domingo, 29 de agosto de 2021

Sérvios no Benfica. Um treinador e onze jogadores na equipa principal antes de Radonjic

Dez sérvios que jogaram pelo Benfica antes de Radonjic
Desde há uma década para cá que se tem tornado comum o Benfica ter no plantel um jogador acabado cujo nome termina em “ic”. A península balcânica, nomeadamente a antiga Jugoslávia, há muito que está identificada como um autêntico viveiro de craques da bola, apesar de essa qualidade futebolística ser poucas vezes acompanhada pelos resultados das seleções nacionais.
 
Os quartos lugares nos Campeonatos do Mundo de 1930 e 1962 e as presenças em finais (sempre como finalista vencido) de Europeus em 1960 e 1968, foi o melhor que a antiga Jugoslávia alcançou. Após a dissolução, a Sérvia continuou a produzir craques em catadupa, mas ainda não conseguiu marcar presença num Campeonato da Europa nem passar a fase de grupos de um Mundial.
 
Milorad Pavic
O primeiro sérvio no Benfica, curiosamente, até foi um treinador: Milorad Pavic. Três vezes campeão da Jugoslávia pelo Estrela Vermelha de Belgrado e vencedor de duas Taças da Bélgica pelo Standard Liège e de uma Taça do Rei de Espanha pelo Athletic Bilbao, assumiu o comando técnico dos encarnados em 1974-75.
Com jogadores como Bento, Humberto Coelho, Toni, Shéu, Jaime Graça, Eusébio, Nené, Vítor Baptista, Artur Jorge, Simões e Jordão no plantel, Pavic sagrou-se campeão nacional e levou as águias à final da Taça de Portugal e aos quartos de final da Taça das Taças.
Acabou por ficar na Luz apenas nessa época, não por falta de resultados desportivos, mas devido à crise financeira que o clube vivia na altura.
 
 
Zvonko Zivkovic
Mais de uma década após a saída de Pavic, o ponta de lança internacional jugoslavo Zvonko Zivkovic comprometeu-se com o Benfica para a época 1986-87.
Proveniente do Partizan e com uma participação no Mundial 1982 no currículo, viveu na sombra de jogadores como Rui Águas, Chiquinho Carlos e Manniche, não indo além de onze partidas às ordens de John Mortimore e nenhum golo para amostra numa temporada em que até se sagrou campeão nacional.

Em 1993-94, o defesa central/médio defensivo Jovica Simanic integrou o plantel, mas não chegou a jogar oficialmente de águia ao peito. Chegou à Luz proveniente do Estugarda, e depois transferiu-se para o Boavista.
 
 
Ivan Dudic
No verão de 2000, numa altura em que o Benfica era presidido por Vale e Azevedo e orientado por Jupp Heynckes, o lateral direito Ivan Dudic reforçou as águias com a missão de concorrer com o paraguaio Rojas, após ter estado ao serviço da seleção da Jugoslávia no Euro 2000.
Proveniente do Estrela Vermelha de Belgrado, disputou 24 jogos (23 a titular) numa temporada em que os encarnados obtiveram a pior classificação de sempre da sua história, o 6.º lugar.
O internacional jugoslavo continuou ligado ao clube até ao início de 2005, mas não voltou a atuar em qualquer partida pela equipa principal.
 
 
Ljubinko Drulovic
Também internacional jugoslavo, mas como outro tipo de estatuto, Ljubinko Drulovic reforçou o Benfica no verão de 2001 após não ter chegado a acordo para renovar pelo FC Porto, clube em que foi figura ao longo de sete anos e meio. Extremo de baixa estatura com grande capacidade para ir à linha e cruzar, tinha estado no Mundial 1998 e no Euro 2000, mas chegou à Luz já na fase descendente da carreira, à beira de completar 33 anos.
“A minha família queria continuar em Portugal e a abordagem do Luís Filipe Vieira foi muito correta. Era outro grande clube, pagava-me aquilo que eu pedira ao FC Porto e aceitei. Fizeram de mim um dos capitães da equipa e nunca tive problemas no balneário, fui bem-recebido”, afirmou ao Maisfutebol em abril de 2019.
Na primeira época integrou, juntamente com Simão, Zahovic e Mantorras, o quarteto ofensivo habitualmente titular, tendo disputado 34 jogos (28 a titular) e apontado seis golos em todas as competições.
No entanto, em 2002-03 perdeu definitivamente o seu espaço, situação que se acentuou após a chegada do brasileiro Geovanni em janeiro. Nessa temporada, não foi além de 20 encontros de águia ao peito, mas apenas um na condição de titular.
 
 
 

Nemanja Matic
Depois de Drulovic, os sérvios que se seguiram no Benfica já eram mesmo sérvios e não jugoslavos, e chegaram à Luz já com Jorge Jesus no comando técnico. O primeiro foi Nemanja Matic, na altura um médio desconhecido que pertencia aos quadros do Chelsea e que os blues utilizaram para baixar o preço da contratação de David Luiz em 2011.
Depois de uma primeira época de aprendizagem em Lisboa, na sombra de Javi García e também de Axel Witsel, beneficiou da saída do espanhol e do belga para formar uma dupla formidável a meio-campo com o argentino Enzo Pérez.
Considerado melhor jogador da I Liga em 2012-13, somou 99 jogos e nove golos de águia ao peito, tendo conquistado uma Taça da Liga e participado numa campanha até uma final da Liga Europa antes de voltar ao Chelsea em janeiro de 2014, a meio de uma temporada em que os encarnados ganharam o triplete nacional e chegar a mais uma final da Liga Europa.
“Para mim, o Benfica ficou sempre no coração. Vamos ver o que vai trazer o futuro. Se o Benfica um dia pensar que precisa de mim outra vez vamos pensar nisso”, afirmou à Sport TV em março de 2021. “Fui aí muito feliz. O Benfica é um dos melhores clubes do Mundo. Estava muito feliz aí na equipa, com os adeptos e com toda a gente no clube. Sempre que tenho tempo gosto de passar por Lisboa. Também a minha família gosta muito de Lisboa e tem saudades de todos”, acrescentou.
 
 
 
Lazar Markovic
Ainda com Matic no plantel, o plantel benfiquista recebeu quatro (!) sérvios no verão de 2013. Comecemos pelo que durou menos tempo no clube, o extremo Lazar Markovic, contratado ao Partizan por 10 milhões de euros.
Rápido e com grande qualidade no drible, não se afirmou como um titular indiscutível, mas presenteou os adeptos encarnados com pormenores deliciosos, tendo amealhado sete golos e seis assistências ao longo de 49 jogos (30 a titular) em todas as competições. Nessa temporada venceu campeonato, Taça de Portugal e Taça da Liga e ainda contribuiu para a caminhada até à final da Liga Europa.
“Foi apenas uma época, mas valeu por várias. A temporada na Luz ajudou-me a amadurecer, a ser mais sério, a ficar mais forte em termos físicos e ter um maior conhecimento tático. Nunca vou esquecer aqueles dias em Lisboa, os nossos três troféus e a final da Liga Europa”, afirmou a um jornal sérvio.
Valorizado, transferiu-se no final da temporada para o Liverpool, que pagou 25 milhões de euros pelos seus préstimos. Daí para cá, tem sido dificuldades de afirmação em quase todos os clubes por onde passou, incluindo o Sporting.
 
 
 
Miralem Sulejmani
Mais um ano no Benfica passou Miralem Sulejmani, também um extremo, contratado a custo zero após terminar contrato com o Ajax. Apesar das expectativas criadas pelas boas épocas nos Países Baixos, este jogador formado no Partizan esteve sempre na sombra de outros extremos do plantel, como Gaitán, Salvio e Markovic.
Em duas temporadas na Luz, não foi além de 34 jogos e três golos, também por culpa de vários problemas físicos. Ainda assim, conseguiu associar o seu nome à conquista de dois campeonatos, duas Taças da Liga e uma Taça de Portugal.
No verão de 2015 saiu, sem deixar grandes saudades, para os suíços do Young Boys, que pagaram três milhões de euros pelo passe do atacante sérvio.
 
 
 
Filip Djuricic
Quem também não deixou grandes saudades foi o médio ofensivo Filip Djuricic, cujo passe foi adquirido ao Heerenveen por oito milhões de euros no verão de 2013 com o intuito de suceder a Pablo Aimar no papel de maestro da orquestra encarnada. “Provavelmente podia ter feito uma escolha melhor quando saí do Heerenveen, naquela altura tinha várias hipóteses de escolha”, confessou no final de 2015, quando ainda estava vinculado às águias.
Tal como Sulejmani, nunca se afirmou. Nem com o treinador que o contratou, Jorge Jesus, nem com aquele que lhe sucedeu, Rui Vitória. Ao longo de quatro anos de ligação às águias, não foi além de 24 jogos e dois golos. Pelo meio, esteve emprestado a Mainz, Southampton, Anderlecht e Sampdoria.
Em 2017 foi contratado a custo zero pela Sampdoria e desde então que tem jogado, até com algum sucesso, no futebol italiano.
“Os adeptos, todas as outras pessoas no clube, as pessoas à volta do clube... Todos acreditavam em mim, à exceção do treinador. Mas o que se pode fazer perante isso? No final, não foi como me prometeram, para ter uma oportunidade”, atirou, sobre a passagem pela Luz.
 
 
 
Ljubomir Fejsa
Por último, mas nem por isso menos importante – antes pelo contrário –, chegou à Luz o médio defensivo Ljubomir Fejsa, já com o intuito de precaver a saída de Matic, tendo sido contratado ao Olympiacos por 4,5 milhões de euros.
Por vezes pouco afortunado devido a problemas físicos, conseguiu ser um dos esteios da equipa quando esteve apto para a condição, tendo sido peça importante para os títulos do inédito tetra (2013-14 a 2016-17). Se juntarmos esses quatro campeonatos aos três que tinha conquistado na Grécia e outros tantos que tinha vencido no seu país ao serviço do Partizan, Fejsa amealhou dez títulos consecutivos de campeão nacional.
De águia ao peito, emblema pelo qual conquistaria o título de 2018-19 e também duas Taças de Portugal, três Taças da Liga e três Supertaças Cândido de Oliveira, disputou um total de 169 partidas e dois golos entre 2013 e 2019.
Titularíssimo com Rui Vitoria, perdeu espaço após a chegada de Bruno Lage ao comando técnico e acabou por ser emprestado aos espanhóis do Alavés e posteriormente transferido para os sauditas do Al-Ahli.
“Quando vim ao Museu pela primeira vez pensei que eram mesmo muitos troféus, não sabia que o Benfica tinha ganho tanta coisa. Sabia que vinha para um clube grande. Quando ganhámos o tetra. Fizemos história com este clube. Quando vi o Marquês de Pombal ... nunca vi uma coisa assim na minha vida, tanta gente a apoiar este clube, foi incrível. Quando vou na rua, querem sempre falar comigo, tirar fotografias é normal. Quando cheguei no primeiro dia era assim, portanto passado sete anos é normal que assim seja. Aqui gosta-se muito de futebol e este clube é muito grande, aqui e em tudo o mundo. Estou muito orgulhoso do que fiz aqui, posso dizer que dei tudo por este clube e agradeço aos adeptos porque são os melhores adeptos que eu vi. Muito obrigado por todo este apoio. A partir de hoje ganharam mais um grande adepto. Muita sorte para o futuro”, afirmou, numa entrevista de despedida que concedeu às plataformas digitais do clube.
 
 
 
Luka Jovic
Menos feliz no Benfica foi o avançado Luka Jović, contratado ao Estrela Vermelha em janeiro de 2016, pouco tempos após ter comemorado o 18.º aniversário.
Tapado por Jonas, Mitroglou e Jiménez, nunca conseguiu afirmar-se na equipa principal, pela qual jogou apenas quatro vezes – duas em 2015-16 e outras tantas na época seguinte. Já pelos bês atuou em 13 partidas e apontou dois golos, o que também não foi propriamente um registo extraordinário.
“Eu saí da Sérvia há dois anos como uma estrela e no Benfica encontrei um ataque com Mitroglou, Jonas e Raul Jiménez. Em primeiro lugar eu precisava de tempo para me adaptar ao clube, à liga portuguesa e tudo mais, mas isso tornou-se difícil porque na minha cabeça era difícil aceitar que não jogava. Essencialmente esse foi o grande problema. Agora eu tenho a mentalidade certa: sei que o tempo está a passar, já não sou tão jovem e tenho que mostrar o meu potencial”, referiu, em entrevista ao jornal Novosti.
Jović contou ainda um episódio em que deitou tudo a perder numa altura em que “Mitroglou estava em má forma e Jiménez lesionado”. “Tinha marcado golos na equipa B e feito a melhor semana de treinos na equipa principal. A dois dias do jogo, o treinador colocou-me a treinar entre os titulares. O Mitroglou estava nervoso, ouvi-o dizer palavrões em grego. No final do treino, o Rui Costa disse que tinha de continuar assim, que conseguia, que estava tudo na minha cabeça.  Ia ser titular, mas decidir ir sair e fiquei até depois da meia-noite. Os responsáveis do Benfica viram-me e, claro, já não fui convocado”, afirmou, em entrevista ao Mozzart Sport.
No entanto, os 6,6 milhões de euros que as águias investiram na aquisição de Jović tiveram retorno três anos e meio depois, quando o Eintracht Frankfurt, clube ao qual o atacante esteve emprestado durante dois anos, o contratou por cerca de 22 milhões. E nesse mesmo verão, em 2019, os alemães venderam o passe do jogador ao Real Madrid por 63 milhões.
 
 
 
Andrija Zivkovic
Por último – antes de Radonjic –, o extremo Andrija Zivkovic assinou pelo Benfica no verão de 2016, proveniente do Partizan, a custo zero.
Em quatro anos de águia ao peito, o jogador sérvio foi intermitentemente utilizado a titular numa das alas na temporada de estreia, mas conseguiu estabelecer-se no onze inicial no meio-campo encarnado em 2017-18, numa altura em que Rui Vitória tinha trocado o 4x4x2 pelo 4x3x3 e ficado sem o lesionado Krovinovic. Contudo, na terceira temporada viu a ascensão de Gedson Fernandes, a contratação de Gabriel e o regresso ao 4x4x2 com Bruno Lage retirar-lhe novamente espaço.
No verão de 2020, numa altura em que pouco contava no plantel benfiquista, rescindiu contrato e assinou pelo PAOK, ao fim de 88 jogos e quatro golos de águia ao peito. “Depois de 4 anos no Benfica, chegou a hora de dizer adeus... Quero agradecer a todos os que trabalham no clube a hospitalidade e o companheirismo! Estou muito feliz por ter tido a oportunidade de integrar esta família grandiosa e farei parte dela para sempre. Parto em busca de novos desafios, grandes jogos e vitórias. Amo-vos a todos, Andrija!”, escreveu nas redes sociais.
Pouco tempo depois, foi carrasco do Benfica na terceira pré-eliminatória da Liga dos Campeões.
 
 
 
Além desta dezena de jogadores, Filip Markovic, Stefan Mitrovic, Uros Matic e Ivan Saponjic representaram o Benfica B, ao passo que Emir Azemović jogou pelos juniores encarnados.












7 comentários:

  1. faltou o simanic, que esteve no plantel de 93-94.

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    1. Não chegou a estrear-se, mas é um ótimo reparo, sem dúvida. E só por isso vou editar o texto e mencioná-lo

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  2. sim, consta que recusou jogar a última jornada, para se sagrar campeão.só referi porque estavam jogadores da b e dos juniores. abraço!

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  3. Tem razão, David.
    Mas não leve a mal o meu engano - ele e o filho ainda estão a trabalhar na seleção Sérvia.

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    1. Não foi o único a associar Filipovic à Sérvia. E até é normal que as pessoas associem a malta da antiga Jugoslávia à Sérvia, até a bandeira é muito parecida.

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