sexta-feira, 23 de outubro de 2026

O “Maradoninha” brasileiro que não correspondeu às expetativas no Benfica. Quem se lembra de Roger?

Roger somou 44 jogos e sete golos de águia ao peito
Não há benfiquista que não lhe reconheça qualidade, mas a verdade é que não correspondeu às expetativas na Luz. Custou um milhão e 400 mil contos aos cofres encarnados em janeiro de 2001 (perto de sete milhões de euros), um balúrdio naquele tempo e que chegou a fazer dele, durante meio ano, a contratação mais cara da história do clube – depois Simão Sabrosa foi contratado ao Barcelona por cerca de 13 milhões de euros.
 
Médio de características ofensivas, baixa estatura (1,71 m) e pé esquerdo refinado nascido a 17 de agosto de 1978 no Rio de Janeiro, filho de pai brasileiro e de mãe nascida em Trinidad e Tobago, concluiu a formação e iniciou a carreira profissional no Fluminense, quando tinha apenas 17 anos.
 
Na altura, o tricolor carioca vivia nas ruas da amargura. E Roger foi o símbolo da reestruturação do clube, tendo apontado dois dos golos da vitória sobre o São Cristóvão (4-0) na final da Copa Rio em 1998 e guiado em campo a equipa ao título de campeão da Série C – sim, o terceiro escalão do futebol brasileiro – no ano seguinte. Na altura, chegou a receber do treinador Carlos Alberto Parreira a alcunha de “Maradoninha”.
 
 
Em 2000 continuou a destacar-se no emblema do Rio de Janeiro e virou ídolo dos adeptos, tendo ainda sido convocado para a seleção olímpica brasileira que competiu nos Jogos de Sydney.
 
As boas atuações valeram-lhe a transferência para o Benfica. Mostrou imediatamente qualidade técnica e precisão na execução de livres diretos na equipa então orientada por Toni, tendo participado no golo da vitória num clássico com o FC Porto (2-1) na Luz logo na estreia. No quarto jogo, o segundo a titular, marcou num triunfo caseiro sobre a União de Leiria (3-2). E no oitavo assinou um golo e uma assistência numa derrota em casa às mãos do Paços de Ferreira (2-3). Entretanto eclipsou-se, tal como os seus companheiros, numa época que culminou na obtenção na pior classificação da história do clube, o sexto lugar.
 
 
No final dessa temporada, após apenas 13 jogos (e dois golos) de águia ao peito, a até então contratação mais cara da história do Benfica pediu para… voltar ao Fluminense. “Na primeira vez que estive no Benfica, por seis meses, eu pedi para voltar. Se tivesse a cabeça de hoje, não voltaria de jeito nenhum”, admitiu numa entrevista ao jornal Lance em maio de 2010, quando lhe perguntaram qual o maior arrependimento da carreira.
 
O regresso ao Flu correu muito bem, ao ponto de ter sido escolhido para o onze ideal (Bola de Prata, da ESPN Brasil) do Brasileirão em 2001.
 
Voltaria ao Benfica apenas no verão de 2002, já com Jesualdo Ferreira no comando técnico, tendo vivido uma temporada marcada por uma grave lesão, uma pubalgia que o afastou dos relvados durante quase meio ano. Foi substituído no decorrer da primeira parte do célebre jogo com o Gondomar no antigo Estádio da Luz, que ditou a eliminação na Taça de Portugal às mãos da equipa da II Divisão B e o despedimento de Jesualdo, a 24 de novembro, e só voltou a jogar a 3 de maio do ano seguinte, quando o treinador já era José Antonio Camacho. Pelo meio tentou um tratamento através de fisioterapia com o fisioterapeuta do Real Madrid, o que lhe permitiu disputar um amigável com o Barcelona na Luz em janeiro de 2003, mas agravou o problema e teve de ser operado. Feitas as contas, fechou 2002-03 com 14 jogos (nove a titular) e dois golos.
 
 
Na primeira metade de 2003-04 assumiu um papel de alguma importância na equipa, tendo sido utilizado em 17 jogos e apontado três golos. Ainda que só tivesse atuado duas vezes na condição de titular, era bastantes vezes lançado por Camacho no decorrer das segundas partes, rendendo maioritariamente o médio ofensivo Zahovic ou um dos avançados.
 
 
Em janeiro de 2004 voltou a ser emprestado ao Fluminense e não mais voltou ao Benfica, apesar de no decorrer desse ano ter marcado dois golos ao Haiti na única internacionalização que obteve pela seleção principal do Brasil, a 18 de agosto.
 
 
No início de 2005 transferiu-se em definitivo dos encarnados para o Corinthians, por uma verba a rondar os 2,3 milhões de euros. Nesse ano conquistou o título brasileiro ao lado de jogadores como Carlos Tévez, Javier Mascherano e Carlos Alberto e foi eleito para o onze ideal do Brasileirão (Prémio Craque do Brasileirão, da Rede Globo), apesar de ter partido a perna em outubro durante um jogo com o Vasco da Gama.
 
 
Desde essa lesão que a sua carreira entrou numa curva descendente, tendo ainda passado discretamente por Flamengo, Grêmio, Qatar Sports Club, Al-Sailiya e Cruzeiro, apesar de alguns bons momentos no tricolor gaúcho e na raposa, antes de pendurar as botas em 2012, aos 35 anos.
 

As múltiplas lesões valeram-lhe a alcunha de “chinelinho”, tendo o próprio admitido que esteve quase a participar num reclame de havaianas em respostas às críticas.
 
Após encerrar a carreira de jogador, começou a de comentador, trabalhando presentemente para a Rede Globo e para a SporTV brasileira.
  


 
 
 





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