A antiga promessa da baliza do Belenenses. Quem se lembra de Botelho?
Botelho esteve ligado ao Belenenses entre 1991 e 2000
Filho do antigo guarda-redes
António Botelho, que defendeu as balizas de Sporting,
Boavista,
Benfica
e seleção
nacional, foi internacional jovem português e deu a entender, a certa
altura, que o Belenenses
teria nele um guardião para muitos e bons anos, mas acabou por cair para a
sombra de Marco Aurélio antes de fazer carreira sobretudo nas divisões
secundárias.
Nascido a 25 de fevereiro de 1976
na cidade do Porto, numa altura em que o pai jogava no Boavista,
mas foi para a margem sul com cinco/seis anos e cresceu no concelho do Seixal,
tendo começado a jogar futebol no Seixal
Futebol Clube, de onde passou para o Amora. Deu o salto para o Belenenses
em 1991, como juvenil, e no ano seguinte somou duas internacionalizações pela
seleção nacional de sub-17 nos Jogos da CPLP. Em 1994-95 transitou para sénior
e estreou-se pela equipa principal, ainda com idade de júnior, e nas duas épocas
que se seguiram esteve emprestado a clubes da II Divisão B, Oriental
e Santa
Clara, pelos quais jogou com bastante regularidade. De regresso ao Restelo em
1997-98, conquistou a meio da temporada a titularidade da baliza dos azuis,
que pertencia a Valente, tendo brilhado numa vitória caseira sobre o FC
Porto a 31 de janeiro de 1998. “Percebo que foi o jogo com maior impacto,
que me deu maior destaque, mas olhe que até acho que não foi o meu melhor jogo.
Teve foi maior exposição, até porque nós íamos em último e o FC
Porto ainda não tinha perdido. Conseguimos marcar e depois eles meteram a
carne toda no assador. A certa altura, pareciam índios em direção à nossa
baliza, foi uma pressão imensa. Mas curiosamente, não me recordo de fazer assim
tantas defesas difíceis. O FC
Porto nessa altura apostava demasiado nos cruzamentos, à procura do Mário
Jardel, e eu fui conseguindo anular quase todos. Houve um lance em que
quase comprometi, mas aí fui bafejado pela sorte. Curiosamente, acabei por
nunca sofrer um golo do Jardel,
coisa rara, em três jogos em que o defrontei”, recordou ao Maisfutebol
o antigo guardião, que media apenas 1,79 m e não conseguiu impedir a
despromoção do emblema
da Cruz de Cristo à II
Liga nessa época.
No verão de 1998, o Belenenses
decidiu apostar no experiente guardião brasileiro Marco Aurélio, que o relegou
para o banco de suplentes até ao final de 2000, quando Botelho deixou de
pertencer ao plantel. “O Marco Aurélio foi um excelente guarda-redes, é uma
excelente pessoa e um grande amigo. Mas sei que se tivesse tido um adversário
diferente na luta da baliza do Belenenses,
a história podia ter sido outra.Foi uma
luta renhida com ele, embora um pouco desigual pelo estatuto que o Marco tinha
e eu não. Em caso de dúvida, jogava ele. De qualquer forma, tive o privilégio
de trabalhar com um grande profissional”, afirmou o guarda-redes português, que
arrancou a temporada 1999-00 como titular, mas foi destronado após a oitava
jornada da I
Liga.
A meio da época 2000-01 foi
emprestado ao Vitória
de Setúbal, outro histórico no qual foi habitual suplente, apesar de ter
somado a segunda subida de divisão da carreira – depois de ter ajudado o Belenenses
a voltar ao primeiro
escalão em 1999. Seguiu-se cerca de uma década e
meia nas divisões secundárias, tendo vivido dois anos felizes na baliza do Portimonense
na II
Liga (entre 2001 e 2003) antes de uma época mais apagada no Santa
Clara (2003-04). Ajudou Atlético
(em 2011) e Oriental
(2014) a subir à II
Liga e o Lagoa
a ser promovido à II Divisão B (em 2007) e representou ainda Louletano,
Maia
e Pinhalnovense.
“Conseguimos subir no Oriental,
foi uma forma bonita de terminar a carreira. Ainda fui inscrito no Amora,
no ano seguinte, mas já estava como treinador de guarda-redes. Deixei de jogar
porque me diagnosticaram duas hérnias na cervical e o neurocirurgião avisou-me
que corria o risco de ter grandes problemas no futuro”, lembrou Botelho, que
trabalhou como treinador de guarda-redes no Pinhalnovense,
no Amora
e no Cova
da Piedade. “Cumpri o meu sonho, sempre quis
ser profissional de futebol e sobretudo ser igual. Ou seja, sair do futebol com
a mesma humildade com que entrei, com respeito pelas pessoas. De resto, uns são
Ronaldos e outros não. Podia ter chegado mais longe, também cometi erros, mas
isso faz parte do crescimento das pessoas. Talvez tenha percebido isso um
bocado tarde, mas no fundo, acabei por sair com o meu objetivo cumprido. Fui
profissional e joguei em todas as divisões do país”, analisou, em jeito de
balanço. Após deixar o futebol abriu uma
pastelaria, foi ajudante de pladur, ajudante de serralheiro, distribuidor de
pão e trabalhou como empregado de mesa num restaurante no Seixal.
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