quarta-feira, 26 de agosto de 2020

Marroquinos no Sporting antes de Feddal. Fique a Saber esta história

Cinco jogadores marroquinos passaram pelo Sporting antes de Feddal
Anunciado na semana passada como reforço do Sporting, proveniente do Betis, Zouhair Feddal vai dar continuidade a uma história ainda curta e recente de jogadores marroquinos em Alvalade, porém. Isto porque iniciou a meio da década de 1990 e resumia-se até agora a uma mão cheia de futebolistas, entre os quais um campeão e um vencedor de uma Taça de Portugal e uma Supertaça Cândido de Oliveira.

Tudo começou no verão de 1994. Os leões já não venciam o campeonato há 12 anos e não levantam troféus há sete. O verão quente do ano anterior tinha levado Paulo Sousa e Pacheco o Benfica pelo Sporting, mas ainda assim foram as águias a sagrarem-se campeãs.


Naybet
O presidente Sousa Cintra e o treinador Carlos Queiroz procuravam um central para colmatar a iminente saída do central holandês Valckx recrutaram o central Noureddine Naybet, que tinha acabado de disputar o Mundial dos Estados Unidos pela seleção de Marrocos, jogava no Nantes e dois antes tinha conquistado a Liga dos Campeões de África ao serviço do WAC Casablanca.
Em Alvalade, Naybet chegou, viu e venceu, afirmando-se como titular indiscutível no eixo defensivo desta a primeira hora, tendo formado uma dupla sólida com Marco Aurélio.
Duro, muito difícil de ultrapassar e com um feitio nada fácil, disputou um total de 73 jogos, marcou seis golos e venceu a Taça de Portugal em 1994-95 e a Supertaça 1995 durante os dois anos em que vestiu a camisola verde e branca. Para muitos, é ainda hoje considerado um dos melhores centrais a jogar de leão ao peito.
Valorizado, saiu para o Deportivo da Corunha por 1,6 milhões de euros e ajudou os galegos a conquistarem um inédito título espanhol em 1999-00.



Hadji
Logo após a saída de Naybet, o Sporting recrutou o médio ofensivo Mustapha Hadji aos franceses do Nancy no verão de 1996. Tal como o compatriota, pegou imediatamente de estaca, tornando-se imediatamente titular indiscutível numa equipa que haveria de se sagrar vice-campeã nacional e assegurar o apuramento para a Liga dos Campeões em 1996-97, algo que os leões ainda não tinham conseguido desde a mudança de formato em 1992.
Entre agosto de 1996 e dezembro de 1997 disputou um total de 52 jogos e marcou oito golos com a camisola verde e branca, tendo exibido grande qualidade. “Ficou no meu coração. Aprendi muito e isso ajudou-me ao longo da carreira. Quando se passa por um grande clube, como o Sporting, fica-se preparado para jogar em qualquer equipa do mundo. Ainda hoje, quando falo com sócios ou adeptos do Sporting, continuo a dizer-lhes que sou um leão! Continuei a ser um leão na maneira de jogar e de pensar o futebol, mesmo depois de ter saído”, afirmou, em entrevista ao Record, em fevereiro de 2014.
Depois pediu um aumento avultado de ordenado e acabou por transferir-se de forma litigiosa para o Deportivo da Corunha, onde foi companheiro de equipa de Naybet. “Não é isso o que guardo da minha passagem pelo Sporting, antes as pessoas com quem trabalhei e que me trataram como família. Havia uma cláusula no meu contrato que me permitia sair. Não me arrependo do que fiz, embora a minha vontade fosse levar o contrato até ao fim. Falei com o Norton de Matos [diretor-desportivo à data]. Ele sabia que eu tinha o convite do Depor. Não queria ter saído daquela forma. Queria melhores condições, é verdade. Recebi a proposta do Depor, falei com o Sporting antes de tomar a decisão, para ver se era possível continuar, mas o clube não quis. Eu era jovem, não tinha advogado, não falava português. Foi difícil. Quando um clube quer que um jogador fique, tenta conversar. Mas não vi essa vontade no Sporting e havia outro clube a pressionar para que saísse”, explicou.
Em 1998 haveria de viver um grande ano, ao disputar CAN e Mundial e ao ser distinguido como melhor futebolista africano do ano.



Saber
Hadji ainda jogava no Sporting quando em fevereiro de 1997 recebeu a companhia do compatriota Abdelilah Saber, lateral direito proveniente do WAC Casablanca que haveria de passar pouco mais de três anos com Alvalade.
Na primeira época e meia Luís Miguel e Quim Berto deram-lhe poucas possibilidades para jogar, mas o defesa reapareceu forte após o Mundial 1998, no qual foi titular nos três jogos que Marrocos disputou.
Em 1998-99 e na primeira metade da temporada seguinte foi titular indiscutível no onze leonino, mas a convocatória para o CAN 2000 e a contratação de César Prates relegaram-no novamente para segundo plano. Ainda assim, fez o que Naybet e Hadji não conseguiram: sagrar-se campeão nacional, ajudando o Sporting a quebrar em 2000 um longo jejum de 18 anos.
Depois transferiu-se para o Nápoles, primeiro por empréstimo e depois a título definitivo, rendendo 2,5 milhões de euros aos cofres sportinguistas.



Kharja
Na altura em que Saber saiu do Sporting, entrou Houssine Kharja, um médio formado no Paris Saint-Germain e no Gazélec Ajaccio que chegou a Alvalade no verão de 2000. Porém, o centrocampista marroquino não passou da equipa B, pela qual disputou 28 jogos e marcou quatro golos em 2000-01.
Embora tenha tido uma passagem discreta por Lisboa, Kharja fez uma carreira bastante interessante, tendo jogado em clubes como AS Roma, Génova, Inter de Milão, Fiorentina, Sochaux e Steaua Bucareste.


Labyad
Depois de quatro marroquinos no espaço de meia dúzia de anos, foi preciso até esperar até 2012 para o Sporting chegar à mão-cheia, quando contratou o médio ofensivo/extremo Zakaria Labyad, então uma grande promessa que saiu de forma litigiosa do PSV Eindhoven, aos 19 anos, tendo sido desde logo blindado com uma cláusula de rescisão recorde de 50 milhões de euros. Pela transferência, o emblema leonino acabou por pagar 3,5 milhões de euros: 900 mil euros ao PSV e 2,61 milhões de euros em “gastos inerentes à aquisição do jogador”.
Embora tivesse estado ligado contratualmente aos leões durante quatro anos, só jogou pela equipa principal no primeiro. Em 2012-13 disputou 27 jogos e marcou três golos, numa temporada de má memória para os verde e brancos, que terminaram o campeonato em sétimo lugar, a pior classificação de sempre da história do clube.
Nas duas épocas que se seguiram esteve emprestado aos holandeses do Vitesse, até porque a direção de Bruno de Carvalho o considerava demasiado caro, com um salário que ultrapassava o teto salarial imposto. Em 2015-16 voltou a Alvalade, mas só jogou pela equipa B, tendo sido cedido aos ingleses do Fulham na segunda metade da temporada.
Em junho de 2016 rescindiu contrato e meio ano depois voltou à Holanda para representar o Utrecht.
“O Sporting ‘é só isto’: Cristiano Ronaldo, Nani, Figo... A lista de grandes jogadores formados naquele clube é tremenda. O próprio campeonato português tem ajudado a evoluir e a dar a conhecer grandes jogadores. O Casemiro cresceu no FC Porto antes de se afirmar no Real Madrid. Cheguei a jogar com o João Mário na equipa B e agora ele está no Inter Milão, que pagou 45 milhões para o contratar. Não me arrependo de ter ido para o Sporting nem por um segundo”, afirmou à Voetbal International, em dezembro de 2017.





















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