quarta-feira, 23 de dezembro de 2020

As 10 edições da Supertaça mais marcantes de sempre

Supertaça foi implementada oficiosamente em 1979
Implementada em 1979, a Supertaça portuguesa, que ganhou a designação de Cândido de Oliveira dois anos depois, opõe anualmente o campeão nacional ao vencedor da Taça de Portugal ou, em caso de dobradinha, o finalista vencido da prova rainha.
 
Porém, os primórdios da Supertaça remontam a 1944, quando o campeão Sporting e o detentor da Taça, o Benfica, se defrontaram na inauguração do Estádio Nacional num jogo em que estava em disputa a Taça Império. Estava previsto que esse troféu fosse disputado anualmente a partir desse ano, mas os planos foram cancelados por falta de interesse dos clubes.
 
Em 1963-64, foi instituído o troféu oficioso Taça de Ouro da Imprensa, para ser disputado entre o Benfica, campeão nacional, e o Sporting, vencedor da Taça de Portugal, mas a prova não conheceu continuidade.
 
Entretanto a Supertaça foi finalmente implementada em 1979, tendo desde então coroado cinco clubes vencedores, num total de 16 emblemas participantes.
 
Vale por isso a pena conhecer a nossa lista das dez edições mais marcantes da Supertaça Cândido de Oliveira, por ordem cronológica.
 
 
17 de agosto de 1979 – Estádio das Antas (Porto)
A primeira edição do troféu, ainda que de forma oficiosa, com os vizinhos FC Porto (campeão) e Boavista (vencedor da Taça) a defrontarem-se nas Antas.
Coube ao avançado Júlio marcar os dois golos dos axadrezados, orientados por Mário Lino, ao primeiro e ao 62.º minuto de jogo. Romeu ainda reduziu para os azuis e brancos (77’), mas não evitou que o emblema de Bessa inscrevesse o seu nome como primeiro detentor da Supertaça, apesar de ter terminado o encontro reduzido a nove unidades devido às expulsões de Queiró e Manuel Barbosa.
No final, confrontos entre adeptos do FC Porto e jogadores do Boavista impediram por impedir a entrega do troféu no relvado, tendo os boavisteiros recebido a taça no balneário. “O Boavista venceu-nos nas Antas, mas a taça foi entregue pelo correio… O capitão deles teria de ir lá acima à tribuna receber o troféu, mas os sócios do FC Porto zangados com o resultado acabaram por bloquear a passagem e aquilo só se resolveu entregando-o mais tarde. Não foi bonito, mas eram tempos em que a rivalidade fervia mais…”, recordou o antigo avançado portista ao Maisfutebol.
 
 
8 de dezembro de 1981 – Estádio das Antas (Porto)
Em 1981 a Supertaça é rebatizada e realiza-se pela primeira vez sob a designação Supertaça Cândido de Oliveira. Por outro lado, é disputada pelo segundo ano a duas mãos.
No primeiro jogo, na Luz, o campeão nacional e vencedor da Taça de Portugal, o Benfica, recebeu e venceu o finalista vencido da Taça, o FC Porto, por 2-0, com dois golos de Nené (7 e 29 minutos).
A vantagem era confortável, mas os dragões arrasaram nas Antas, sobretudo na segunda parte. O grande herói da reviravolta portista foi o avançado Jacques, que se tornou o primeiro jogador a apontar um hat trick na Supertaça (27, 65 e 70 minutos). “O primeiro golo, acho que foi um cruzamento do lado direito, já não me recordo de quem. Tive uma perceção sobre o lance e acabei por fazer golo. O segundo foi espetacular: o Mike Walsh apanha de cabeça, a bola cai para mim sobre o lado esquerdo, eu domino com o peito e faço um grande golo com o pé esquerdo. O terceiro, isolei-me, o Bento, infelizmente que já não está connosco, era um grande amigo (!), saiu e eu consegui colocar bem a bola. O quarto, foi uma jogada pelo lado esquerdo, consigo driblar dois ou três jogadores e dou a bola ao Costa para fazer golo. Foi mais ou menos isto”, recordou ao Maisfutebol.
Pelo meio, o primeiro estrangeiro da história benfiquista, Jorge Gomes, chegou a empatar (58’). E coube a José Alberto Costa apontar o 4-1 (79’) que fechou a goleada que deu a primeira Supertaça ao FC Porto, então orientado pelo austríaco Hermann Stessl. “Um jogo espetacular, sempre na minha memória. E, de certeza, na dos meus colegas. Vencemos bem e ficámos satisfeitos”, lembrou Jacques.
 
 
30 de maio de 1985 – Estádio da Luz (Lisboa)
A edição de 1984 foi inédita, uma vez que foram necessários quatro jogos para apurar o vencedor, e tanto que assim foi que o troféu só foi atribuído em 1985. Nos dois primeiros jogos, o campeão nacional Benfica venceu por 1-0 na Luz com golo do dinamarquês Manniche e o vencedor da Taça, o FC Porto, triunfou nas Antas pelo mesmo resultado, com Vermelhinho a marcar ao cair do pano.
Foram então necessários mais dois encontros, nos quais os dragões foram dominadores, tendo vencido nas Antas por 3-0, com golo de Vermelhinho a abrir (cinco minutos) e bis de Fernando Gomes (37’ e 88’).
Na partida da Luz, um golo solitário de Paulo Futre à passagem da meia hora colocou o derradeiro prego no caixão das aspirações encarnadas e garantiu a terceira Supertaça aos portistas, então comandados por Artur Jorge.
 
   
 
 
19 de outubro de 1988 – Estádio das Antas (Porto)
Nove anos depois, um clube fora do círculo dos três grandes arrecadou a Supertaça.
O então finalista vencido da Taça de Portugal, o Vitória de Guimarães, venceu em casa os dragões de Quinito por 2-0, com golos do brasileiro Décio (40') e do zairense N'Dinga (51').
Na segunda mão, o empate a zero nas Antas possibilitou aos minhotos comandados pelo brasileiro Geninho conquistar o troféu, levantado pelo capitão Nando.
Foi o primeiro título oficial da história dos vimaranenses e a quarta e a última vez que uma equipa que disputou a prova por ser finalista vencido da Taça conseguiu conquistar a Supertaça.
 
 
 
 
9 de setembro de 1992 – Estádio Municipal de Coimbra
Benfica 1-1 (3-4 g.p.) FC Porto
Jogava-se a Supertaça de 1991, mas o troféu só foi atribuído no segundo semestre de 1992, naquela que foi a primeira vez que houve uma finalíssima em campo neutro.
Na primeira-mão, na Luz, o campeão Benfica venceu por 2-1, com golos de Yuran (16’) e William (77’) para as águias e de Jaime Magalhães (61’) para os dragões, que eram os detentores da Taça de Portugal. No segundo jogo, nas Antas, os portistas triunfaram por 1-0, com golo de Timofte (47’), porém, a regra nos golos marcados fora não era aplicada à Supertaça, pelo que se teve de recorrer a uma finalíssima.
O Estádio Municipal de Coimbra, o mítico Calhabé, foi o palco escolhido para o encontro decisivo. Após mais de uma hora sem golos, Isaías abriu o ativo para o Benfica aos 72 minutos. No entanto, João Pinto empatou para o FC Porto aos 84’ na conversão de uma grande penalidade.
Por falar em grandes penalidades, a atribuição do troféu teve de ser decidida num desempate por penáltis que ficou marcado por uma raríssima reviravolta. Nos cinco primeiros pontapés, William, Rui Águas e Kulkov marcaram para as águias, enquanto João Pinto e Fernando Couto falharam do lado portista, deixando o Benfica a vencer por 3-0. Porém, o impensável aconteceu: os encarnados não voltaram a marcar, enquanto Aloísio, André, Antônio Carlos e Paulinho César faturaram para os azuis e brancos, deixando o resultado final em 3-4. Quem não escondeu a emoção foi Pinto da Costa, que após o penálti de Paulinho César se ajoelhou para agradecer aos deuses a sexta Supertaça conquistada pelo clube.
 
 
  
 
 
6 de janeiro de 1993 – Estádio do Bessa (Porto)
O FC Porto voltou a ser surpreendido por um clube fora do círculo dos três grandes na edição de 1992, novamente pelo vizinho Boavista, que participava enquanto detentor da Taça.
Os azuis e brancos orientados pelo brasileiro Carlos Alberto Silva até estiveram em vantagem na primeira mão, nas Antas, devido a um golo do búlgaro Kostadinov no final da primeira parte (41'). Porém, Manuel José tirou duplo coelho da cartola no segundo tempo, ao lançar aqueles que viriam a ser os autores dos golos da reviravolta: Marlon Brandão (63') e Artur (69').
No jogo do Bessa, os dragões chegaram a estar a vencer por 0-2, com bis de Kostadinov (8' e 54'), mas nos minutos finais permitiram a igualdade, cortesia de Tavares (79') e Marlon Brandão (81'), que possibilitaram ao capitão axadrezado, Paulo Sousa, levantar a segunda Supertaça do clube.
 
 
 
 
20 de junho de 1995 – Parc des Princes (Paris)
Mais uma vez, FC Porto (detentor da Taça de Portugal) e Benfica (campeão nacional) precisaram de uma finalíssima para decidir o vencedor da Supertaça Cândido de Oliveira, neste caso a de 1994.
Na primeira-mão, na Luz, o malogrado Rui Filipe colocou os dragões em vantagem aos 72 minutos, mas Vítor Paneira restabeleceu o empate pouco depois (75’), num encontro que ficou marcado por cinco expulsões – Abel Xavier, Nelo e João Pinto do lado encarnado e Secretário e Rui Filipe do lado azul e branco.
No segundo jogo, nas Antas, houve empate a zero, mas à beira do fim houve um lance polémico que podia ter dado o triunfo às águias, uma vez que no mesmo lance Vítor Baía defendeu um remate com as mãos fora da área sem que a falta tivesse sido sancionada e o extremo Jorge Amaral viu um golo ser-lhe anulado de forma quase inexplicável.
Como na Supertaça não existia a regra dos golos fora, a decisão foi adiada para… Paris, uma escolha a pensar nos emigrantes. Pela primeira vez, uma competição portuguesa foi disputada no estrangeiro – a organização do jogo, para poupar nas despesas, chegou a propor aos dois clubes que viajassem no mesmo avião, algo logo descartado por ambos –, tendo Domingos aos 51 minutos apontado o golo solitário que deu a oitava Supertaça ao FC Porto.
 
 
 
 
30 de abril de 1996 – Parc des Princes (Paris)
A Supertaça era referente a 1995 e opunha o campeão nacional FC Porto ao vencedor da Taça de Portugal, o Sporting, mas só foi decidida no ano seguinte, pelo segundo ano consecutivo em Paris.
Isto porque em Alvalade houve empate a zero e nas Antas igualdade a dois golos – Domingos bisou para os dragões (19 e 53 minutos) e os africanos Naybet (42’) e Ouattara (74’) marcaram para os verde e brancos.
Os ares da capital francesa inspiraram os leões de Octávio Machado, que contaram com um bis de Ricardo Sá Pinto ainda na primeira parte (9’ e 38’) e um golo de grande penalidade de Carlos Xavier perto do apito final (86’) para arrecadar a Supertaça pela terceira vez.
 
 
 

18 de setembro de 1996 – Estádio da Luz (Lisboa)
O campeão nacional FC Porto vinha de uma vitória nas Antas por 1-0, com golo de Domingos aos 42 minutos, mas poucos perspetivavam um desfecho destes no jogo da segunda mão, na Luz.
Em contra-ataque, os dragões começaram por dar um duro golpe nas aspirações do Benfica (detentor da Taça de Portugal) ao marcar logo aos 3 minutos, por Artur, e chegaram ao segundo golo à beira do intervalo, por Edmilson. No segundo tempo, foi hecatombe total para os homens de Paulo Autuori, que haveriam de sofrer mais três golos: cortesia de Jorge Costa, Wetl e Drulovic.  Numa era em que as goleadas em clássicos começavam a cair em desuso, a formação orientada por António Oliveira fez questão de esmagar o rival.
“Esse jogo foi inesquecível. Nem nos melhores sonhos pensava ir ao Estádio da Luz e ganhar 5-0. O Benfica tinha grandes jogadores, de seleção brasileira e portuguesa. Correu bem logo de início, o Artur marcou cedo, depois também fiz um golo e sentimos que o Benfica estava a perceber que ia perder. Então tomámos conta do jogo e tudo correu bem, foi o jogo perfeito. Os adeptos do Benfica bateram palmas para nós! Nunca mais uma coisa assim aconteceu na minha carreira entre clubes rivais. valorizámos muito essa vitória. Havia até uma foto dos cinco marcadores dos golos com uma bola na mão, para fazer render esse jogo”, recordou Edmilson ao Maisfutebol.
 
 
 
 
9 de agosto de 2015 – Estádio Algarve (Loulé)
Entretanto, a Supertaça voltou ao formato inicial de apenas um jogo em 2001, passando a ser disputada em campo neutro.
Em 2015, um Benfica que era bicampeão nacional defrontava um Sporting que era detentor da Taça de Portugal, naquela que foi a primeira vez em 28 anos que houve dérbi lisboeta na prova. No entanto, o jogo ficou marcado pelo reencontro de Jorge Jesus com as águias, num verão quente em que o treinador amadorense terminou um ciclo de seis anos na Luz e assinou pelo rival.
E Jesus tornou-se mesmo no primeiro treinador a vencer a Supertaça por equipas diferentes em anos consecutivos devido a um golo solitário de Teo Gutiérrez, avançado colombiano em quem uma bola rematada por Carrillo desviou antes de entrar na baliza à guarda de Júlio César (53’).
No final do encontro em que o Sporting arrecadou a oitava Supertaça do seu palmarés, o treinador leonino protagonizou um momento polémico, ao tocar na face de Jonas, que não gostou do gesto e recusou cumprimentar o antigo técnico. Gerou-se então uma confusão entre jogadores e staff de ambas as equipas.
 










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