terça-feira, 10 de março de 2026

Carvalhal lembra um Vitória FC “à beira da bancarrota”: “Fui treinador e diretor desportivo, um manager…”

Carvalhal venceu a Taça da Liga ao leme do Vitória em 2007-08
Carlos Carvalhal já venceu uma Taça de Portugal, trabalhou na Premier League e na La Liga e treinou grandes clubes como Sporting, Besiktas e Olympiacos, mas a época de 2007-08 no Vitória de Setúbal continua a ser um dos melhores trabalhos da sua carreira.
 
Na altura, o emblema sadino vivia uma profunda crise financeira e diretiva, tinha não uma direção, mas uma comissão de gestão (liderada por Carlos Costa) e nem sequer contava com um diretor desportivo. No entanto, nessa temporada os setubalenses venceram a Taça da Liga, atingiram as meias-finais da Taça de Portugal e asseguraram o apuramento para a Taça UEFA via campeonato fruto do sexto lugar alcançado.
 
“O Vitória de Setúbal estava à beira de uma bancarrota. Nós conseguimos, sem dinheiro… o presidente Carlos Costa disse-me ‘não tenho dinheiro, só posso pagar isto’. Preteri de um jogador para ir buscar o Pitbull, emprestado pelo FC Porto. Fomos buscar jogadores emprestados, o empresário António Araújo ajudou-nos muito com o mercado no Brasil e fizemos uma equipa que foi evoluindo. Estivemos 14 jogos sem perder, fizemos um ano extraordinário, vencemos a Taça da Liga”, começou por recordar Carvalhal ao podcast 90+3, em março deste ano.
 
Na altura não havia uma estrutura montada em torno da equipa principal, pelo que o treinador teve de se valer do próprio know-how, tendo recrutado jogadores com os quais já tinha trabalhado ou que já tinha defrontado e analisado, via vídeo, jogos dos jogadores brasileiros que lhe eram propostos pelo empresário.
 
“Estávamos dentro do meio, conhecíamos os jogadores… conhecia bem o Bruno Gama, o Filipe Gonçalves, o Matheus, o Eduardo, o Edinho, o Cláudio Pitbull. Depois o mercado brasileiro foi de proposta e de analisarmos jogos dos jogadores. Estamos a falar de jogadores da terceira divisão do Brasil. O que é certo é que aquilo funcionou muito bem. Vencemos a Taça da Liga, fomos às meias-finais da Taça de Portugal e perdemos com o FC Porto em casa e conseguimos um lugar na UEFA”, prosseguiu o técnico, agora com 60 anos, que em 2007-08 pescou no Brasil atletas como Léo Bonfim, Paulinho, Leandro Branco e Léo Macaé.
 
 
“Esse ano para mim foi memorável porque eu não tinha diretor desportivo, o Quinito já lá não estava, ou seja, eu fiquei ali como treinador e diretor desportivo, no fundo um manager. Chegar ao fim e alcançar isso, obviamente fiquei muito contente”, lembrou Carvalhal, que já tinha tido uma passagem bem-sucedida pelo Bonfim em 2003-04, quando conseguiu a promoção à I Liga.
 
Outro desafio enfrentado nessa época foi reorganizar a equipa após o mercado de janeiro, quando Edinho rumou ao AEK Atenas e Matheus foi repescado pelo Sp. Braga. “Era o melhor marcador [Edinho] e o jogador com mais assistências [Matheus]. O coletivo é mais importante do que as individualidades. Quando o coletivo é preparado para ser forte e tem princípios bem definidos… depois é uma questão de características. Na altura saiu o Matheus e começou a jogar mais vezes o Gama. Saiu o Edinho e começou a jogar mais o Pitbull como ponta de lança e o Filipe Gonçalves como médio ofensivo. Ganhámos duas vezes ao Sporting e de duas formas completamente distintas, com características de jogadores diferentes. Às vezes, até perdendo alguns bons jogadores, se pode melhorar a dinâmica”, explicou o treinador, justificando a continuidade dos bons resultados dessa equipa após a saída de dois jogadores nucleares.
 
Para Carvalhal, o único “galo” dessa passagem pelo Vitória foi não ter dado o salto para um grande logo a seguir. “O normal seria, depois desse trabalho fantástico, mesmo fora da caixa, ter saltado para um Sporting, para um Benfica ou para um FC Porto”, lamentou o treinador, que na temporada seguinte foi para a Grécia orientar o Asteras Tripolis.
 









 
  

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