Médio de características
defensivas nascido a 22 de janeiro de 1961 em Serrania, no estado brasileiro de
Minas Gerais, começou a carreira em pequenos clubes paulistas como Ginásio Pinhalense,
Inter de Limeira e Amparo. Em 1984 foi contratado pelo Atlético
Mineiro. Ao serviço do galo
venceu dois campeonatos estaduais (1985 e 1986) e mostrou-se ao selecionador Telê
Santana, que o chamou pela primeira vez em março de 1986, a poucos meses do Mundial
do México. Embora a seleção
brasileira fosse composta por um núcleo duro que já atuava duro há vários
anos, como Zico,
Falcão, Sócrates, Júnior ou Éder, intrometeu-se no grupo e roubou a
titularidade a Falcão. Ajudou o Brasil
a sair do Campeonato
do Mundo com apenas um golo sofrido, mas nada pôde fazer para a eliminação
aos pés da França
de Platini,
nos quartos de final, no desempate por penáltis. Após o Mundial
não voltou a jogar pelo Brasil
por decisão própria, tendo rejeitado estar presente em várias convocatórias, e
acertou a mudança para o Benfica,
com a condição de ficar mais um ano no Atlético
Mineiro.
Na Luz,
entre 1987 e 1989, não só cumpriu o sonho de conhecer Eusébio,
que na altura fazia parte da equipa técnica, como justificou o rótulo de craque
que trazia à chegada a Lisboa, tendo ajudado os encarnados
a atingir a final da Taça
dos Campeões Europeus em 1987-88 e a conquistar o título nacional na época
seguinte. “[Era] uma equipa muito forte.
Shéu, Rui
Águas, Diamantino, Carlos Manuel, Silvino,
um plantel de enorme categoria técnica. Jogadores de alto nível. Depois cheguei
eu, o Mozer, o Magnusson, o próprio Valdo. O Benfica
construiu uma das melhores equipas da Europa e, por isso, fomos à final da Taça
dos Campeões Europeus”, recordou ao Maisfutebol
em outubro de 2019, tendo comparado Diamantino a Zico
devido a características como “criatividade, rapidez e improviso”. Na final europeia diante do PSV,
decidida nos penáltis, Elzo foi o primeiro a bater, apesar de não ser um especialista.
“O Eusébio
chamou-me para comunicar que eu seria o primeiro a bater o penálti. Eu não me
tinha preparado para isso, nem estava habituado a marcar grandes penalidades.
Então virei-me para o Eusébio,
que era o nosso técnico auxiliar, e fiz um pedido: ‘senhor Eusébio,
eu não estou habituado a isto nem conheço o guarda-redes deles [Van Breukelen].
Para que lado eu hei de bater?’. O Eusébio,
muito engraçado, respondeu assim: ‘eu escolho-te para isso e tu, em vez de me
agradeceres, ainda me perguntas como tens de fazer o teu trabalho?’. Bati e
bati muito bem, ao cantinho. O Eusébio
veio logo ter comigo, a sorrir: ‘Elzo, eu tinha a certeza que tu não ias
falhar’. Ele era assim, já fazia aquilo a que hoje chamam psicologia invertida.
Num momento de nervosismo e responsabilidade, o Eusébio
arranjou uma forma de me relaxar. Pelo menos tentou”, contou. Entre os 51 encontros que somou
de águia ao peito, o brasileiro elege como os seus melhores a final da Taça
dos Campeões Europeus; o jogo da confirmação do título de 1988-89, em Alvalade
[vitória por 2-0]; e uma vitória em Montpellier para a Taça
UEFA, em setembro de 1988 [triunfo por 3-0].
No final do contrato de dois
anos, a mulher de Elzo teve um grave problema de saúde, o que levou o médio a
não renovar. De regresso ao Brasil, fez duas
boas épocas no Palmeiras,
tendo sido incluído na equipa ideal do Brasileirão em 1989.
No ocaso da carreira representou
o Catuense, tendo pendurado as botas em 1993, aos 32 anos, sem nunca ter sido
expulso, um feito incrível para um trinco. “Poucos jogavam tão bem em
antecipação como eu. Sempre fiz pouquíssimas faltas. Esse era o segredo:
antecipar e roubar a bola de forma limpa”, explicou. Entretanto, tornou-se um
empresário de sucesso, tendo aberto um restaurante e uma loja de desporto, além
de ter ações em algumas empresas e fazer palestras motivacionais por todo o
Brasil. Em 2009 perdeu o filho num acidente de viação e em sua homenagem criou
o Instituto Elzo Túlio, um projeto social que tem ajudado centenas de crianças.
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