terça-feira, 14 de abril de 2026

O trinco brasileiro que jogou no Benfica após brilhar no Mundial 1986. Quem se lembra de Elzo?

Elzo disputou 51 jogos pelo Benfica entre 1987 e 1989
Brilhou no Mundial 1986 no meio-campo da seleção brasileira, após roubar a titularidade ao conceituado Falcão. Apesar de um convite do Real Madrid, decidiu assinar pelo Benfica por dois motivos:  a abertura dos encarnados para que ficasse mais um ano no Atlético Mineiro e o sonho de conhecer Eusébio.
 
Médio de características defensivas nascido a 22 de janeiro de 1961 em Serrania, no estado brasileiro de Minas Gerais, começou a carreira em pequenos clubes paulistas como Ginásio Pinhalense, Inter de Limeira e Amparo.
 
Em 1984 foi contratado pelo Atlético Mineiro. Ao serviço do galo venceu dois campeonatos estaduais (1985 e 1986) e mostrou-se ao selecionador Telê Santana, que o chamou pela primeira vez em março de 1986, a poucos meses do Mundial do México.
 
Embora a seleção brasileira fosse composta por um núcleo duro que já atuava duro há vários anos, como Zico, Falcão, Sócrates, Júnior ou Éder, intrometeu-se no grupo e roubou a titularidade a Falcão. Ajudou o Brasil a sair do Campeonato do Mundo com apenas um golo sofrido, mas nada pôde fazer para a eliminação aos pés da França de Platini, nos quartos de final, no desempate por penáltis.
 
Após o Mundial não voltou a jogar pelo Brasil por decisão própria, tendo rejeitado estar presente em várias convocatórias, e acertou a mudança para o Benfica, com a condição de ficar mais um ano no Atlético Mineiro.
 
 
Na Luz, entre 1987 e 1989, não só cumpriu o sonho de conhecer Eusébio, que na altura fazia parte da equipa técnica, como justificou o rótulo de craque que trazia à chegada a Lisboa, tendo ajudado os encarnados a atingir a final da Taça dos Campeões Europeus em 1987-88 e a conquistar o título nacional na época seguinte.
 
“[Era] uma equipa muito forte. Shéu, Rui Águas, Diamantino, Carlos Manuel, Silvino, um plantel de enorme categoria técnica. Jogadores de alto nível. Depois cheguei eu, o Mozer, o Magnusson, o próprio Valdo. O Benfica construiu uma das melhores equipas da Europa e, por isso, fomos à final da Taça dos Campeões Europeus”, recordou ao Maisfutebol em outubro de 2019, tendo comparado Diamantino a Zico devido a características como “criatividade, rapidez e improviso”.
 
Na final europeia diante do PSV, decidida nos penáltis, Elzo foi o primeiro a bater, apesar de não ser um especialista. “O Eusébio chamou-me para comunicar que eu seria o primeiro a bater o penálti. Eu não me tinha preparado para isso, nem estava habituado a marcar grandes penalidades. Então virei-me para o Eusébio, que era o nosso técnico auxiliar, e fiz um pedido: ‘senhor Eusébio, eu não estou habituado a isto nem conheço o guarda-redes deles [Van Breukelen]. Para que lado eu hei de bater?’. O Eusébio, muito engraçado, respondeu assim: ‘eu escolho-te para isso e tu, em vez de me agradeceres, ainda me perguntas como tens de fazer o teu trabalho?’. Bati e bati muito bem, ao cantinho. O Eusébio veio logo ter comigo, a sorrir: ‘Elzo, eu tinha a certeza que tu não ias falhar’. Ele era assim, já fazia aquilo a que hoje chamam psicologia invertida. Num momento de nervosismo e responsabilidade, o Eusébio arranjou uma forma de me relaxar. Pelo menos tentou”, contou.
 
Entre os 51 encontros que somou de águia ao peito, o brasileiro elege como os seus melhores a final da Taça dos Campeões Europeus; o jogo da confirmação do título de 1988-89, em Alvalade [vitória por 2-0]; e uma vitória em Montpellier para a Taça UEFA, em setembro de 1988 [triunfo por 3-0].
 
 
No final do contrato de dois anos, a mulher de Elzo teve um grave problema de saúde, o que levou o médio a não renovar.
 
De regresso ao Brasil, fez duas boas épocas no Palmeiras, tendo sido incluído na equipa ideal do Brasileirão em 1989.
 
 
No ocaso da carreira representou o Catuense, tendo pendurado as botas em 1993, aos 32 anos, sem nunca ter sido expulso, um feito incrível para um trinco. “Poucos jogavam tão bem em antecipação como eu. Sempre fiz pouquíssimas faltas. Esse era o segredo: antecipar e roubar a bola de forma limpa”, explicou.
 
Entretanto, tornou-se um empresário de sucesso, tendo aberto um restaurante e uma loja de desporto, além de ter ações em algumas empresas e fazer palestras motivacionais por todo o Brasil. Em 2009 perdeu o filho num acidente de viação e em sua homenagem criou o Instituto Elzo Túlio, um projeto social que tem ajudado centenas de crianças.



 




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