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| Deschamps somou 103 internacionalizações por França |
Um dos três homens que venceram o
Campeonato do Mundo como jogador e treinador, um antigo médio defensivo com
espírito de liderança e forte personalidade que praticava um futebol simples,
mas eficaz: recuperava a bola e entregava-a aos criativos. Éric Cantona apelidava-o de "aguadeiro" ("
le porteur d'eau", em francês).
Nascido a 15 de outubro de 1968,
em
Baiona, no País Basco francês, começou por jogar nas camadas jovens de um
clube local, o Aviron Bayonnais, antes de ingressar na formação do
Nantes, que
o catapultou para o futebol profissional em 1985.
Com o tempo foi ganhando
paulatinamente o seu espaço, demonstrando desde cedo características que foi
mantendo ao longo de mais de década e meia de carreira: maturidade competitiva,
capacidade de recuperação de bola e facilidade em organizar o jogo a partir de
zonas recuadas. Nunca foi um marcador de golos, tendo marcado apenas 25 durante
o seu percurso profissional, mas cumpria eficientemente as funções que lhe eram
confiadas.
Em 1989 tornou-se internacional A
por
França,
estreando-se a 29 de abril desse ano, e deu o salto para o
Marselha,
dando início a uma etapa importante na sua carreira. Durante cinco anos ajudou
o
clube
do sul do país a estabelecer-se entre os grandes clubes europeus, tendo
vencido a
Liga
dos Campeões em 1992-93 e dois campeonatos gauleses (1989-90 e 1991-92) –
pelo meio, esteve emprestado ao Bordéus em 1990-91. Na memorável noite de 26 de
maio de 1993, capitaneou o conjunto marselhês no triunfo sobre o
AC
Milan na final disputada em Munique, graças a um golo solitário do central
Basile Boli, tornando-se assim no primeiro capitão de uma equipa francesa a
levantar o troféu mais importante do continente.
Em 1994 transferiu-se para a
Juventus
e ajudou, sob o comando de
Marcello
Lippi, o
emblema
de Turim também a estabelecer-se como uma força dominante no futebol
europeu, tendo voltado a vencer a
Champions
em 1995-96, desta feita com vitória sobre o
Ajax
em Roma, no desempate por penáltis – nas duas épocas seguintes, foi finalista
vencido. Também conquistou três campeonatos italianos (1994-95, 1996-97 e
1997-98), uma Taça (1994-95) e duas
Supertaças
(1995 e 1997) de Itália, uma Taça Intercontinental (1996) e uma Supertaça
Europeia (1996).
Nessa altura começou a consolidar-se
como um dos melhores médios defensivos da sua geração. Embora pouco vistoso,
era determinante no funcionamento coletivo graças às suas inteligentes ações e
capacidade para interpretar as exigências táticas.
Paralelamente, saboreou a glória
pela
seleção
francesa em 1998, quando ergueu a taça de campeão do mundo em Paris, após o
triunfo
sobre o Brasil na final (3-0). Essa conquista colocou definitivamente um
ponto final a um período negro de
les
bleus, que não se haviam qualificado para os Mundiais de 1990 e
1994
nem ido além da fase de grupos do
Euro 1992
– no
Campeonato
da Europa de 1996 já havia dado sinais de retoma, quando atingiu as
meias-finais.
Em 1999, depois de cinco anos na
vecchia
signora, mudou-se para o
Chelsea,
numa experiência relativamente curta, mas que lhe permitiu acrescentar mais um
troféu ao currículo: a Taça de Inglaterra, conquistada em 2000. No final da única
época passada em Londres sagrou-se campeão europeu de seleções, voltando a
erguer o troféu na condição de capitão de equipa.
Após o
Euro
2000 retirou-se do futebol internacional, ao fim de 103
internacionalizações (54 enquanto capitão) e quatro golos, mas continuou a
jogar futebol durante mais um ano, ao serviço do
Valência,
na altura uma força emergente no futebol espanhol e europeu. Na única temporada
que passou no clube, 2000-01, atingiu a
final
da Liga dos Campeões, perdida para o Bayern Munique no desempate por penáltis.
Depois encerrou a carreira de
jogador e iniciou a de treinador, aos 32 anos. Começou pelo
Mónaco,
clube que guiou à conquista da
Taça da Liga francesa em 2002-03 e à final da
Champions
na temporada seguinte, numa campanha em que o
conjunto
monegasco eliminou equipas como
Real
Madrid (dos Galácticos, comandados por
Carlos
Queiroz) e
Chelsea
antes de
perder
com o FC Porto de José Mourinho em Gelsenkirchen (0-3).
Seguiu-se o regresso à
Juventus,
numa altura em que os
bianconeri
atravessavam uma crise provocada pelo escândalo de manipulação de resultados
conhecido como
Calciopoli e tinham sido despromovidos
administrativamente à Serie B. Foi precisamente
Deschamps
que levou a
Juve novamente à
Serie
A em 2006-07, na única temporada ao leme da
turma
de Turim.
Depois tornou-se treinador de
outro clube em que havia jogado, o
Marselha,
tendo conquistado o campeonato francês em 2009-10, colocando um ponto final a
um jejum de 18 anos sem vencer o título nacional. Paralelamente, venceu a Taça
da Liga francesa durante as três temporadas que passou no
clube
do sul de França (2009-10, 2010-11 e 2011-12) e o Trophée des Champions (equivalente
à Supertaça) em 2010 e 2011.
A 8 de julho de 2012 foi nomeado
selecionador de
França,
sucedendo ao antigo companheiro de equipa
Laurent
Blanc, em mais uma fase de instabilidade no seio da
seleção
gaulesa, que não havia passado a fase de grupos no
Euro 2008
e no
Mundial
2010 e que tinha sido eliminada nos
quartos
de final do Euro 2012.
Deschamps
começou por atingir os quartos de final do
Mundial
2014, tendo sido eliminado pela
Alemanha,
que viria a ganhar o torneio. Dois anos depois, levou
les
bleus à final do Euro 2016, perdida em Paris para
Portugal,
graças ao golo de Éder.
Apesar da desilusão, o antigo
médio continuou ao leme da
seleção
francesa, tendo-a guiado ao título mundial em 2018, tornando-se no terceiro
homem a conquistar o Campeonato do Mundo tanto como jogador como treinador,
juntando-se ao brasileiro
Mário Zagallo e ao alemão
Franz
Beckenbauer.
Depois de um
Euro 2020
discreto, que culminou na eliminação nos oitavos de final às mãos da Suíça no
desempate por penáltis, conduziu
França
à final do
Mundial
2022, disputado no Qatar. Apesar do
hat trick de Kylian Mbappé, os
gauleses
perderam no desempate por grandes penalidades para a
Argentina
de Lionel Messi.
Por fim, foi eliminado nas
meias-finais tanto do
Euro 2024
como do
Mundial
2026. O
torneio
realizado nos Estados Unidos, no Canadá e no México marcou o fim do seu
trajeto de 14 anos como selecionador, tal como havia sido previamente anunciado
em janeiro de 2025.
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