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| Ricky Boy é um dos wrestlers mais over em Portugal |
Um dos mais talentosos,
espetaculares e populares wrestlers portugueses, vai estrear-se esta
quarta-feira como treinador no primeiro treino da nova escola de wrestling em
Portugal, a Margem Sul Wrestling School, no Ginásio Clube de Corroios.
RICKY BOY - Isto por acaso não foi planeado. Como sabes, o Wrestlefest faz há shows lá em Corroios há muito tempo porque eu e o meu pai frequentamos o Ginásio Clube de Corroios há muito tempo. E o meu sempre me disse: “vão fazer shows lá, vão fazer shows lá”. Falei com o Nelson Pereira, quando o Wrestlefest tinha uns três shows por ano, e sugeri-lhe um novo sítio, disse-lhe que o meu pai conhece o presidente, passava o contacto e ajuda no que for preciso. Até acho que foi o Leo Rossi, que é de Corroios, da margem sul, que se encarregou disso.
Os shows foram acontecendo e chegou a um momento em que o Miguel [Godinho], presidente do Corroios, enviou uma mensagem ao meu pai a perguntar se eu não queria fazer uma escola de wrestling lá, porque os shows estão a correr bem e querem ter wrestling lá. Eu disse que sim, perguntei ao Nelson se era na boa caso fosse preciso usar a marca do Wrestlefest para alguma coisa – por acaso, não foi preciso – ou caso seja preciso usar o ringue do Wrestlefest, mas por acaso ainda não é preciso. A partir daí, fui tendo conversas com o Miguel e abrimos a escola. Amanhã [7 de outubro] temos o primeiro dia.
A adesão de alunos até está a correr bem, ainda não sei quantas pessoas é que estão confirmadas para amanhã, mas sei que já algumas ao Ginásio Clube de Corroios para se inscrever e não conseguiram porque na altura ainda não havia horários nem mensalidades, e mesmo ontem [5 de outubro], porque era suposto ser o dia em que era para começar, mas era feriado. Então, adiámos para amanhã. Acredito que vai ser um projeto bacano, porque a última escola que houve na Wrestlefest foi o Wrestlefest Dojo e não esteve aberto muito tempo. Foi sempre algo que faltou, porque há muita gente da margem sul que vai ver wrestling e os únicos sítios que tem para treinar é Porto, Algarve, Ajuda, Alenquer ou Queluz. E é tudo muito longe aqui da zona. Por isso, acredito que vamos ter pessoas daqui a treinar, mesmo lutadores que já treinem noutros sítios e que já lutem vêm cá. Acho que vai ser um bom projeto.
Estou nervoso, honestamente, porque às vezes sinto que não devia estar a dar treino, mas acho que vai ser bacano.
Não há nenhum que vá ser meu adjunto, mas tenho pessoas que já me disseram de vão lá treinar de vez em quando. E cada vez que forem, vou-lhes pedir ajuda. O Paulo “Knockout” Cruz já me disse que ia e vou claramente pedir-lhe ajuda, porque ele já dá treinos no WP e vai ser uma mais-valia para mim. O Gomes, sendo o “Monstro da Margem Sul”, se for lá treinar, claramente vai ser uma pessoa a quem vou pedir ajuda. Vai dependendo, não tenho ninguém anotado como treinador adjunto, mas vou pedir ajuda a quem vier porque é mais fácil ter alguém que já sabe e com quem é mais fácil demonstrar o que é preciso fazer.
Para já ainda não. O Ginásio Clube de Corroios tem muitos desportos de combates e muitas modalidades em geral. Os treinos vão ser em tatami com tudo o que eu preciso a nível de colchões, vão distribuir todo o material necessário. Vou ver se consigo ringue algumas vezes. Em dias de shows do Wrestlefest vai haver treino em ringue e, por enquanto, vai ser só em dias de shows.
Sim.
Imagino só como escola. Só vejo este projeto como escola para mais lutadores. O Wrestlefest já faz shows em Corroios e não quero estar a roubar essa cena, entre aspas. Quando eventualmente vir alguém a treinar e entender que já está pronto para lutar, falo com o Wrestlefest para replicar o que faz no Porto, em que há o Level Zero, um pré-show para os alunos. É isso que quero começar a fazer. Fazer shows não acho que faça muto sentido.
“Popularidade? Talvez seja por eu parecer uma criança”
Falando agora mais de ti enquanto wrestler e do momento que atravessas. Tens a noção de que és, no mínimo, um dos lutadores mais populares e mais reconhecidos pelos seus pares em Portugal?Um pouco. Não quero dizer que sim, porque parece que me acho o melhor. Mas, não vou mentir, pelo que as pessoas me dizem, sim. Não sei porquê, honestamente, porque há gente muito boa no wrestling. Talvez seja por eu parecer uma criança, porque sou pequenino e tenho cara de puto, talvez seja fácil gostarem de mim. E eu sou bacano, na verdade. Mas sim, é fixe, a fase que estou a passar é bacana.
Neste momento sinto que mereço. Acho que, com a história certa ou se tudo correr como eu penso que possa correr, eu mereço. Tenho o exemplo de ganhar o Cinturão de Lisboa e na altura pensar que não merecia. Depois, com o tempo, mostrei que até podia ter um título à vontade, para as pessoas confiarem em mim. Mas no momento sinto que mereço e que pode acontecer no futuro, é uma realidade que possa acontecer. Antes pensava que nunca ia ganhar o Campeonato Nacional Absoluto. Honestamente pensava que não me viam como lutador de Campeonato Nacional Absoluto, pelo meu tamanho e pelo facto de ser o lutador mais pequeno de Portugal. Mas sinto que, ultimamente, com o wrestling que eu tenho feito, as interações que tenho tido e a reação do público, acho que perceberam que se calhar mereço. Não quero estar a dizer aqui que sou muito bom e tal de modo a ter um título, não é nada disso, mas sinto que melhorei bastante – há muita gente que me diz isto – e acho que é uma realidade que possa acontecer e até há quatro meses achava que não, honestamente.
Foi o facto de ter estado de Erasmus em Barcelona e ter treinado praticamente todos os dias durante três meses. O primeiro mês foi meio destorcido porque estava a adaptar-me a uma nova cidade, mas a partir de abril consegui treinar praticamente todos os dias. Quando digo todos os dias, era mesmo de segunda a sexta. Às vezes sábado também, mas eu deixava o fim de semana para descansar o corpo e não acabar todo destruído. E acho que isso ajudou-me bastante. Ajudou-me bastante também fazer shows [da Lucha Libre Rebelion] lá em Barcelona, porque eles não me conheciam, ninguém do público me conhecia, e tive de criar novas maneiras de chamar a atenção deles. No primeiro show [Alianza, a 28 de maio] ninguém me conhecia, mas no segundo [Si Se Puede, 20 de junho] já me conheciam mais ou menos, porque era a segunda que eu estava a aparecer e estavam tipo “ok, este gajo é fixe, já estamos a curti-lo, já estamos a dar pop a ele”.
Wrestling Portugal e Project Wrestling, mas o main sítio é o Wrestling Portugal. Na Project só de vez em quando, porque é muito longe, mas gosto da malta que está lá.
Por enquanto tenho o Wrestlefest e posso dizer que vou estar no show do Porto [Porto Wrestlefest: Halloween]. Vou lá estar, mas não vou dizer já o que vou fazer.
Era para ter estado no último show da APW [Terror no Ringue, a 3 de outubro], mas recentemente estive no País de Gales durante uma semana, magoei-me na perna a treinar e agradeci o convite ao booker e disse-lhe que gostava muito de ir, mas que preferia descansar a perna do que lixá-la mais e depois não conseguir fazer outros shows.
Outras promotoras? Estou aberto a tudo. Lá fora por enquanto não tenho nada, mas disse no último dia que estive em Barcelona a treinar que, caso me quisessem, me chamem. Que me avisem com antecedência que eu vou. Promotoras aí fora: se quiserem o Ricky Boy, chamem-me. Tenho todo o gosto. Estive agora a treinar na New Wave Academy e foi muito bacano e também na Evolution Wrestling, onde está o Ricardo Neto, e também foi muito bacano.
“Saltos de zonas altas? Dizem-me que sou maluco, mas a malta curte de ver”
Um dos fatores que contribui para a tua popularidade é o teu estilo bastante dinâmico, ágil, voador, destemido e até mesmo insano, como se comprova pelos saltos a partir de zonas altas das venues no Anarchy in Madalena no Porto Wrestlefest 2 e mais recentemente durante o combate entre Baltazar e Tony de Portugal no Porto Wrestlefest: Bingança. O que é que te passa pela cabeça durante aqueles segundos antes de saltares e durante o salto e como reagem os outros lutadores a essas ideias?Antes até tinha medo às vezes. Tinha um bocadinho de medo quando fazia esses saltos assim. Já vi o Damião, num show em que estive, a magoar-se bastante. Durante um período, depois de ele se magoar, fiquei com medo de fazer algumas cenas. Mas ultimamente tenho pensado: “Ricky, aceita só, bro. Tu consegues fazer. Eles apanham-te. Confia.” É isso que eu tenho pensado, honestamente.
Sobre o que as outras pessoas pensam, por exemplo, o Ramon diz que já chega: “Ricky, não saltes mais, já está demasiado.” E as outras pessoas só dizem que sou maluco. E eu digo: “sou maluco, mas a malta curte de ver.” Honestamente, gosto de saltar de sítios altos, principalmente na praia. Por isso, é só mais uma diversão para mim e gosto bastante.
Já apanhei sustos, nunca me lesionei agora. Acho que só apanhei sustos. Tenho este problema na perna já há algum tempo, mas é por culpa minha, porque não fui tratar logo, achava que era só pancada. Em Barcelona, uma vez a fazer uma bump, por falta de comunicação com o rapaz com quem estava a treinar, bati com a cabeça no chão, de lado, e vi um piscar de luzes.
Também já fiquei sem ar no meio do ringue, mas, felizmente, foi no final do combate, o que me ajudou bastante. Se olharem para mim no vídeo, no Almada Wrestlefest 3, no final fui atacado pela Alcateia, levei o Octabomb, o finisher deles, e fiquei a respirar com muita força, porque fiquei sem ar.
Praticou futsal, boxe, natação, judo e ginástica artística
Sei que jogaste futsal nas camadas jovens do Águias Unidas, um clube do concelho do Seixal. Tens mais algum background desportivo que justifique toda a tua agilidade? E como descobriste que eras capaz de fazer moves como o 450 Splash?Já fiz muitos desportos. Já fiz futsal, boxe, natação, judo e ginástica artística. A ginástica e o boxe ajudaram-me bastante no wrestling. No boxe ensinam bastante footwork e isso ajudou-me. A ginástica deu-me agilidade e tirou-me um pouco o medo de fazer algumas coisas – há algumas coisas que ainda tenho medo de fazer, mas consigo fazer.
Concordo com o que estás a dizer. Não vou mentir. Concordo. Sei que fiz poucas vezes o Destroyer e o pin em seguida, mas, por exemplo, contra o “Knockout” no Lisboa Wrestlefest III fiz o pin e depois é que fiz o Frog Splash porque fazia sentido para o combate, mas eu não acabo com o Destroyer numa lógica de: “Já derrotei este gajo, este gajo está no chão, então vou só agora dar um bocadinho de flex, consigo fazer um move ainda mais bacano.” O Frog Splash sempre foi o meu finisher, então usava o Destroyer como setup para o meu finisher. É claro que é um move demasiado devastador para setup, é verdade, mas uso-o tanto como setup para o meu finisher ou para tentar ganhar o combate.
Por acaso estou bem tranquilo, não vou mentir. Até porque só faço a pessoas em quem eu confio, não vou mentir. Há combates em que não faço. Mas estou mega tranquilo. A pessoa a quem gosto mais de aplicar é ao “Knockout”. Ele leva aquilo perfeitamente e até foi com ele que eu aprendi muito a fazer. A primeira pessoa a quem eu apliquei foi o “Goldenboy” Santos, mas com quem eu aperfeiçoei nos treinos foi o “Knockout”. É em quem eu confio mais. Ao início tinha um bocadinho de medo, porque pensava só em não rodar demasiado, e não sou um gajo pesado ou com muito músculo para estar a levar com 70 quilos em cima de mim e cair assim. Então eu pensava: “por favor, roda, roda, roda.” Agora estou mais: “Ok, malta, eu confio em vocês. Estão a dizer-me que querem levar, eu vou confiar em vocês.” Agora já estou bem na boa. Claro que há pessoas que, se me disserem querer levar, eu digo “não”. Mas a maioria da malta eu já confio para levar e já estou bem. Eu próprio já quis levar.
Há pessoas que se calhar não. Tens o exemplo do Paulinho, que tem um move-set com moves mais básicos, os Springboards que ele faz com o Elbow que são bem bacanos e o DDT do canto é bem bacano, mas não é nada do tipo um 450 Splash… e o Paulinho é mega popular. Claramente que os moves ajudam, mas consegues ser mega popular a fazer um wrestling mais básico. Depende da forma como interages com a crowd, do que fazes na tua entrada, no teu combate, o que fazes entre os moves, da maneira como falas com os fãs… e acho que sou uma boa combinação disso tudo. Antes achava que era só por causa do meu wrestling, porque não era o melhor a interagir com o público e até tinha um pouco de vergonha. Mas desde que fui a Barcelona que estou melhor nessa parte, porque obriguei-me a interagir com o público. Isso não acontecia.
A primeira memória, não tenho a certeza se foi assim, mas na minha cabeça é: estava na casa de uma amiga do meu irmão e ele estava a ver o Randy Orton contra o Triple H sem desqualificações no SmackDown. Agora perguntas: isto aconteceu? Não tenho a certeza, não vou mentir. Mas lembro-me exatamente do Triple H com a marreta dele e uma cadeira contra o Randy Orton.
Na altura descobri o wrestling, mas não sabia como acompanhar. Pesquisava no YouTube por “WWE Hoje” e só me apareciam vídeos brasileiros e não era o que eu queria ver. Então demorei muito tempo a acompanhar semanalmente o wrestling. Ajudou quando tive as minhas primeiras redes sociais, porque conseguia acompanhar pelas redes, e quando comecei a aprender mais inglês, para pesquisar na Internet. Ao início via muito só Top 10 e Extreme Moments, e só com o tempo é que passei a pesquisar mais e a ver o Raw e o SmackDown semanalmente, depois o NXT também quando apareceu e posteriormente um bocadinho de TNA. Foi a segunda companhia de wrestling que descobri, porque me apareceu na Sport TV o Jeff Hardy a cair da porta da jaula para cima das escadas que eles usam para entrar. Fiquei tipo: “Conheço este gajo! E por acaso eu adoro este gajo! Mas este gajo está noutra companhia que não é WWE.” E depois tive de pesquisar mais e fui abrindo mais as portas ao wrestling para lá da WWE. Até porque é bom para qualquer fã de wrestling não ver só a WWE.
As inspirações e uma crença: “Acredito que nunca serei heel”
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| Salto de Ricky Boy num show em Barcelona |
Por falar em Jeff
Hardy… tens uma gear com algumas semelhanças às de Rey
Mysterio, usas um logo parecido ao do “Heartbreak
Kid” Shawn Michaels e já li e ouvi apontarem-te parecenças no visual e/ou
no estilo a Jungle Boy, Darby Allin, Matt Riddle e Jeff
Hardy. Mas quem eram realmente os teus wrestlers favoritos em criança e de
que forma é que as tuas inspirações têm evoluído ao longo dos anos?
Em crianças, os meus wrestlers favoritos
sempre foram mais ou menos mudado, mas tinha sempre o mesmo estilo de wrestler
favorito: os high flyers. Sempre foi o estilo que mais gostei. Hoje em
dia uso muito o Jeff
Hardy como inspiração, mas não é pelos moves, porque ele não fazia o 450
Splash, mas por causa da destreza que tinha e de não ter medo de fazer coisas.
Rob
Van Dam também é alguém que uso muto e é a razão de eu usar o Frog
Splash. E o Edge,
quando era puto, por causa do cabelo, mas não uso nada dele atualmente, até
porque ele sempre foi mais conhecido por ser heel e eu acredito que nunca serei
heel. Claro que para gears e tudo o resto tenho outras, como o Rey
Mysterio para as calças. Mas também tenho outras. Vou vendo de vez em
quando lucha libre mexicana e às vezes tento inspirar-me no que vejo lá.Acho que sim. Honestamente, não acho que faça sentido agora. Pode acontecer daqui a um ano ou dois, se a malta se fartar do Ricky Boy. Agora não acho que faça sentido, seria só estragar uma cena bacana que temos agora. Nós temos agora grandes faces em Portugal: Paulinho, Cláudia, Damião, eu e o Baltazar no Porto, que é tipo o John Cena de lá. Em termos de heels também temos uns muito bacanos como os Stus, o Leo Rossi, Tony de Portugal, o Ruben Bento que no Porto Wrestlefest: Bingança esteve muito bem e teve uma das performances mais bacanas que já vi. Estou muito bem como face e acho que nunca vou virar heel. Não sinto mesmo necessidade e também não tenho muita vontade. A seu tempo.
Ficou “pasmado” a ver RAFA contra Cougar
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| Ricky Boy a assistir ao famoso RAFA vs. Cougar |
Recentemente estive a ver pela
primeira vez o famoso combate entre RAFA e Cougar no WP Batalha Épica,
realizado a 5 de março de 2017, e reconheci-te na plateia. Pelas contas,
estavas a poucos dias de comemorar o 13.º aniversário. Como é que descobriste o
wrestling nacional e quando decidiste começar a praticar wrestling?
Esse foi o primeiro show de wrestling
que vi ao vivo. Acho que foi o meu pai que descobriu que havia wrestling em
Portugal, que havia WP, e levou-me. Fiquei pasmado a ver aquilo, o meu pai
ainda hoje em dia diz que é o combate favorito dele em Portugal, e o filho dele
é lutador…Aquele combate foi uma das razões também para eu querer começar a trenar wrestling em Portugal, porque vi o Cougar a dar um Moonsault do topo de um espaldar, um Curb Stomp nos steel steps do WP… magnífico! Uma cena que nunca tinha visto, tão real. Fiquei tipo: “porra, isto e está a ser fantástico, um grande combate!”. Fiquei mesmo pasmado a ver aquilo e a desejar querer fazer o que eles estavam a fazer. Não comecei logo a treinar porque também era puto, mas despertou-me a curiosidade de treinar em Portugal.
Killer Kelly deixou-o com o “ego muito em cima” no primeiro treino
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| Ricky Boy no treino no WP com Kelly em dezembro de 2019 |
Apesar disso, começaste a
treinar no CTW. Porquê essa escolha e como correram os primeiros treinos?
Por acaso o CTW não foi a minha
primeira escolha, porque antes da pandemia fiz dois treinos no WP. O primeiro
treino até foi um em que a Killer
Kelly foi e ela na altura até me deixou com o ego muito em cima porque eu
fiz uma cena e ela disse: “uau, futuro lutador da WWE.” Por fora estava bem
calmo, mas por dentro estava a saltar, porque ela nessa altura já estava no NXT
UK. Depois fiz outro treino com eles, estava a gostar, e a pandemia acontece.Estive um ano e meio ou dois anos sem treinar, mas como já tinha começado a treinar, comecei a pesquisar muito sobre wrestling português, muito intensamente, em casa, sozinho, durante a pandemia. Depois descobri o CTW e vi que tinham trazido lutadores de fora, como o Zack Sabre Jr. ou o Pete Dunne. Pensei que se fosse para lá podia treinar ou lutar com eles, era mais perto de minha casa, mais acessível para ir de transportes, vi as mensalidades, as parcerias que tinham e comecei a treinar lá.
Inicialmente quase não consegui treinar, porque não tinha passe. Quando passei a ter aprendi como é que se ia para lá de transportes e comecei a ir sozinho.
Eles já sabiam que eu ia querer fazer isto, chegar a este objetivo na minha vida, porque eu só falava disto. Era wrestling, wrestling, wrestling. Quando comecei a treinar, viram-me a chegar a casa marcado e não gostaram, como deves imaginar, e ainda hoje não gostam. Quando salto de sítios altos dão-me na cabeça: “para que é que vais fazer isto? És maluco? Ainda te magoas!”. E eu digo-lhes que está tudo bem, para não se preocuparem. Mas eles apoiam-me, sabem que é disto que eu gosto. Ficariam mais relaxados se fosse uma cena mais calma, mas veem que este é o meu sonho, a minha paixão, então apoiam-me com o que conseguem. É muito fixe. Acho que até agora só não foram a três shows, até conseguiram ir a um em Barcelona. São os meus maiores fãs.
Deve o ring name a um amigo do irmão
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| Ricky Boy, ou melhor, Ricardo, no combate de estreia |
Esteaste-te a 10 de dezembro
de 2022, no CTW Dojo Wars 2, salvo erro apresentado ainda como Ricardo, numa
derrota às mãos de HNDRXXX…
Fui apresentado como Ricardo,
porque na altura perguntaram-me o que eu queria ser e eu não fazia ideia. Eu só
queria fazer wrestling, só queria treinar, e estava a entrar no ringue. Não pensei na minha theme song, na minha gear,
no meu nome, não pensei em nada… entrei com calções pretos porque na altura foi
o que me pediram para arranjar. Entrei com uma música que o Lobo
Ibérico me arranjou, porque eu não sabia com que entrar, e com o meu nome
verdadeiro, que é Ricardo. Depois, no meio do combate, estava lá um amigo do
meu irmão, que chamava sempre Ricky Boy, e começou a gritar Ricky Boy. E pensei
em adotá-lo como ring name, sendo que no segundo combate já fui
anunciado como Ricky Boy.Lembro-me de estar mega nervoso. Como era o primeiro show, queria que corresse bem. Tive a sorte de ser contra o Andy [Hendrix], que é um lutador do caraças e consegue guiar à vontade. Lembro-me de chegar ao backstage demasiado cansado para o combate que foi, porque não corri muito nem fiz o que faço hoje em dia. Foi um combate muito mais parado, mais calmo, mais técnico. Esse cansaço era da ansiedade, da adrenalina e de tudo e mais alguma coisa. Mas fiquei muito feliz porque para primeiro combate não foi nada mau. Houve coisas que poderiam ter sido muito melhores, até porque treinava há um ano, se não me engano. Ainda hoje em dia quero um combate contra o Andy porque já se passaram quase quatro anos e nunca me cruzei novamente com ele, nem em Rumble nem em multi-man. Quero muito um combate contra ele só para conseguirmos dar um combate dez vezes melhor do que foi e mostrar à malta que eu estou melhor. O Andy vai ser sempre o Andy, que é um gajo do caraças. Se calhar consigo ganhar ao Andy, vamos ver se consigo ter a minha vitória de volta.
Lembro-me do entusiasmo de finalmente me estrear, algo da bucket list da minha vida, e de ir a correr comprar tape para os pulsos e lembro-me de estar a pensar se ia usar joelheiras, como ia pôr as joelheiras, o que queria fazer com o público… estava preocupado com tudo e mais alguma coisa.
“Quero muito que o público cante ‘Tás Na Boa’ durante a minha entrada”
Não, não. Existe um lutador mexicano muto antigo chamado Ricky Boy, por exemplo. É um nome que eu uso para o wrestling, ele usa para a música. Nenhum de nós tem trademark do nome, não é propriedade de ninguém. Se ele arranjar problemas vou dizer-lhe para vir cantar a um show. Acho que nunca vai dar problemas. E se der, é falar.
A minha primeira música, como disse, foi arranjada pelo Lobo Ibérico, era uma música de anime. Não me identificava muito, mas precisava de uma música e estava nervoso. Depois, quando saí do CTW, pensei em arranjar uma gear e trocar de música. Fui eu e o meu pai que desfizemos a música. Eu dizia que ia precisar de música e fui pesquisando e o meu pai ia pesquisando e mostrava-me. E perguntei ao Nelson se podia ser, porque é uma música conhecida, ainda por cima portuguesa. O Nelson disse que sim e ficou. Ainda hoje, quero muito que o público cante “Tás na Boa” durante a minha entrada, mas está complicado. No Porto já cantaram e é isso que eu quero, como cantam “Knock Out” durante a entrada do “Knockout”, o que até faz muito mais sentido, porque é o nome dele.





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