeu, mas foi aconselhado pelo pai, que havia jogado em França, a transferir-se para o Nantes, que um ano antes se tinha sagrado campeão gaulês.
 
Não teve vida fácil na Ligue 1, com apenas um golo (ao Mónaco) em 18 jogos no campeonato em 2002-03, o que levou a ser cedido ao Valladolid, então na I Liga Espanhola, na época seguinte. E voltou a dar-se bem com os ares de Espanha, uma vez que levava oito golos no campeonato até 25 de janeiro de 2004, quando uma grave lesão no joelho o afastou dos relvados durante quase um ano. Tinha acabado de se estrear pela seleção B e o Euro 2004 estava à porta.
 
 
Ainda assim, foi contratado pelo Sevilha, por 3,5 milhões de euros, no verão de 2004, apesar de os andaluzes saberem de antemão que só podiam contar com ele na segunda metade da época.  Estreou-se somente a 8 de janeiro de 2005, tendo apontado três golos em 18 jogos nessa temporada.
 
 
Em 2005-06 voltou a vivenciar lesões graves, o que aliado à concorrência de avançados como Luís Fabiano, Javier Saviola e Frédéric Kanouté fez com que não fosse além de um jogo disputado nessa época. Porém, como esse encontro foi para a Taça UEFA, os 13 minutos que esteve em campo valeram-lhe o estatuto de vencedor do troféu, que os sevilhistas viriam a conquistar ao bater no Middlesbrough na final.
 
Em agosto de 2006 foi emprestado ao recém-promovido Nàstic de Tarragona, mas não foi além de um golo em 14 jogos, não conseguindo impedir a descida de divisão.
 
 
Numa fase de alguma descrença nas suas qualidades, Makukula foi emprestado ao Marítimo na primeira metade de 2007-08 e reativou a veia goleadora.
 
    
 
Numa altura em que levava quatro remates certeiros em seis jogos no campeonato foi chamado por Luiz Felipe Scolari à seleção nacional A, estreando-se com um golo numa vitória no Cazaquistão (2-1) a 17 de outubro de 2007. Algo impensável para quem, dois anos e meio antes, havia tentado jogar pela República Democrática do Congo, seu país de nascença, tendo esbarrado nos regulamentos da FIFA. Até fevereiro de 2008 somou mais três internacionalizações, mas não voltou a faturar.
 
 
Em janeiro de 2008 transferiu-se para o Benfica, que pagou 3,5 milhões de euros ao Sevilha, mas não foi além de dois golos em oito jogos de águia ao peito. Ainda foi opção para José Antonio Camacho, mas não para Fernando Chalana e Quique Flores, que preferiam Oscar Cardozo, Nuno Gomes e, em 2008-09, David Suazo.
 
 
 
No primeiro semestre de 2009 esteve emprestado aos ingleses do Bolton, pelos quais não chegou a marcar, a na época seguinte foi cedido aos turcos do Kayserispor.  Embora a equipa não tivesse ido além de um modesto oitavo lugar no campeonato, Makukula sagrou-se melhor marcador da liga, com 21 golos. Porém, Carlos Queiroz nunca o chamou à seleção, tendo apenas estado numa lista de reserva, de seis jogadores, para o Mundial 2010. “Foi nesse momento que decidi não jogar mais futebol. Fiquei tão triste que disse ‘futebol já não é para mim’. Porque eu estava na lista dos 30. Penso que fiz uma boa época, marquei 21 golos, depois do Cristiano [Ronaldo] eu era o melhor marcador dos portugueses, e por isso pensava que se calhar o selecionador pensasse em mim. Mas era o meu pensamento, não o que o treinador pensava. Foi uma desilusão muito forte porque foi um ano muito importante para mim. Depois das lesões, depois de tudo o que fiz com tanto sacrifício... daí ter pensado em desistir do futebol, porque sabia que não voltava a ser o mesmo. E foi o caso”, confessou à Tribuna Expresso em maio de 2019.
 
 
Seguiram-se época menos produtivas na Turquia ao serviço de Manisaspor e Karsiyaka antes de voltar ao clube no qual começou a jogar futebol, o Vitória de Setúbal, tendo apontado dois golos em dez jogos pelos sadinos. “Marquei poucos golos, tive problemas de lesões, fui operado ao joelho, ao menisco. Foi um ano difícil até à minha saída. Perdoei todo o dinheiro que me deviam e o ano seguinte de contrato. Decidi ir embora. Deixei um ano de contrato para ir embora. (…) Chateei-me. O pouco salário que ia ganhar no Vitória de Setúbal eles também não pagavam, tinham dificuldades. Depois não gostei do comportamento de alguns diretores. Dos outros clubes nunca falei mal de nenhum diretor, mas do Vitória de Setúbal não gostei do comportamento de certas pessoas, por isso deixei tudo e fui embora”, recordou.
 
 
“Quando chego a Setúbal já não sou um jovem de formação, já sou um jogador feito, e a maneira como funcionou aquela direção não gostei mesmo nada. Mas, atenção, adoro a cidade, Setúbal é a cidade de coração e Vitória é um clube pelo qual tenho um amor especial, o meu pai jogou lá e sempre me senti em casa naquela cidade. Só que a direção que estava lá naquela altura, meu Deus, na volta ao mundo que dei, foi das piores”, prosseguiu.
 
Depois ainda se aventurou nos gregos do OFI e nos tailandeses do BEC Tero Sasana antes de pendurar as botas em 2014, aos 33 anos, numa altura em que já se sentia muito massacrado pelas sucessivas lesões no joelho e no menisco.
 
 
 
Após encerrar a carreira tornou-se diretor desportivo da República Democrática do Congo e embaixador do futebol congolês.
 


 




Sem comentários:

Enviar um comentário