O polivalente eslovaco tricampeão pelo FC Porto. Quem se lembra de Marek Cech?
Marek Cech somou 75 jogos e dois golos pelo FC Porto entre 2005 e 2008
Nunca foi propriamente um titular
indiscutível no FC
Porto, mas superou sempre as duas dezenas de jogos nas três épocas que
passou de dragão ao peito e foi campeão em todas (2005-06, 2006-07 e 2007-08). Era
preferencialmente um lateral esquerdo, mas também podia atuar mais adiantado na
ala ou até no meio-campo, o que fez dele um jogador muito útil para Co
Adriaanse e Jesualdo
Ferreira.
Nascido a 26 de janeiro de 1983
em Trebisov, ainda no tempo da Checoslováquia, começou por despontar no Inter
Bratislava em 2000-01, numa época em que o clube da capital venceu a dobradinha
eslovaca. Entretanto, mudou-se para o Sparta
Praga no verão de 2004, mais ou menos na mesma altura em que se tornou
internacional A pela Eslováquia – antes havia representado as seleções jovens,
tendo marcado presença no Europeu de sub-19 em 2002 e no Mundial de sub-20 em
2003. Embora não fosse um titular
indiscutível no emblema
checo, sagrou-se campeão na única temporada no clube e captou o interesse do
FC
Porto, então orientado por Co
Adriaanse, tendo sido contratado no último dia de agosto de 2005. Após ter passado o primeiro mês e
meio na Invicta sem jogar, estreou-se num triunfo caseiro sobre o Inter
de Milão (2-0), para a Liga
dos Campeões, a 19 de outubro. Jogou a lateral esquerdo numa defesa a
quatro, mas na segunda metade da temporada atuou sobretudo no lado canhoto de
uma defesa a três, no arrojado 3x3x4 implementado pelo treinador
neerlandês. Nem sempre foi titular, mas fechou a época com 21 jogos (18 a
titular) e um golo marcado, tendo contribuído para a conquista da dobradinha.
Na temporada seguinte foi
orientado por Jesualdo
Ferreira, que passou a explorar mais a polivalência de Marek Cech.
Utilizava-lo preferencialmente como lateral esquerdo, mas também o chegou a
colocar no triângulo de meio-campo e como extremo do lado canhoto sobretudo em
partidas em que se exigia mais defensivamente a quem atuava nessa posição – foi
assim diante de Arsenal
e Chelsea
na Liga
dos Campeões. O eslovaco correspondeu e venceu a Supertaça
Cândido de Oliveira e mais um campeonato em 2006-07, temporada em que atuou
em 29 encontros (23 a titular) e apontou um golo.
Por fim, em 2007-08 foi utilizado
em 25 jogos (17 a titular), sagrou-se tricampeão e contribuiu para a caminhada
até à final da Taça
de Portugal. “Foi o período mais bonito da minha carreira. Já tinha sido
campeão da Eslováquia, fui da República Checa e depois de Portugal, ganhando
também uma Taça
e uma Supertaça.
O FC
Porto é um grande clube mundial, a organização é espetacular e adorei os
anos que lá passei. (…) Em cada ano, diziam-me sempre que ia ser muito difícil
para mim, porque iam buscar outro lateral e eu devia pensar no meu futuro, mas
a verdade é que fui sempre o lateral esquerdo que fiz mais jogos. Só alternei
mais com o Fucile,
que jogava à esquerda quando precisávamos mais de defender. Quando era mais
para atacar, jogava eu”, recordou ao Maisfutebol
em março de 2022.
No verão de 2008 transferiu-se
para os ingleses do West Bromwich por uma verba a rondar os 1,8 milhões de
euros, tendo dividido os três anos que passou no emblema da região de Birmingham
entre Premier
League e Championship. Mais uma vez voltou a não ser propriamente um
titular indiscutível, sobretudo nas temporadas passadas no primeiro
escalão, mas pelo meio conseguiu ser convocado para o Mundial
2010, a única fase final enquanto futebolista sénior em que participou e o
ponto alto de uma carreira internacional de 52 jogos e cinco golos.
Seguiram-se dois anos nos turcos
do Trabzonspor, um nos italianos do Bolonha
e seis meses sem jogar antes de voltar a Portugal e à cidade do Porto para
representar o Boavista
na segunda metade da época 2014-15. Foi a tempo de disputar 16 jogos e marcar
um golo, ajudando os axadrezados
a assegurar a permanência. No Bessa, às ordens de Petit, jogou maioritariamente
como médio ofensivo. “Aquele período no Boavista
foi uma das experiências mais bonitas na minha vida, formámos um grande grupo e
estava feliz. Estava a morar aqui em Vila do Conde, a jogar na I
Liga, num clube com história, era perfeito. Perto do fim da época, o Fary
disse-me que iam ficar comigo, que iam renovar contrato e que eu ia passar a
ser um dos capitães. (…) No fim da época, chamaram-me ao balneário e estava lá
o treinador, o Petit, e penso que o Jorge Couto. Agradeceram-me pelo que tinha feito,
mas disseram-me que não contavam comigo para a próxima época. Portanto, ia
passar a capitão do Boavista
e chamaram-me, entretanto, para me dispensar. Foi muito estranho, até hoje não
sei o que passou. Deviam precisar de espaço para outros jogadores, não sei”,
lembrou.
Após quase um ano sem jogar,
voltou a Itália em março de 2016 para pendurar as botas ao serviço do Como, na
Série B, aos 33 anos. Após encerrar a carreira regressou
ao norte de Portugal e apostou no ramo da restauração, tornando-se sócio do restaurante
Tia Mila, em Mindelo, concelho de Vila do Conde.
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