Um dos bons jogadores búlgaros
que passaram pelo futebol português, um médio ofensivo que fez duas épocas
interessantes no Benfica
antes de ser dispensado por Manuel
José e que voltou ao nosso país para brilhar com a camisola do Marítimo
já depois de ter estado no Mundial 1998.
Nascido a 2 de julho de 1968 na
cidade de Varna, a terceira maior da Bulgária, começou a jogar futebol no clube
local, o Cherno More, no qual fez a formação e os primeiros anos de sénior,
tendo amealhado cerca de 80 jogos e 20 golos entre 1988 e 1991. Depois transferiu-se para o Levski
Sófia, que o catapultou para a seleção
principal da Bulgária, pela qual viria a somar 34 internacionalizações e três golos. Em quatro anos no emblema da capital amealhou 110
encontros 24 remates certeiros, tendo, pelo meio, passado por um curto
empréstimo aos turcos do Altay durante a época 1993-94. Durante esse período
venceu três campeonatos (1992-93, 1993-94 e 1994-95) e duas taças (1991-92 e
1993-94), mas falhou a convocatória para o Mundial
1994 e para o Euro 1996.
No verão de 1995 foi treinar à
experiência no Benfica,
então orientado por Artur
Jorge, tendo agradado ao treinador e assinado por três temporadas. Ainda
assim, Iliev passou por uma “adaptação difícil”, sobretudo por causa do idioma,
mas ao fim de quatro meses “já falava mais ou menos português”, segundo contou
ao Maisfutebol
vinte anos depois.
Com o romeno Panduru como melhor
amigo, um dos concorrentes para a posição de médio ofensivo – outro era o
brasileiro Valdo, já em final de carreira –, viu sair Artur
Jorge (e entrar Mário
Wilson) logo no arranque do campeonato, o que prejudicou a afirmação do
búlgaro, que nunca atingiu o estatuto de ídolo, mas fez duas épocas regulares
na Luz.
“Em dois anos fiz mais de 40 jogos e marquei quatro golos. E, se não estou em
erro, na altura só podiam jogar três estrangeiros. Acho que fiz um bom percurso
no Benfica”,
avaliou.
Depois do “velho capitão”, ao
leme do qual venceu a Taça
de Portugal em 1995-96, foi treinado por Paulo
Autuori na época seguinte, antes de entrar o treinador que lhe alterou o
rumo da carreira: “Manuel
José dispensou-me. Aliás, nem foi só a mim. Dispensou-me a mim, ao Panduru
e ao Valdo para contratar o Erwin Sanchez do Boavista.
Saí do Benfica
porque o treinador quis.”
Três meses antes da chegada do técnico
algarvio, chegou a ter uma proposta do diretor desportivo Toni
para renovar contrato. Mas com Manuel
José tudo mudou, tendo sido colocado a treinar à parte até encontrar novo
clube.
A solução encontrada foi voltar à
Bulgária para vestir a camisola do Slavia Sófia, tendo ainda regressado à
Turquia para representar o Bursaspor antes de marcar presença no Mundial 1998,
em França, tendo atuado nos três jogos da seleção
do leste europeu, que não foi além da fase de grupos.
No verão de 1998 mudou-se para o
AEK Atenas, mas a aventura na Grécia não correu bem, o que o levou a voltar ao
Levski no primeiro semestre de 1999. Depois ingressou no Marítimo,
aos 31 anos, tendo vivido três bons anos nos Barreiros, sobretudo os dois
primeiros, com direito a jogar na final
da Taça de Portugal e na Taça
UEFA em 2001. Ao serviço do emblema
insular somou 90 jogos e seis golos. “Já era mais experiente, já sabia a
língua. Foi tudo muito mais fácil. Foram três épocas maravilhosas da minha vida
desportiva e pessoal”, recordou.
A derradeira aventura em Portugal,
a mais discreta, foi com as cores do Salgueiros,
na II Liga, em 2002-03, uma temporada que antecedeu a última da carreira,
no Cherno More onde tudo começou. Depois tornou-se um treinador com
alguma importância no futebol búlgaro, ao ponto de ter vencido a Taça da
Bulgária ao leme do Beroe em 2009-10, orientado o Levski Sófia entre junho de
2012 e abril de 2013 e comandado a seleção
entre 2023 e 2025. Desde dezembro de 2017 que treina interruptamente o Cherno
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