quarta-feira, 5 de outubro de 2022

A minha primeira memória de… um jogo entre Benfica e Paris Saint-Germain

Parisiense Vampeta protege a bola de Kandaurov
Os primeiros jogos oficiais entre Benfica e Paris Saint-Germain remontam a março de 2007, mas antes disso os dois emblemas defrontaram-se em vários encontros de caráter particular. Por altura do início do final dos anos 1990 e início do século XXI era até frequente ver as águias deslocarem-se à capital francesa ou a outros pontos de França para realizarem estágios de pré-época ou minidigressões durante paragens do campeonato, a fim de manter e reforçar a ligação à comunidade emigrante.
 
A primeira partida de que me recordo entre lisboetas e parisienses remonta a 7 de maio de 2001 e, se bem me lembro, terá sido transmitida pela TVI. Na altura, as águias orientadas por Toni ocupavam o 5.º lugar na I Liga, a 19 pontos do líder Boavista, a 15 do vice FC Porto, a sete do Sporting e a cinco do Sp. Braga, pelo que, aquilo que interessava naquele momento era começar a preparar a temporada seguinte. Se a memória não me atraiçoa, chegou-se até falar que o reforço sonante Pedro Mantorras poderia integrar a comitiva que viajou até Paris, algo que não veio acontecer. Nem o angolano nem três das principais figuras da equipa: Robert Enke, João Tomás ou Van Hooijdonk.
 
Do outro lado estava um PSG orientado por Luis Fernández e que, a duas jornadas do final da Ligue 1, ainda corria o risco de… descer de divisão. É verdade. Parece mentira, mas aquele que hoje é um colosso do futebol europeu esteve várias vezes à beira da despromoção já no século XXI. Para este jogo, que tinha em disputa a Taça da Amizade, os gauleses apresentaram-se com algumas segundas linhas, mas também com jogadores internacionais como o central francês Frédéric Déhu, o médio defensivo brasileiro Vampeta, o extremo francês (e futuro jogador benfiquista) Laurent Robert e o avançado brasileiro Christian (que tinha passado por Estoril, Estrela da Amadora e Farense). Do banco saltaram o médio ofensivo argelino Ali Benarbia, o avançado francês Mickaël Madar e o lateral direito francês Bernard Mendy.


A crise que ambos os clubes atravessavam refletiu-se também no resultado ao cabo dos 90 minutos: 0-0. No desempate por grandes penalidades, o Benfica foi mais forte, vencendo por 4-3. Paulo Madeira, Chano, Maniche e Fernando Meira converteram as respetivas grandes penalidades, ao passo que Kandaurov permitiu a defesa de Casagrande, e Bossio travou os remates de Benarbia e Vampeta. Do lado parisiense marcaram Mendy, Pierre Ducrocq e Robert.
 
“Na dança dos penaltis, Bossio, como seria de esperar, deu o passo final, evitou o samba de Vampeta e permitiu ao Benfica erguer a Taça Amizade no Parque dos Príncipes, após um encontro em que a atitude da equipa lusitana promete um final de campeonato, afinal, menos horroroso do que se pensava. O primeiro tango em Paris, se os jogadores do Benfica mantiverem o ritmo, poderá não ser o último, embora independentemente dos resultados futuros, a grande conquista tenha sido feita ontem. Leia–se a recuperação do espírito de união (alguns chamam-lhe amizade) entre os jogadores. Esta (Taça) Amizade não tem preço. Até porque foi erguida numa cidade em que não era (e continuará a não ser...) fácil para as equipas portuguesas entrarem em campo com um sistema defensivo teoricamente... “abundante”, passe a expressão. Toni recusou–se a ter medo de... ter medo e apresentou um sistema tático que contemplou no onze inicial a inclusão de três centrais. No treino da véspera, tinha sido percetível a intenção de devolver Marchena à titularidade, perspetivando-se o sacrifício de Ronaldo, mas... a verdade é que tanto o brasileiro como o espanhol acompanharam o líbero Paulo Madeira no eixo da defesa. Os emigrantes portugueses presentes nas bancadas, quando o Benfica entrou, devem ter visto as imagens do França-Portugal passar por instantes no Parque dos Príncipes, temendo que o esquema cauteloso da seleção nacional que claudicou a 25 de Abril frente à França pudesse ser um sintoma do quão arriscado estava a ser Toni, ao apostar de raiz em seis jogadores de apetência defensiva (Meira incluído). Puro... receio, sem razão de ser graças à coragem e solidariedade exibidas desde o minuto inicial pelo conjunto lisboeta, que mesmo sem contar com o aríete Van Hooijdonk encontrou no pequeno Roger um substituto à altura para o holandês, apesar de entre os dois existir quase 20 centímetros de diferença”, podia ler-se no jornal O Jogo, numa crónica assinada por João Rosado.
 
 
Dois anos depois, as duas equipas voltaram a defrontar-se para a Taça da Amizade em Paris, desta feita com triunfo parisiense no desempate por grandes penalidades (6-5), após igualdade a um golo no final dos 90 minutos.
 
Em termos oficiais, Benfica e PSG mediram forças pela primeira vez nos oitavos de final da Taça UEFA em 2006-07. Na primeira-mão, em Paris, os gauleses venceram por 2-1. No segundo jogo, na Luz, as águias fizeram melhor, ganhando por 3-1, resultado que permitiu a passagem à eliminatória seguinte.
 
 











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