sábado, 5 de março de 2022

As oito vezes em que o Portimonense ganhou pontos ao Benfica

Benfiquista Magnusson tenta passar pelos defesas alvinegros
O saldo dos jogos entre Benfica e Portimonense são amplamente favoráveis aos lisboetas, com 36 vitórias contra apenas duas dos algarvios (e nove empates) em todas as competições. Se nos cingirmos apenas a jogos do campeonato, os alvinegros venceram dois, empataram seis e saíram derrotados em 29, num histórico em que a percentagem de vitórias das águias é de quase 80%.
 
A primeira vez em que os dois emblemas se defrontaram remonta a 1965-66, quando os encarnados, então orientados pelo húngaro Béla Guttmann e lendas como Costa Pereira e Mário Coluna no onze, não foram além de um empate a dois golos em Portimão, em partida da primeira-mão dos oitavos de final da Taça de Portugal. No segundo jogo, o Benfica viu-se obrigado a apresentar Eusébio, que apontou um hat trick que contribuiu para a goleada por 5-1 no Estádio da Luz.
 
Depois de novo duelo para a Taça de Portugal em 1974-75, novamente com goleada benfiquista na Luz (6-0), os dois conjuntos mediram forças pela primeira vez na I Divisão em 1976-77, na época de estreia do Portimonense no primeiro escalão.
 
Vale por isso a pena recordar as oito vezes em que o Portimonense tirou pontos ao Benfica no campeonato.
 
 
8 de abril de 1978 – I Divisão (22.ª jornada)
A viver a segunda época na I Divisão, o Portimonense entrou para a 22.ª jornada na zona de despromoção, ao passo que o Benfica seguia colocado ao FC Porto na liderança do campeonato.
Apesar da desigualdade de forças, os algarvios orientados por Mário Lino surpreenderam no antigo Estádio da Luz o Benfica de John Mortimore, Bento, Pietra, Bastos Lopes, Humberto Coelho, Eurico Gomes, Shéu, Toni, Chalana e Nené, ao empatarem a um golo.
O brasileiro Sapinho colocou os alvinegros em vantagem aos 37 minutos. Chalana empatou à passagem da hora de jogo.
“Fizemos uma grande exibição e podíamos ter ganho. Perto do intervalo fiz o passe e ele [Sapinho] colocou-nos a ganhar. Sentimos o Benfica a tremer, até porque a jogada foi muito bem executada”, recordou um dos avançados do Portimonense nessa tarde, Nélson Moutinho, ao Maisfutebol.
“Fiquei feliz pelo empate, claro. Na segunda parte fomos mais apertados e o génio do Chalana evitou o escândalo. Para mim, o Portimonense foi roubar o título à Luz e ofereceu-o ao FC Porto. Já estávamos perto do fim do campeonato e o FC Porto foi campeão, com os mesmos pontos do Benfica. Esse jogo fez toda a diferença”, acrescentou o pai de João Moutinho.

Equipa do Portimonense em 1977-78

  
31 de janeiro de 1982 – I Divisão (17.ª jornada)
Orientado por um então jovem treinador em ascensão, Artur Jorge, o Portimonense procurava distanciar-se pontualmente da zona de despromoção quando recebeu o Benfica do húngaro Lajos Baróti, o principal perseguidor do líder Sporting.
Quando Shéu colocou os encarnados em vantagem, aos 72 minutos, parecia que a vitória já não ia fugir ao então campeão em título, mas o brasileiro Manoel Costa fez o golo do empate ao cair do pano (89’).



10 de março de 1985 – I Divisão (21.ª jornada)
Comandado por Manuel José, o Portimonense era, sem sombra de dúvidas, a grande sensação do campeonato, uma vez que partiu para a receção ao Benfica do húngaro Pál Csernai em quarto lugar, a apenas dois pontos dos encarnados, que tinham o estatuto de campeões nacionais.
O empate a zero em Portimão reforçou o estatuto de candidato à Europa dos algarvios e afastou ainda mais as águias do sonho da revalidação do título.

Equipa do Portimonense de 1984-85


3 de maio de 1987 – I Divisão (27.ª jornada)
Na época do primeiro título europeu do FC Porto e dos 7-1 do Sporting ao Benfica, o campeão foi o emblema encarnado, então orientado pelo inglês John Mortimore.
No entanto, as águias permitiram uma ligeira aproximação dos dragões à liderança na 27.ª de 30 jornadas, ao empatarem em casa diante do Portimonense do brasileiro Paulo Roberto Dias, confortável a meio da tabela.
Um dia após o triunfo portista na Póvoa do Varzim, o brasileiro Luciano colocou os alvinegros em vantagem em pleno Estádio da Luz aos 23 minutos. Contudo, no início da segunda parte Diamantino Miranda empatou para o Benfica.

Equipa do Portimonense de 1986-87


13 de março de 2011 – I Liga (23.ª jornada)
Benfica 1-1 Portimonense
Embora ainda só estivéssemos em março, o Benfica estava a 11 pontos do líder FC Porto e com 15 de vantagem sobre o Sporting, que era terceiro classificado. Ou seja, dificilmente o desfecho do campeonato levaria as águias para outra posição que não a segunda. Por isso, e porque os encarnados ainda estavam vivos na Liga EuropaJorge Jesus poupou os habituais titulares e apresentou as suas segundas linhas para receber os algarvios.
Já o Portimonense ocupava o último lugar, a cinco pontos da zona de salvação, e nessa fase da época já era orientado por Carlos Azenha, um antigo adjunto de Jorge Jesus no Vitória de Setúbal e de Jesualdo Ferreira no FC Porto, que na época anterior, enquanto técnico principal dos sadinos, tinha sido brindado na Luz com uma goleada por 8-1 do Benfica de Jesus.
No entanto, os alvinegros apresentaram-se organizados no reduto benfiquista e aproveitaram a menor rodagem dos homens de encarnado para causar dificuldades. Aos 28 minutos, Ricardo Pessoa abriu o ativo para a equipa do sul do país na conversão de uma grande penalidade. Porém, o recém-entrado Nuno Gomes, então um veterano que marcava quase sempre que entrada, mas que Jorge Jesus insistia em guardar no banco, empatou o encontro aos 77’.
 
 
 
2 de janeiro de 2019 – I Liga (15.ª jornada)
Um dos jogos mais marcantes entre os dois clubes, até pelas consequências que teve.
Vice-líder da I Liga a quatro pontos do FC Porto, o Benfica de Rui Vitória começou o ano a jogar no Algarve, um destino apetecível para o Réveillon, mas que acabou por ditar o afastamento do treinador ribatejano do comando técnico das águias.
Dois autogolos ainda na primeira parte, da autoria de Rúben Dias (12 minutos) e Jardel (18’), deram ao Portimonense, então orientado por António Folha, a primeira vitória de sempre sobre os encarnados.
O Benfica terminou essa jornada em quarto lugar, atrás de FC Porto, Sporting e Sp. Braga, e a sete pontos da liderança. Porém, já com Bruno Lage ao leme, operou uma reviravolta fantástica (18 vitórias e um empate nas 19 jornadas que se seguiram) e conseguiu sagrar-se campeão nacional.
 
 
 
19 de junho de 2020 – I Liga (26.ª jornada)
Se o Portimonense-Benfica de 2018-19 precipitou a entrada de Bruno Lage para o comando técnico das águias, o jogo da época seguinte contribuiu para o afastamento do treinador setubalense, que viria a confirmar-se semanas depois.
A atravessar uma série de três empates consecutivos, os encarnados pareciam estar a dar um pontapé na crise quando pouco depois da meia hora se colocaram a vencer por 2-0 em Portimão, com golos de Pizzi (18 minutos) e André Almeida.
No entanto, no segundo tempo o Portimonense de Paulo Sérgio chegou ao empate, através dos remates certeiros de Dener (66’) e Júnior Tavares (76’).
Apesar da crise de resultados, Bruno Lage disse após o jogo que o presidente benfiquista Luís Filipe Vieira mantinha confiança nele: “Já falámos sobre isso. Falei com o presidente, fomos ver o mar… Está tudo tranquilo, não há problema nenhum.”
Os algarvios, que pareciam condenados à despromoção, recuperaram na reta final do campeonato, somando 19 pontos nas derradeiras 14 jornadas do campeonato, mas só se salvaram na secretaria, devido à despromoção administrativa do Vitória de Setúbal.
 
 
 
3 de outubro de 2021 – I Liga (8.ª jornada)
À entrada para outubro, o Benfica de Jorge Jesus estava imparável: sete vitórias em outros tantos jogos no campeonato, quatro pontos de vantagem sobre os rivais FC Porto e Sporting e vitória categoria sobre o Barcelona na Luz (3-0) no último encontro de setembro.
No entanto, as coisas começaram a descambar na receção ao Portimonense de Paulo Sérgio, tranquilo no sexto lugar do campeonato.
Na sequência de um pontapé de canto apontado por Lucas Fernandes na esquerda, Lucas Possignolo apareceu ao primeiro poste para cabecear para o fundo das redes e gelar os adeptos benfiquistas (66 minutos).
 










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