quarta-feira, 25 de março de 2026

O polivalente eslovaco tricampeão pelo FC Porto. Quem se lembra de Marek Cech?

Marek Cech somou 75 jogos e dois golos pelo FC Porto entre 2005 e 2008
Nunca foi propriamente um titular indiscutível no FC Porto, mas superou sempre as duas dezenas de jogos nas três épocas que passou de dragão ao peito e foi campeão em todas (2005-06, 2006-07 e 2007-08). Era preferencialmente um lateral esquerdo, mas também podia atuar mais adiantado na ala ou até no meio-campo, o que fez dele um jogador muito útil para Co Adriaanse e Jesualdo Ferreira.
 
Nascido a 26 de janeiro de 1983 em Trebisov, ainda no tempo da Checoslováquia, começou por despontar no Inter Bratislava em 2000-01, numa época em que o clube da capital venceu a dobradinha eslovaca.
 
Entretanto, mudou-se para o Sparta Praga no verão de 2004, mais ou menos na mesma altura em que se tornou internacional A pela Eslováquia – antes havia representado as seleções jovens, tendo marcado presença no Europeu de sub-19 em 2002 e no Mundial de sub-20 em 2003.
 
Embora não fosse um titular indiscutível no emblema checo, sagrou-se campeão na única temporada no clube e captou o interesse do FC Porto, então orientado por Co Adriaanse, tendo sido contratado no último dia de agosto de 2005.
 
Após ter passado o primeiro mês e meio na Invicta sem jogar, estreou-se num triunfo caseiro sobre o Inter de Milão (2-0), para a Liga dos Campeões, a 19 de outubro. Jogou a lateral esquerdo numa defesa a quatro, mas na segunda metade da temporada atuou sobretudo no lado canhoto de uma defesa a três, no arrojado 3x3x4 implementado pelo treinador neerlandês. Nem sempre foi titular, mas fechou a época com 21 jogos (18 a titular) e um golo marcado, tendo contribuído para a conquista da dobradinha.
 
 
Na temporada seguinte foi orientado por Jesualdo Ferreira, que passou a explorar mais a polivalência de Marek Cech. Utilizava-lo preferencialmente como lateral esquerdo, mas também o chegou a colocar no triângulo de meio-campo e como extremo do lado canhoto sobretudo em partidas em que se exigia mais defensivamente a quem atuava nessa posição – foi assim diante de Arsenal e Chelsea na Liga dos Campeões. O eslovaco correspondeu e venceu a Supertaça Cândido de Oliveira e mais um campeonato em 2006-07, temporada em que atuou em 29 encontros (23 a titular) e apontou um golo.
 
 
Por fim, em 2007-08 foi utilizado em 25 jogos (17 a titular), sagrou-se tricampeão e contribuiu para a caminhada até à final da Taça de Portugal. “Foi o período mais bonito da minha carreira. Já tinha sido campeão da Eslováquia, fui da República Checa e depois de Portugal, ganhando também uma Taça e uma Supertaça. O FC Porto é um grande clube mundial, a organização é espetacular e adorei os anos que lá passei. (…) Em cada ano, diziam-me sempre que ia ser muito difícil para mim, porque iam buscar outro lateral e eu devia pensar no meu futuro, mas a verdade é que fui sempre o lateral esquerdo que fiz mais jogos. Só alternei mais com o Fucile, que jogava à esquerda quando precisávamos mais de defender. Quando era mais para atacar, jogava eu”, recordou ao Maisfutebol em março de 2022.
 
 
No verão de 2008 transferiu-se para os ingleses do West Bromwich por uma verba a rondar os 1,8 milhões de euros, tendo dividido os três anos que passou no emblema da região de Birmingham entre Premier League e Championship. Mais uma vez voltou a não ser propriamente um titular indiscutível, sobretudo nas temporadas passadas no primeiro escalão, mas pelo meio conseguiu ser convocado para o Mundial 2010, a única fase final enquanto futebolista sénior em que participou e o ponto alto de uma carreira internacional de 52 jogos e cinco golos.
 
 
Seguiram-se dois anos nos turcos do Trabzonspor, um nos italianos do Bolonha e seis meses sem jogar antes de voltar a Portugal e à cidade do Porto para representar o Boavista na segunda metade da época 2014-15. Foi a tempo de disputar 16 jogos e marcar um golo, ajudando os axadrezados a assegurar a permanência. No Bessa, às ordens de Petit, jogou maioritariamente como médio ofensivo. “Aquele período no Boavista foi uma das experiências mais bonitas na minha vida, formámos um grande grupo e estava feliz. Estava a morar aqui em Vila do Conde, a jogar na I Liga, num clube com história, era perfeito. Perto do fim da época, o Fary disse-me que iam ficar comigo, que iam renovar contrato e que eu ia passar a ser um dos capitães. (…) No fim da época, chamaram-me ao balneário e estava lá o treinador, o Petit, e penso que o Jorge Couto. Agradeceram-me pelo que tinha feito, mas disseram-me que não contavam comigo para a próxima época. Portanto, ia passar a capitão do Boavista e chamaram-me, entretanto, para me dispensar. Foi muito estranho, até hoje não sei o que passou. Deviam precisar de espaço para outros jogadores, não sei”, lembrou.
 
 
Após quase um ano sem jogar, voltou a Itália em março de 2016 para pendurar as botas ao serviço do Como, na Série B, aos 33 anos.
 
Após encerrar a carreira regressou ao norte de Portugal e apostou no ramo da restauração, tornando-se sócio do restaurante Tia Mila, em Mindelo, concelho de Vila do Conde.







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