sábado, 11 de janeiro de 2020

Os 10 clássicos mais marcantes entre Sporting e Vitória FC

Frechaut e Pedro Barbosa num clássico no final do século XX
Um clássico pintado em tons de verde e branco. Para uns às riscas horizontais, para outros às listas verticais, mas são essas as cores de Sporting e Vitória de Setúbal, dois clubes de diferentes dimensões, mas que em comum têm o estatuto de históricos do futebol português.

No total, são quase duas dezenas de jogos, a maior parte na I Divisão, mas muitos e bons também na Taça de Portugal e na Taça da Liga, incluindo finais.


Do Campeonato de Lisboa em 1919 à Taça da Liga em 2018, do Campo dos Arcos ao novo Estádio José Alvalade, das chuvas de golos às traições de Fernando Tomé e Manuel Fernandes, o mais difícil é escolher os confrontos que mais deram que falar.

Vale a pena recordar os grandes clássicos entre os dois clubes. Veja aqui a nossa seleção de dez mais marcantes, por ordem cronológica.


25 de fevereiro de 1940 – I Divisão (6.ª jornada)
De regresso à I Divisão, o Vitória teve um arranque de campeonato complicadíssimo, com cinco derrotas nas cinco primeiras jornadas. Na sexta ronda, os sadinos deslocaram-se ao Lumiar para defrontar o Sporting do treinador húngaro Joseph Szabo, desfalcado de Peyroteo.
Ainda assim, os leões foram esmagadores e chegaram aos dois dígitos. Ao intervalo, havia apenas 3-0, mas no segundo tempo o vendaval ofensivo dos lisboetas rendeu mais nove golos. Marcaram Armando Ferreira (28 minutos), Manuel Soeiro (36’, 74’ e 84’), João Cruz (39’, 62’ e 70’), Adolfo Mourão (55’) e Pedro Pireza (66’, 77’, 79’ e 80’).
O Sporting discutiu o título até ao fim, mas não evitou que o FC Porto fosse campeão. Já o Vitória terminou o campeonato no 10.º e último lugar.

Equipa do Sporting em 1940


27 de junho de 1954 – Taça de Portugal (final)
Com dois dos cinco violinos em campo, Travassos e Vasques, o Sporting era novamente orientado por Joseph Szabo e tinha conquista o tetracampeonato nessa época, tornando-se no único clube a sagrar-se campeão por quatro épocas consecutivas, algo só se voltaria a acontecer em Portugal na década de 1990.
Porém, o Vitória não se deu por vencido e lutou até ao fim para levar a Taça para Setúbal pela primeira vez. Após João Martins (15 minutos) e Fernando Mendonça (18’) terem adiantado os leões, Soares bisou para os sadinos (24’ e 40’) e deixou o jogo empatado ao intervalo. No entanto, Fernando Mendonça fez o 3-2 para o Sporting aos 54’, mas os setubalenses alegaram que o golo foi marcado em fora de jogo escandaloso.
Por sentirem que os jogadores dignificaram o clube e foram prejudicados no Jamor, os sócios e adeptos receberam a equipa em festa em Setúbal, mandaram fazer na Ourivesaria Pedroso um troféu ao qual chamaram Taça Recompensa e entregaram-no àqueles que consideraram ser os justos vencedores da final.

Capitães das duas equipas antes da final
Taça Recompensa na Sala de Troféus do Vitória


17 de junho de 1973 – Taça de Portugal (final)
O Sporting disputava a final da Taça de Portugal pela quarta época consecutiva, mas tinha acabado o campeonato em quinto lugar, duas posições abaixo do Vitória, que vivia um dos últimos anos do seu momento áureo.
Perspetivava-se um jogo equilibrado, mas os leões de Mário Lino chegaram ao intervalo a vencer por 2-0, com golos de Nélson Fernandes aos 23 minutos e Hector Yazalde aos 34’. Na segunda parte, coube a Fernando Tomé, um produto da formação vitoriana, fazer o 3-0 (66’). Os sadinos de José Maria Pedroto ainda reduziram por Duda (76’) e Vicente (86’), mas não conseguiram atirar a decisão para prolongamento e o Sporting confirmou a conquista da oitava Taça de Portugal do seu palmarés.



28 de novembro de 1987 – I Divisão (12.ª jornada)
Vitória FC 2-1 Sporting
Porém, Manuel Fernandes não teve só boas memórias desse encontro, uma vez que saiu de maca aos 24 minutos devido a uma fratura no maxilar. E pouco depois, o Sporting chegou ao empate por intermédio do sucessor dele em Alvalade, o avançado brasileiro Paulinho Cascavel (30’). A igualdade resistiu durante uma hora, mas já ao cair do pano o veterano Vítor Madeira aproveitou uma bola perdida na área leonina para bater Damas e dar o triunfo aos sadinos (90’), que na altura ultrapassaram o adversário dessa jornada e saltaram para o quarto lugar.



24 de março de 1991 – I Divisão (28.ª jornada)
Com o Vitória de Quinito a precisar de ganhar para fugir aos lugares de despromoção e o Sporting de Marinho Peres proibido de perder pontos para continuar na luta pelo título, as duas protagonizaram um jogo aberto e espetacular, com três golos para cada lado, mas também polémico, com o árbitro José Pratas a assinalar três grandes penalidades.
Os sadinos nunca estiveram em desvantagem e abriram o ativo aos 13 minutos por Jorge Silva, de cabeça, após cruzamento de Crisanto. Fernando Gomes empatou aos 25’ de grande penalidade, mas Nunes devolveu a vantagem à equipa da casa ainda antes do intervalo (42’), também de penálti.
Já na segunda parte o recém-entrado Mladenov fez o 3-1 para o Vitória a um quarto de hora do fim, mais uma vez de penálti, e acreditava-se que poderia ter resolvido o jogo. Porém, Balakov reduziu a diferença na conversão de um livre direto (80’) e Careca fez o empate pouco depois (85’).
No final da época, os setubalenses acabaram mesmo por descer de divisão, enquanto os leões não foram além do segundo lugar.



29 de agosto de 1993 – I Liga (2.ª jornada)
O Vitória acabava de regressar ao patamar maior do futebol português após dois anos na II Liga e procurava continuar a somar pontos depois de um empate na Amadora na jornada inaugural, enquanto o Sporting pretendia continuar invicto após um triunfo na receção ao Salgueiros no arranque do campeonato.
Quando as equipas se defrontaram logo na segunda ronda, houve chuva de golos no Bonfim. Tal como dois anos e meio antes, o Vitória voltou a ser o primeiro a marcar, à passagem do primeiro quarto de hora, com Yekini a aproveitar uma fífia do guarda-redes Costinha para atirar para a baliza deserta.
A resposta do Sporting só se fez sentir no segundo tempo, mas valeu a pena à espera, tendo em conta a genialidade do golo do empate, apontado por Balakov, que recuperou a bola ainda no meio-campo leonino e foi cavalgando até à baliza adversária, deixando tudo e todos pelo caminho antes de atirar para o fundo das redes (55’). Ainda hoje há quem considere esse um dos melhores golos de sempre apontados no campeonato português.
Logo a seguir o Vitória esteve perto de se recolocar em vantagem, com Valckx a impedir o golo sobre a linha de baliza, mas imediatamente depois são os leões que chegam ao segundo golo, por Cherbakov (58’), poucos meses antes da tragédia que o atirou para uma cadeira de rodas.  Contudo, o encontro atravessava uma fase diabólica e a pujança de Yekini voltou a fazer-se sentir à passagem da hora de jogo, tendo o nigeriano fuzilado Costinha após grande cruzamento de Rui Esteves.
Depois do 2-2, só deu Sporting. Após algumas ameaças, o conjunto orientado por Bobby Robson chegou ao terceiro golo por intermédio de Pacheco (77’), extremo que nesse verão quente tinha trocado o Benfica pelo emblema de Alvalade juntamente com Paulo Sousa.



24 de maio de 2003 – I Liga (33.ª jornada)
Um jogo histórico não pelos sete golos nem por ter tido caráter decisivo, porque não teve – o Sporting tinha o 3.º lugar garantido e o Vitória já tinha a despromoção confirmada -, mas por ter sido o último jogo de sempre do velhinho Estádio José Alvalade, que era a casa dos leões desde 1956.
Os sadinos até se viram obrigados a fazer três substituições forçadas devido às lesões de Sandro, Rui André e Marco Tábuas, mas nunca estiveram em desvantagem. Meyong abriu o ativo aos 13 minutos, mas Paulo Bento empatou aos 15’. Porém, um autogolo de Beto (21’) e um remate certeiro de Jorginho (24’) colocaram a equipa orientada por Carlos Cardoso com dois golos de vantagem. João Pinto (26’) reduziu pouco depois e Ricardo Quaresma empatou a meio da segunda parte (67’), mas em tempo de compensação Meyong marcou aquele que viria a ser o último golo de sempre do antigo estádio do Sporting.



22 de março de 2008 – Taça da Liga (final)
Sporting 0-0 (2-3 g.p.) Vitória FC
35 anos depois, os dois clubes voltaram a defrontar-se numa final, desta feita na edição inaugural da Taça da Liga.
Embora gerido por uma comissão de gestão e com problemas de salários em atraso, o Vitória de Carlos Carvalhal estava a fazer uma temporada fantástica, tendo passado todo o campeonato na primeira metade da tabela, chegado às meias-finais da Taça de Portugal e feito um percurso sensacional na Taça da Liga, deixando para trás Sp. Braga e Benfica antes de ter ficado em primeiro lugar num grupo que continha Sporting, Penafiel e Beira-Mar.
Já o Sporting de Paulo Bento, que desde muito cedo se atrasou na corrida ao título no campeão, procurou salvar a época nas taças. Na caminhada até à final da Taça da Liga, disputada no Estádio do Algarve, sentiu dificuldades para ultrapassar Vitória de Guimarães e Fátima nas eliminatórias que antecederam o grupo quadrangular.
A final pautou por um futebol não muito bem jogado, o que culminou num empate ao fim dos 90 minutos. No desempate por grandes penalidades, o guarda-redes sadino Eduardo foi decisivo ao defender três penáltis, ajudando os vitorianos a vencer por 3-2.






27 de janeiro de 2018 - Taça da Liga (final)
Vitória FC 1-1 (4-5 g.p.) Sporting
No 10.º aniversário da Taça da Liga, quis o destino que se defrontassem na final os finalistas da primeira edição, com apenas um jogador como resistente: o guarda-redes leonino Rui Patrício. Tal como dez anos antes, o vencedor só foi conhecido após o desempate por grandes penalidades, que desta feita sorriu ao Sporting, que arrecadou o troféu pela primeira vez.
O Vitória, que sonhava com a segunda conquista numa temporada em que passava por tremendas dificuldades para sair dos lugares de despromoção, até inaugurou o marcador logo aos quatro minutos, por Gonçalo Paciência, que haveria de se despedir dos sadinos após esse encontro. Porém, Bas Dost empatou de penálti aos 80 e atirou a decisão para os pontapés da marca dos onze metros.
Naquela que foi a primeira final de sempre para o técnico vitoriano José Couceiro, quem sorriu foi o timoneiro sportinguista Jorge Jesus, que nessa noite ganhou em Braga a Taça da Liga pela sexta vez.
Para trás ficou um percurso meritório dos setubalenses, que na fase de grupos deixaram para trás os favoritos Benfica e Sp. Braga, além do Portimonense, e na meia-final eliminaram com tremenda eficácia a Oliveirense. Já o Sporting confirmou o favoritismo num grupo que também contava com Marítimo, Belenenses e União da Madeira e superou o FC Porto no desempate por penáltis na outra meia-final.
































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