quarta-feira, 23 de setembro de 2026

O goleador galês que em fim de carreira ainda deu um ar de sua graça no Benfica. Quem se lembra de Dean Saunders?

Dean Saunders apontou cinco golos em 19 jogos pelo Benfica
Avançado com mais de 200 golos na carreira, superou a meia centena de remates certeiros ao serviço de Derby County e Aston Villa e as duas dezenas com as camisolas de Brighton, Oxford United, Liverpool, Galatasaray e Sheffield United. Mas quando chegou ao Benfica, em dezembro de 1998, tinha já 34 golos. Ainda marcou cinco golos em meia época, mas não deu para mais.
 
Ponta de lança relativamente baixo (1,73 m) nascido a 21 de junho de 1964 em Swansea, no País de Gales, começou a jogar futebol nas camadas jovens do Swansea City, onde o pai, Roy, havia sido jogador e treinador.
 
Em 1982 tornou-se profissional, mas teve de esperar mais de um ano para fazer a estreia, após a despromoção dos galeses ao segundo escalão inglês, tendo apontado 12 golos em 49 jogos do campeonato ao longo de dois anos – pelo meio esteve emprestado ao rival Cardiff City.
 
Ainda nas divisões secundárias, faturou por 21 vezes em 72 encontros pelo Brighton entre 1985 e 1987. Foi precisamente durante essa altura que somou as primeiras de 75 internacionalizações pela seleção nacional do País de Gales, estreando-se num triunfo sobre a República da Irlanda (1-0) num jogo particular disputado em Dublin a 26 de março de 1986.
 
Valorizado, deu o salto para o primeiro escalão, na altura ainda chamado de First Division, depois de o Oxford United ter desembolsado 60 mil libras (cerca de 90 mil euros) pelo seu passe em março de 1987.
 
Ao longo de pouco mais de ano e meio apontou 28 golos em 61 encontros, não conseguindo impedir a despromoção à Second Division em 1988. Em 1988-89 ainda começou a época no clube, no segundo escalão, mas no final de outubro transferiu-se para o Derby County por um milhão de libras (1,5 milhões de euros).
 
Logo na época de estreia ajudou, com 14 golos em 30 jogos, o Derby a alcançar um honroso quinto lugar na First Division em 1988-89, o que só não deu o apuramento para a Taça UEFA porque na altura as equipas inglesas estavam banidas das competições europeias na sequência do Desastre de Heysel em 1985.
 
Em quase três anos no Derby amealhou 56 remates certeiros em 127 partidas, mas não conseguiu impedir a descida de divisão em 1990-91, apesar dos 17 golos que marcou no campeonato – a cinco do melhor marcador, Alan Smith (Arsenal).
 
 
Tal como tinha acontecido no Oxford, voltou a transferir-se após uma despromoção. Apesar do interesse de Everton, Aston Villa e Nottingham Forest, deu o salto para o Liverpool, que o contratou por 2,9 milhões de libras (4,4 milhões de euros), na altura um recorde em Inglaterra.
 
Em Anfield fez dupla com Ian Rush no ataque, tendo vencido a Taça de Inglaterra em 1991-92 às ordens de Graeme Souness. Na mesma época sagrou-se melhor marcador da Taça UEFA, com nove golos. Somou 25 remates certeiros pelos reds ao longo de pouco mais de um ano, mas apenas onze no campeonato, pelo que se tornou dispensável.
 
 
Pelo meio marcou o golo solitário de Gales numa vitória sobre o Brasil em Cardiff, em setembro de 1991.
 
 
Em setembro de 1992, Dean Saunders transferiu-se para o Aston Villa por 2,5 milhões de libras (3,5 milhões de euros), tornando-se na altura a contratação mais cara da história do clube. Na estreia a jogar em casa, bisou… diante do Liverpool, naqueles que foram os primeiros de 51 golos que marcou pelos villans ao longo de quase três anos. Nesse período ajudou a equipa de Birmingham a obter um segundo lugar na época inaugural da Premier League, em 1992-93, e a ganhar a Taça da Liga em 1993-94, colocando um ponto final a 12 anos sem troféus para o Villa.
 
 
Em julho de 1995 transferiu-se para os turcos da Galatasaray por 2,35 milhões de libras (3,5 milhões de euros), reencontrando o treinador Grame Souness, numa altura em que já tinha 31 anos. Na única época que passou no clube apontou 21 golos em 31 jogos e venceu a Taça da Turquia.
 
 
Depois voltou a Inglaterra para reforçar o Nottingham Forest, que o contratou por 1,5 milhões de libras (2,3 milhões de euros). Não foi particularmente feliz no City Ground, tendo assinado apenas nove golos em 50 partidas e voltado a viver uma descida de divisão.
 
 
Em dezembro de 1997 assinou a custo zero pelo Sheffield United, da Division One (atual Championship), e mostrou-se a bom nível, com 22 golos em 55 partidas ao longo de cerca de um ano.
 
 
Entretanto, em dezembro de 1998 foi contratado pelo Benfica então comandado por Graeme Souness, aos 34 anos. Em 19 jogos de águia ao peito, apontou cinco golos, o primeiro nos minutos finais de uma difícil vitória sobre o Estrela da Amadora (1-0) – depois bisou numa goleada caseira ao Farense (5-0) e marcou num triunfo em Alverca (2-0) e numa goleada ao Salgueiros na Luz (5-0).
 
 
Desvinculou-se do Benfica no verão de 1999 e assinou pelo Bradford, clube que representou nas duas últimas épocas da carreira, tendo apontado seis golos em 53 partidas pelos bantams até pendurar as botas em 2001, aos 37 anos.
 
 
Depois tornou-se treinador, tendo trabalhado como adjunto de Souness no Blackburn Rovers e no Newcastle e de John Toschack na seleção galesa. Entretanto lançou-se como técnico principal, tendo orientado clubes como Wrexham, Doncaster Rovers, Wolverhampton, Crawley Town e Chesterfield.
 
Em agosto de 2019 foi condenado a 10 semanas de prisão efetiva, por se ter recusado a fazer o teste de alcoolemia, numa operação policial em Chester, no norte de Inglaterra. 



 
 





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