quarta-feira, 25 de fevereiro de 2026

A antiga promessa da baliza do Belenenses. Quem se lembra de Botelho?

Botelho esteve ligado ao Belenenses entre 1991 e 2000
Filho do antigo guarda-redes António Botelho, que defendeu as balizas de Sporting, Boavista, Benfica e seleção nacional, foi internacional jovem português e deu a entender, a certa altura, que o Belenenses teria nele um guardião para muitos e bons anos, mas acabou por cair para a sombra de Marco Aurélio antes de fazer carreira sobretudo nas divisões secundárias.
 
Nascido a 25 de fevereiro de 1976 na cidade do Porto, numa altura em que o pai jogava no Boavista, mas foi para a margem sul com cinco/seis anos e cresceu no concelho do Seixal, tendo começado a jogar futebol no Seixal Futebol Clube, de onde passou para o Amora.
 
Deu o salto para o Belenenses em 1991, como juvenil, e no ano seguinte somou duas internacionalizações pela seleção nacional de sub-17 nos Jogos da CPLP.
 
Em 1994-95 transitou para sénior e estreou-se pela equipa principal, ainda com idade de júnior, e nas duas épocas que se seguiram esteve emprestado a clubes da II Divisão B, Oriental e Santa Clara, pelos quais jogou com bastante regularidade.
 
De regresso ao Restelo em 1997-98, conquistou a meio da temporada a titularidade da baliza dos azuis, que pertencia a Valente, tendo brilhado numa vitória caseira sobre o FC Porto a 31 de janeiro de 1998. “Percebo que foi o jogo com maior impacto, que me deu maior destaque, mas olhe que até acho que não foi o meu melhor jogo. Teve foi maior exposição, até porque nós íamos em último e o FC Porto ainda não tinha perdido. Conseguimos marcar e depois eles meteram a carne toda no assador. A certa altura, pareciam índios em direção à nossa baliza, foi uma pressão imensa. Mas curiosamente, não me recordo de fazer assim tantas defesas difíceis. O FC Porto nessa altura apostava demasiado nos cruzamentos, à procura do Mário Jardel, e eu fui conseguindo anular quase todos. Houve um lance em que quase comprometi, mas aí fui bafejado pela sorte. Curiosamente, acabei por nunca sofrer um golo do Jardel, coisa rara, em três jogos em que o defrontei”, recordou ao Maisfutebol o antigo guardião, que media apenas 1,79 m e não conseguiu impedir a despromoção do emblema da Cruz de Cristo à II Liga nessa época.
 
 
No verão de 1998, o Belenenses decidiu apostar no experiente guardião brasileiro Marco Aurélio, que o relegou para o banco de suplentes até ao final de 2000, quando Botelho deixou de pertencer ao plantel. “O Marco Aurélio foi um excelente guarda-redes, é uma excelente pessoa e um grande amigo. Mas sei que se tivesse tido um adversário diferente na luta da baliza do Belenenses, a história podia ter sido outra.  Foi uma luta renhida com ele, embora um pouco desigual pelo estatuto que o Marco tinha e eu não. Em caso de dúvida, jogava ele. De qualquer forma, tive o privilégio de trabalhar com um grande profissional”, afirmou o guarda-redes português, que arrancou a temporada 1999-00 como titular, mas foi destronado após a oitava jornada da I Liga.
 
 
A meio da época 2000-01 foi emprestado ao Vitória de Setúbal, outro histórico no qual foi habitual suplente, apesar de ter somado a segunda subida de divisão da carreira – depois de ter ajudado o Belenenses a voltar ao primeiro escalão em 1999.
 
Seguiu-se cerca de uma década e meia nas divisões secundárias, tendo vivido dois anos felizes na baliza do Portimonense na II Liga (entre 2001 e 2003) antes de uma época mais apagada no Santa Clara (2003-04). Ajudou Atlético (em 2011) e Oriental (2014) a subir à II Liga e o Lagoa a ser promovido à II Divisão B (em 2007) e representou ainda Louletano, Maia e Pinhalnovense. “Conseguimos subir no Oriental, foi uma forma bonita de terminar a carreira. Ainda fui inscrito no Amora, no ano seguinte, mas já estava como treinador de guarda-redes. Deixei de jogar porque me diagnosticaram duas hérnias na cervical e o neurocirurgião avisou-me que corria o risco de ter grandes problemas no futuro”, lembrou Botelho, que trabalhou como treinador de guarda-redes no Pinhalnovense, no Amora e no Cova da Piedade.
 
“Cumpri o meu sonho, sempre quis ser profissional de futebol e sobretudo ser igual. Ou seja, sair do futebol com a mesma humildade com que entrei, com respeito pelas pessoas. De resto, uns são Ronaldos e outros não. Podia ter chegado mais longe, também cometi erros, mas isso faz parte do crescimento das pessoas. Talvez tenha percebido isso um bocado tarde, mas no fundo, acabei por sair com o meu objetivo cumprido. Fui profissional e joguei em todas as divisões do país”, analisou, em jeito de balanço.
 
Após deixar o futebol abriu uma pastelaria, foi ajudante de pladur, ajudante de serralheiro, distribuidor de pão e trabalhou como empregado de mesa num restaurante no Seixal.







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