domingo, 24 de setembro de 2017

Muitas reservas à Taça... das reservas

Sporting e Marítimo protagonizaram jogo desinteressante
Já lá vão dez anos desde a sua criação e a Taça da Liga continua sem se afirmar no panorama futebolístico português. Por muito que se tenha mudado o formato e se exalte a implementação da (pouco relevante) Final Four, os clubes continuam a apresentar segundas linhas e os estádios ainda se mostram mais despidos do que quando são palco de encontros da I Liga.

Não há grandes exceções na política de utilização de habituais suplentes e reservas, sobretudo durante a fase de grupos. Os exemplos mais visíveis, os três grandes, têm as desculpas de possuírem plantéis com opções que dão confiança necessária para bater adversários menores e de se verem obrigados a gerir a condição física de jogadores que competem de três em três dias.


Veja-se o caso do Sporting, que há uma semana mudou nove jogadores no onze de um jogo de campeonato frente ao Tondela para outro para a Taça da Liga diante do Marítimo. Contudo, os maritimistas, sem já estarem envolvidos em competições europeias e com um plantel bem mais modesto, promoveram sete alterações.

O próprio discurso dos treinadores não disfarça rigorosamente nada: a principal preocupação é dar minutos aos menos utilizados – os tais reservas -. Depois - só depois -, se der para vencer, melhor.

Mais gritante ainda é o facto de se estarem constantemente a adiar partidas. Imagino técnicos e dirigentes a dizerem uns para os outros que “jogar naquela semana para aquela taça rasca não vem nada a calhar”. Que o diga o timoneiro do Sp. Braga, Abel Ferreira, que mesmo com vários jogadores entregues às seleções – como os importantes Vukcevic (Montenegro) e Xadas (sub-21 portugueses) -, preferiu enfrentar o Boavista precisamente num fim de semana em que os campeonatos pararam para dar lugar aos compromissos das equipas nacionais.

Estará tudo dito? Ainda não. O modelo desenhado, cada vez mais favorável aos grandes, tem-se traduzido numa lista de vencedores até bastante razoável, com o nome do Benfica a aparecer por sete vezes em dez edições. Dá para ir tapando o sol com a peneira, enquanto FC Porto e Sporting continuam sem levantar o troféu. Será só incompetência desportiva de dragões e leões? Obviamente que não.

Por outro lado, é o Moreirense o detentor do título, alcançado numa final que por ser diante do não grande Sp. Braga deverá ter dado um enorme desgosto à organização. Os axadrezados de Moreira de Cónegos levaram a taça para o museu, mas apenas e só isso. Nem qualificação europeia, nem estatuto de cabeça de série na edição deste ano. Zero!


Do que se estará à espera para, de uma vez por todas, se rever a continuidade e não o modelo da competição? Reconheço a grande importância de dar minutos às reservas, mas poder ter de o fazer com viagens às ilhas e a pontos distantes do país a meio da semana é algo que certamente dará azo a muitas... reservas.




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